segunda-feira, 20 de março de 2017

“Eu vou tirar você deste lugar – As canções de Odair José”

A internet tem tirado do limbo muitos artistas que foram solenemente ignorados pela crítica e mídia ortodoxa ou pior, foram massacrados por uma estrutura midiática preconceituosa e elitista. Odair José foi um desses artistas que mesmo com uma importante obra foi deixado fora do que cretinamente chamam de MPB, essa sigla é a senha para que muitos artistas sejam desprezados e outros coroados como “gênios” e inquestionáveis. A internet nos faz olhar para o lado e ao olharmos para o lado encontramos um importante legado de inúmeros artistas, artistas que antes eram chamados de bregas, ou seja, inferiores culturalmente, politicamente, e não só isso, o público desses artistas também foi durante muitos anos marginalizados, tanto que muitas pessoas escondiam que gostavam deles.
Curioso é que esse preconceito todo foi dogmatizado por gente supostamente progressista e defensores de causas nobres, gente que se diz sensível as nossas mais dolosas demandas sociais, mas aceitaram fazer parte da corte MPB e deixaram do lado de fora tudo que fosse brasileiro pé no chão, rua, suor de povo e mãos calejadas. O povo para MPB é um fetiche. 
O musical “Eu vou tirar você deste lugar – As canções de Odair José” faz uma bela e justa homenagem à obra e pessoa de Odair José, com um elenco afinadíssimo acompanhado por uma excelente banda, durante uma hora o público se diverte, se emociona e canta muitas canções de Odair José, tudo costurado por um excelente roteiro, divertido e dramático. Ambientado em um cabaré a peça nos leva a encontrar um Brasil colorido, com personagens poeticamente construídos.
“Eu vou tirar você deste lugar – As canções de Odair José” foi escrito e dirigido por Sérgio Maggio. A direção é primorosa, o texto extremamente bem costurado, o figurino nos leva as noites coloridas dos anos de 1960-1970, fatos históricos são sutilmente abordados a exemplo da ditadura militar e contracultura.
O musical não se assemelha aos musicais estrangeiros, longe disso, é um musical com gosto, voz e sotaque brasileiro por isso mesmo a identificação do público é imediata. O direto acertou em fazer um musical com as cores, desejos, sonhos, conquistas e frustrações espelhos e reflexões do nosso país.
Uma banda tocando ao vivo, mistura entre drama e comédia, músicas delicadas e o desejo de viver em um país crítico, mas tolerante em que o contraditório não seja um crime e não pensar como pensa outra pessoa motivo de ódio,foi assim que o musical “Eu vou tirar você deste lugar – As canções de Odair José” me tocou.
O Brasil grita: aqui tudo de bom podemos! Nos mostra nossos talentos, nossas paixões por fazer coisas belas. Neste tempos nebuloso ir ao teatro é encontrar um Brasil que desejamos tanto, ir ao teatro é contribuir para que nossa arte esteja sempre em cartaz.
O elenco do musical é: Camila Guerra, Luiz Felipe Ferreira, Rodrigo Mármore, Gabriela Correa, Tainá Baldez Sergio Simão Fidalgo e Watusi Maria Alice, direção musical de Luís Filipe de Lima, a banda tem na formação: Guilherme Gê André Togni e Zé Krishn
No próximo fim de semana o musical vai ocupar o Sesc de Ceilândia- Brasília,a entrada é franca, basta ir ao Sesc e retirar as entradas antecipadamente.





segunda-feira, 13 de março de 2017

O Dia do juízo final para Brasileiros

Ediney Santana
Deus:

- Que entre os brasileiros.

Representante dos brasileiros pede a palavra e diz:

- Altíssimo senhor, onipotente, onipresente, onisciente, reis dos reis, senhor dos senhores!!

- Chega! Gritou Deus. Vá logo ao assunto!!

- Milhões de brasileiros foram condenados ao inferno por vossa bondade e isso não é justo, sempre fomos crentes da vossa misericórdia.

- Blasfemadores, minha bondade não condena pessoa alguma, seus atos é que são condenatórios, não me colocam no mesmo nível da baixeza de suas vidas. Roubaram em meu nome, manipularam pessoas em meu nome, transformaram igrejas em agiotas da fé, chantagearam em meu nome, me transformaram em um Deus de ódio e vingança com o intuito de extorquir corações inocentes.Fizeram sexo com crianças,  humilharam idosos, bateram em mulheres.


- Mas, mas senhor das tempestades, mas...

- Cale a boca!!! O Brasil era o novo jardim do Éden, e o que fizeram com ele? Transformaram em um matadouro, carnificina pior que qualquer guerra, destruíram lagos e rios, transformaram florestas em desertos, mesmo com tantos alimentos milhões morreram de fome , reafirmaram racismo e xenofobia. Vocês são a vergonha da raça humana.


- Misericordioso Deus, desculpe, nem todos brasileiros são assim.

- Verdade, eu sei, esses que não são assim penaram, foram ridicularizados, a justiça de vocês zombou deles, foram reféns do lixo de vida que vocês criaram. Esses bons brasileiros estarão no paraíso comigo. Eles não usaram a religião para enriquecimento, não manipularam em meu nome, não usaram a política para roubar e matar, não foram gananciosos, sofreram muito, são criaturas do bem, não abandonam o país, mas vocês irão para o fogo eterno.


- Deus de bondade!!!

- Canalha, cadê a valentia? Vocês usaram de pistoleiros para matar inocentes, foram violentos com os fracos, usaram da autoridade para criar o terror, nas suas mesas fartas nunca se preocuparam com os que passavam fome, morriam nas portas dos hospitais, viviam do lixo colhido nas ruas. Não os matarei, não sou assassino, mas os condenarei ao lago de fogo, queimarão eternamente e sentiram dores terríveis.


- Senhor piedade!!!

- Piedade tenho dos que morreram por falta de médicos, vocês roubaram o dinheiro da saúde. Egoístas, comiam mais que podiam, vaidosos, se sentiam superiores. Estacionavam em fila dupla, ultrapassavam em faixa continua, bebiam e dirigiram provocando a morte de inocentes, criaram grupos de extermínios, jogavam lixo nas ruas, inventavam obras públicas para roubar o povo. Ganhavam super salários enquanto o povo passava fome. Ao lago de fogo eterno, refugos da raça humana.

- Piedade!!!!!!!!!!!!!

- Inocentavam bandidos e condenavam inocentes, queimaram pessoas nas ruas, usaram a política para roubarem o dinheiro do povo, usavam o medo para aumentar o próprio poder, usaram de movimentos sociais para mentir e enganar o povo, usaram de jornais e internet para espalhar mentiras, construíram mansões enquanto milhões viviam em favelas,  racistas de todas as cores. Que se cumpra a justiça Já e por toda eternidade.

http://livrosdeedineysantana.blogspot.com

http://edineysantana.blogspot.com


    

  

quinta-feira, 9 de março de 2017

Martha Medeiros

Ediney Santana
Conheci a literatura de Martha Medeiros depois que um texto seu foi lido no “Primeiro Programa”, o programa ia ao ar todos os dias às 6:00 da manhã pela FM Transamérica. Gostei tanto que fui pesquisar sobre a autora, acabei, não lembro como, encontrando seu e-mail, ou foi do jornal que ela escrevia, não lembro. Escrevi no e-mail o quanto gostava de sua escrita e como vivia em uma cidade do interior sem livrarias, queria trocar um livro meu de poemas “Até que a eternidade nos una” por um livro de poemas dela, aceitou a troca, com não tinha disponível um livro de poemas, me mandou um de crônicas “Topless”, livro que tenho guarda até hoje com muito carinho, essa troca aconteceu há mais de dez anos, muito mais. O livro é carregado de provocações, reflexões, textos curtos e arrebatadores.
As crônicas de Martha Medeiros são plenas de poesia, fina ironia. De algo comum, de uma frase banal, de uma observação do cotidiano ela nos leva para um lugar delicioso: reflexão. Refletir sobre nossa condição e presença na sociedade, sobre o estado de espírito das nossas relações. Martha Medeiros consegue dialogar comigo, ela se coloca em cada linha sem afetação e com inteligência límpida.
Já comprei muito livros dela, um de poemas e os outros de crônicas. Goste de ler seus textos como se estivesse sentado em uma mesa trocando ideias com pessoas inteligentes e sensíveis. Martha Medeiros é o encontro feliz entre inteligência e sensibilidade, seu refinamento é o doce da sua palavra. Consegue dizer coisas difíceis de maneira leve, longe do embotamento acadêmico no qual títulos parecem que têm mais importância que o dizer. Martha Medeiros é ponte, sente prazer em dialogar com seus leitores.
Pelo rádio me chegou à palavra de Martha Medeiros, gosto de me permitir e me deixar seduzir pela sua literatura. Neste momento leio “Feliz por nada”, cada página me leva longe, me traz paz de espírito, me enche de alegria mesmo que o dia seja cinza, mesmo que a coleção de derrotas aumentem a cada dia. Escritoras como Martha Medeiros é ponte e isso para mim é luz.



sábado, 25 de fevereiro de 2017

Olavo de Carvalho e Josef Stalin

Ediney Santana
O país,  além da violência física que nos apavora, agora temos a violência intelectual. Gente que se diz de direita ou esquerda (com alguma exceção) se unem no mesmo canto da intolerância contra qualquer um que seja contraditório ao pensamento deles. Outro fato interessante é como a juventude que se diz de direita parece apenas copiar as ideias de Olavo de Carvalho, a estruturação do pensamento, citações e agressividade são as mesmas. Por outro lado, a tal esquerda não deixa por menos, a diferença é que a trupe da  esquerda tem uma bibliografia mais “rica” para também expressar sua intolerância intelectual.
É impossível manter um diálogo civilizado sobre qualquer assunto com essa gente sem que isso vá para vias de fato intelectualistas. O simplismo intelectual misturado à soberba constroem muros. Não sou de direita ou esquerda, espero que meu país sobreviva a tudo isso, que a geração a florescer na década de 2020 seja criativa, livre intelectualmente, saiba dizer "não sei, não entendo", saiba ser gentil e proativa, não seja soberba, não queria para si autoria da verdade, não seja dogmática e previsível, previsivelmente perigosa.


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Bob Dylan e as verdadeiras mentiras

Ediney Santana
Bob Dylan, U2, Rolling Stones e muitos e muitos outros artistas estrangeiros sabem que no Brasil a plateia e grana são mais que garantidos, nos bons tempos em que se vendia discos, o Brasil era um mercado domesticado pela indústria fonográfica estrangeira e se duvidar, muitos artistas vendiam mais discos por aqui que nos seus países. Nossa imprensa sempre tratou artistas estrangeiros como majestades visitando a eterna colônia e claro, aqui seus súditos (muitos sem falar uma só palavra em inglês) sempre foram féis ao extremo, tanto que muitos olham para a música brasileira com desdém, mas já para a corte “imperialista” são todos amores.
Atenho-me aqui aos artistas estrangeiros que nos seus países têm suas produções artísticas centradas na ideia de que são “inimigos” do sistema, seguram todas as bandeiras políticas e sociais que os transformaram em arautos do novo mundo. E é aqui que algo me chama atenção: se essas pessoas são tão politizadas, tão abertas ao mundo por que elas nunca demonstraram interesse algum pela música e cultura brasileira? No máximo decoram sempre os mesmos nomes para responder a algum reporte que consiga entrevistar vossas divindades.
Não será difícil encontrar por aqui quem festejou o Nobel de Literatura dado a Bob Dylan, ou quem até mesmo dorme em porta de estádio para assistir shows dessas “grandes” bandas que aparecem por aqui, bandas como Guns N' Roses. Honestamente não sei se no país deles eles têm mais público que aqui .É fato: a melhor coisa que o Brasil pode oferecer para essa turma é o dinheiro, nossa música e cultura não interessa.
Não venha me dizer que isso é porque falamos português, essa argumentação é sem sentido e estúpida. O inconformado político no país dele, ao sair se comporta com se comporta qualquer imperialista, nos olhando por cima, alguns até  vestem camisa da seleção brasileira, dizem que gostam de caipirinha e  isso é o suficiente para fazer com os egos dos seus fãs por aqui ejaculem notas desafinadas de uma país que se cospe na cara, mas fica de quatro para qualquer cosias que fale inglês, venha da Europa e principalmente dos Estados Unidos.
Essa chupada gringa não acontece somente na música, acontece na literatura. Vá a uma merda de livraria e tente encontrar um livro de algum poeta brasileiro contemporâneo. Logo na entrada vai ver pilha de livros de autores estrangeiros. Nas universidades, lugares que muitos professores fariam Narciso se sentir o menor ego do universo, toda arrogância intelectual desaba, diante o pensamento estrangeiro, sentem prazer em falar de autores estrangeiros com intimidade que nem as mulheres, por exemplo, de Marx tiveram com ele.
O pobre do aluno se escrever uma resenha, aí dele se não usar como bibliografia os livros indicados pelo mestre da prepotência da produção acadêmica sem serventia alguma para o país, já que nossos doutos vão buscar na Europa ou Estados Unidos (para eles não existe América Latina ou qualquer outro continente, apenas os Estados Unidos e Europa) muletas acadêmicas para sustentarem suas teses, como por exemplo, se nosso feijão com arroz é ou não um prato primitivo. Mostre-me qual “gênio” do pensamento perfeito estrangeiro um dia disse alguma coisa sobre nossos autores?
Para o resto do mundo não pensamos, não produzimos nada que presta e o pior é que se aceita por aqui essa roupa, veste-se e até fazem tese de doutorado sobre ela. Quem levaria a sério um país no qual uma professora com doutorado é questionada por suas colegas o motivo dela ser professora de ensino fundamental? Para essa gente, ter um curso de pós-graduação transforma o possuidor do título em uma casta superior, uma divindade que não deve viver próxima do povo, mas escondida dentro das universidades, e claro, chupando qualquer merda que fique ereta e esteja em inglês, francês ou  alemão.
E nas artes plásticas? Até hoje tem gente com “O Código Da Vinci” de Dan Brown embaixo do braço tentando descobrir prá que caralho a Mona Lisa sorriu. Agora vá você fazer sua exposição, logo aparece os filhotes bastardos de Monteiro Lobato, vão dizer que você é paranoico ou faz arte decorativa.
Na infantaria dessa miséria toda gente super e mega inteligente de esquerda tá lado a lado com gente linda super lindos de direita.  Quando é para foder o Brasil, a canalhice é ambidestra.
Fica claro, mas é melhor explicar. Não sou fechado a cultura do mundo, gosto de muitos dos artistas citados aqui e de literatura estrangeira, mas penso que já passou da hora de nos olharmos com mais respeito, não espero pelo dia em que Bob Dylan diga duas frases em português, mas espero pelo dia em que brasileiros realmente se respeitem mais, respeitem e valorizam nossa cultura, e não somente o que foi selecionado pela  mass media.
Vestir a camisa com a bandeira dos Estados Unidos? É lindo, patriotas. Vestir camisas com as cores de Cuba?  É revolucionário. Vestir uma camisa com as cores do Brasil? Fascista, nacionalista, militaristas. São esses adjetivos que já muita gente tratar quem demonstre amor pelo país, quem sabe a diferença entre Estado, País e Nação. Sou critico dos nossos problemas, mas também sou proativo, ofereço o meu melhor, para que o país chegue ao melhor, se sei do erro, tenho o dever de propor soluções e principalmente não me calar diante os problemas ou me tornar militante virtual enquanto a realidade é perversa com todos.
Antes que o mundo nos respeite, digo novamente, o povo desse país deve respeita a si mesmo, deve valorizar o que tem de melhor, deve expurga a canalha que há anos vermina neste país. Respeito vem de dentro e não de fora.


 


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Crying

Ediney Santana
A canção “Crying” de Don Mclean me faz ir longe, buscar terras distantes, mas também me deixa saudossita, me leva para o reencontro dos que se foram, de lugares distantes perdidos nas minhas lembranças. Vivemos pouco é verdade, mas as somas de nossas lembranças são infinitas, estão em muitos lugares desses tantos passados e presentes. Ouvindo “Crying” me vem lágrimas nos olhos, me recolho, me permito todo amor as pessoas que marcaram minha vida, revisito os lugares importantes de tantas histórias vividas, abraço velhos e queridos amigos , vamos juntos pela aventura de viver.
Espero que um dia a ciência da computação e medicina se unam e criem um aparelho que ligado ao nosso cérebro possa recuperar todas nossas lembranças e projeta-las em um computador. Imagine você reencontrar seus antequeridos que se foram há tantos anos, mostrá-los as novas gerações da sua família? Rever amigos, momentos mágicos? Tudo ali passando na tela do computador, imagens que você não lembrava mais, tudo podendo ser visto, revisto, gravado.
Se meu desejo a cima for um dia possível, a história será posta de cabeça para baixo, crimes poderão facilmente ser resolvidos, as imagens da verdade ou mentira estarão todas nas mentes das pessoas e poderão ser acessadas. Mas o que me interessa mesmo são os momentos mágicos, o encontro com as coisas boas que tive, rever meus queridos avós, meu pai, tios e tias que não tenho fotos, lembrar de nossos encontros, rever amigos, lugares. Espero que em algum lugar do futuro isso seja possível, espero que não demore muito. 
Por enquanto, para você meu amigo, minha amiga em qualquer do presente ou passado, tenha certeza que nesta tarde lembrei-me de você.




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dona Marisa Letícia e Teori Zavascki

Ediney Santana
As mortes de Dona Marisa Letícia (esposa do ex-presidente Lula) e do ministro Teori Zavascki revelaram de maneira contundente como nosso país mergulhou no desrespeito pela vida e é refém das mais despóticas personalidades. Assim que divulgaram a morte do ministro Teori a internet foi tomada por inúmeras teorias conspiratórias, pessoas que nada e absolutamente nada entendem sobre aviação alardearam que foi um atentado e para piorar, antes mesmo do corpo do ministro ser enterrado, abutres dos três poderes já articulavam quem deveria assumir seu lugar. Muitas das condolências vindas dos três poderes da república foram apenas jogo de cena. Quem não lembra que antes mesmo do corpo do ministro ser retirado dos destroços do avião as redes sociais foram tomadas de mensagem de apoio ao juiz Sérgio Moro para que ele ocupasse o lugar de Teori?
Quando Dona Marisa Letícia deu entrada, em estado grave, no hospital, logo após sofrer um AVC, as redes sociais foram tomadas mais uma vez por manifestações que desejavam a morte da ex- primeira dama, pessoas chegaram a fazer protestos na porta do hospital atacando Dona Marisa Letícia e seus familiares, sub-jornalistas gravaram vídeos raivosos festejando a doença da ex- primeira dama, alguns desses abutres acusaram o ex-presidente Lula como responsável pela doença da mulher.
Nesses dois casos há um traço comum que os ligam: a intolerância pela vida. Para muitas pessoas só merecem respeito ou consideração quem faz parte do meio delas, quem for parte da mesma confraria, a vida de uma pessoa é quantificada a partir do que ela representa para determinado meio social. Acontece que essa doença do desprezo à vida mostra para todos nós o quanto estamos apodrecendo, o quanto à sociedade brasileira é um amontoado de gente desgraçada, gente que pensa e se acredita superior a outras pessoas, seja moralmente ou eticamente e não percebem que não há tragédia maior que festejar desgraças alheias como se elas mesmas (essas pessoas) não estivessem submetidas às mesmas leis naturais ou contingências da vida.
Esquecem-se que a causa da morte de D. Letícia e do Teori são traços da própria vida e pode acontecer com qualquer pessoa, esquecem-se que compaixão e solidariedade são sentimentos que devem nos unir, independente do que uma pessoa seja ou represente ela faz parte do mesmo gênero que nós: humano, esquecem-se que justiça não é o mesmo que vingança.
O Brasil se transformou em um país de justiceiros, o que menos interessa para essa gente é justiça, carregam no coração o ódio, não por acaso seguem gente que destila ódio, incapazes de uma palavra de conforto. Gente que odeia, que  é a favor da morte e nunca da vida, gente que destila ódio não sabe o que é justiça e o pior de tudo: todos os setores da nossa sociedade foram tomados por esses loucos e loucas.
Tudo isso não acontece só no Brasil, tudo isso podemos observar em outros países, mas é uma pena que o nosso país caminhe para uma república do ódio, da covardia, da manipulação e principalmente para ser hoje e sempre governado por canalhas e seus seguidores que festejam sobre cadáveres a dor de tantas pessoas.



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