quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Bob Dylan e as verdadeiras mentiras

Ediney Santana
Bob Dylan, U2, Rolling Stones e muitos e muitos outros artistas estrangeiros sabem que no Brasil a plateia e grana são mais que garantidos, nos bons tempos em que se vendia discos, o Brasil era um mercado domesticado pela indústria fonográfica estrangeira e se duvidar, muitos artistas vendiam mais discos por aqui que nos seus países. Nossa imprensa sempre tratou artistas estrangeiros como majestades visitando a eterna colônia e claro, aqui seus súditos (muitos sem falar uma só palavra em inglês) sempre foram féis ao extremo, tanto que muitos olham para a música brasileira com desdém, mas já para a corte “imperialista” são todos amores.
Atenho-me aqui aos artistas estrangeiros que nos seus países têm suas produções artísticas centradas na ideia de que são “inimigos” do sistema, seguram todas as bandeiras políticas e sociais que os transformaram em arautos do novo mundo. E é aqui que algo me chama atenção: se essas pessoas são tão politizadas, tão abertas ao mundo por que elas nunca demonstraram interesse algum pela música e cultura brasileira? No máximo decoram sempre os mesmos nomes para responder a algum reporte que consiga entrevistar vossas divindades.
Não será difícil encontrar por aqui quem festejou o Nobel de Literatura dado a Bob Dylan, ou quem até mesmo dorme em porta de estádio para assistir shows dessas “grandes” bandas que aparecem por aqui, bandas como Guns N' Roses. Honestamente não sei se no país deles eles têm mais público que aqui .É fato: a melhor coisa que o Brasil pode oferecer para essa turma é o dinheiro, nossa música e cultura não interessa.
Não venha me dizer que isso é porque falamos português, essa argumentação é sem sentido e estúpida. O inconformado político no país dele, ao sair se comporta com se comporta qualquer imperialista, nos olhando por cima, alguns até  vestem camisa da seleção brasileira, dizem que gostam de caipirinha e  isso é o suficiente para fazer com os egos dos seus fãs por aqui ejaculem notas desafinadas de uma país que se cospe na cara, mas fica de quatro para qualquer cosias que fale inglês, venha da Europa e principalmente dos Estados Unidos.
Essa chupada gringa não acontece somente na música, acontece na literatura. Vá a uma merda de livraria e tente encontrar um livro de algum poeta brasileiro contemporâneo. Logo na entrada vai ver pilha de livros de autores estrangeiros. Nas universidades, lugares que muitos professores fariam Narciso se sentir o menor ego do universo, toda arrogância intelectual desaba, diante o pensamento estrangeiro, sentem prazer em falar de autores estrangeiros com intimidade que nem as mulheres, por exemplo, de Marx tiveram com ele.
O pobre do aluno se escrever uma resenha, aí dele se não usar como bibliografia os livros indicados pelo mestre da prepotência da produção acadêmica sem serventia alguma para o país, já que nossos doutos vão buscar na Europa ou Estados Unidos (para eles não existe América Latina ou qualquer outro continente, apenas os Estados Unidos e Europa) muletas acadêmicas para sustentarem suas teses, como por exemplo, se nosso feijão com arroz é ou não um prato primitivo. Mostre-me qual “gênio” do pensamento perfeito estrangeiro um dia disse alguma coisa sobre nossos autores?
Para o resto do mundo não pensamos, não produzimos nada que presta e o pior é que se aceita por aqui essa roupa, veste-se e até fazem tese de doutorado sobre ela. Quem levaria a sério um país no qual uma professora com doutorado é questionada por suas colegas o motivo dela ser professora de ensino fundamental? Para essa gente, ter um curso de pós-graduação transforma o possuidor do título em uma casta superior, uma divindade que não deve viver próxima do povo, mas escondida dentro das universidades, e claro, chupando qualquer merda que fique ereta e esteja em inglês, francês ou  alemão.
E nas artes plásticas? Até hoje tem gente com “O Código Da Vinci” de Dan Brown embaixo do braço tentando descobrir prá que caralho a Mona Lisa sorriu. Agora vá você fazer sua exposição, logo aparece os filhotes bastardos de Monteiro Lobato, vão dizer que você é paranoico ou faz arte decorativa.
Na infantaria dessa miséria toda gente super e mega inteligente de esquerda tá lado a lado com gente linda super lindos de direita.  Quando é para foder o Brasil, a canalhice é ambidestra.
Fica claro, mas é melhor explicar. Não sou fechado a cultura do mundo, gosto de muitos dos artistas citados aqui e de literatura estrangeira, mas penso que já passou da hora de nos olharmos com mais respeito, não espero pelo dia em que Bob Dylan diga duas frases em português, mas espero pelo dia em que brasileiros realmente se respeitem mais, respeitem e valorizam nossa cultura, e não somente o que foi selecionado pela  mass media.
Vestir a camisa com a bandeira dos Estados Unidos? É lindo, patriotas. Vestir camisas com as cores de Cuba?  É revolucionário. Vestir uma camisa com as cores do Brasil? Fascista, nacionalista, militaristas. São esses adjetivos que já muita gente tratar quem demonstre amor pelo país, quem sabe a diferença entre Estado, País e Nação. Sou critico dos nossos problemas, mas também sou proativo, ofereço o meu melhor, para que o país chegue ao melhor, se sei do erro, tenho o dever de propor soluções e principalmente não me calar diante os problemas ou me tornar militante virtual enquanto a realidade é perversa com todos.
Antes que o mundo nos respeite, digo novamente, o povo desse país deve respeita a si mesmo, deve valorizar o que tem de melhor, deve expurga a canalha que há anos vermina neste país. Respeito vem de dentro e não de fora.


 


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Crying

A canção “Crying” de Don Mclean me faz ir longe, buscar terras distantes, mas também me deixa saudossita, me leva para o reencontro dos que se foram, de lugares distantes perdidos nas minhas lembranças. Vivemos pouco é verdade, mas as somas de nossas lembranças são infinitas, estão em muitos lugares desses tantos passados e presentes. Ouvindo “Crying” me vem lágrimas nos olhos, me recolho, me permito todo amor as pessoas que marcaram minha vida, revisito os lugares importantes de tantas histórias vividas, abraço velhos e queridos amigos , vamos juntos pela aventura de viver.
Espero que um dia a ciência da computação e medicina se unam e criem um aparelho que ligado ao nosso cérebro possa recuperar todas nossas lembranças e projeta-las em um computador. Imagine você reencontrar seus antequeridos que se foram há tantos anos, mostrá-los as novas gerações da sua família? Rever amigos, momentos mágicos? Tudo ali passando na tela do computador, imagens que você não lembrava mais, tudo podendo ser visto, revisto, gravado.
Se meu desejo a cima for um dia possível, a história será posta de cabeça para baixo, crimes poderão facilmente ser resolvidos, as imagens da verdade ou mentira estarão todas nas mentes das pessoas e poderão ser acessadas. Mas o que me interessa mesmo são os momentos mágicos, o encontro com as coisas boas que tive, rever meus queridos avós, meu pai, tios e tias que não tenho fotos, lembrar de nossos encontros, rever amigos, lugares. Espero que em algum lugar do futuro isso seja possível, espero que não demore muito. 
Por enquanto, para você meu amigo, minha amiga em qualquer do presente ou passado, tenha certeza que nesta tarde lembrei-me de você.




quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Dona Marisa Letícia e Teori Zavascki

As mortes de Dona Marisa Letícia (esposa do ex-presidente Lula) e do ministro Teori Zavascki revelaram de maneira contundente como nosso país mergulhou no desrespeito pela vida e é refém das mais despóticas personalidades. Assim que divulgaram a morte do ministro Teori a internet foi tomada por inúmeras teorias conspiratórias, pessoas que nada e absolutamente nada entendem sobre aviação alardearam que foi um atentado e para piorar, antes mesmo do corpo do ministro ser enterrado, abutres dos três poderes já articulavam quem deveria assumir seu lugar. Muitas das condolências vindas dos três poderes da república foram apenas jogo de cena. Quem não lembra que antes mesmo do corpo do ministro ser retirado dos destroços do avião as redes sociais foram tomadas de mensagem de apoio ao juiz Sérgio Moro para que ele ocupasse o lugar de Teori?
Quando Dona Marisa Letícia deu entrada, em estado grave, no hospital, logo após sofrer um AVC, as redes sociais foram tomadas mais uma vez por manifestações que desejavam a morte da ex- primeira dama, pessoas chegaram a fazer protestos na porta do hospital atacando Dona Marisa Letícia e seus familiares, sub-jornalistas gravaram vídeos raivosos festejando a doença da ex- primeira dama, alguns desses abutres acusaram o ex-presidente Lula como responsável pela doença da mulher.
Nesses dois casos há um traço comum que os ligam: a intolerância pela vida. Para muitas pessoas só merecem respeito ou consideração quem faz parte do meio delas, quem for parte da mesma confraria, a vida de uma pessoa é quantificada a partir do que ela representa para determinado meio social. Acontece que essa doença do desprezo à vida mostra para todos nós o quanto estamos apodrecendo, o quanto à sociedade brasileira é um amontoado de gente desgraçada, gente que pensa e se acredita superior a outras pessoas, seja moralmente ou eticamente e não percebem que não há tragédia maior que festejar desgraças alheias como se elas mesmas (essas pessoas) não estivessem submetidas às mesmas leis naturais ou contingências da vida.
Esquecem-se que a causa da morte de D. Letícia e do Teori são traços da própria vida e pode acontecer com qualquer pessoa, esquecem-se que compaixão e solidariedade são sentimentos que devem nos unir, independente do que uma pessoa seja ou represente ela faz parte do mesmo gênero que nós: humano, esquecem-se que justiça não é o mesmo que vingança.
O Brasil se transformou em um país de justiceiros, o que menos interessa para essa gente é justiça, carregam no coração o ódio, não por acaso seguem gente que destila ódio, incapazes de uma palavra de conforto. Gente que odeia, que  é a favor da morte e nunca da vida, gente que destila ódio não sabe o que é justiça e o pior de tudo: todos os setores da nossa sociedade foram tomados por esses loucos e loucas.
Tudo isso não acontece só no Brasil, tudo isso podemos observar em outros países, mas é uma pena que o nosso país caminhe para uma república do ódio, da covardia, da manipulação e principalmente para ser hoje e sempre governado por canalhas e seus seguidores que festejam sobre cadáveres a dor de tantas pessoas.



segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Somos todos Americanos

Quantas vezes você ao ligar a TV escuta o nome “Estados Unidos”? Para a imprensa brasileira o continente americano é formado apenas pelos Estados Unidos, e o Brasil tão somente a síntese do fracasso, para essa mesma imprensa, o mundo é tão somente Estados Unidos e o que ela chama genericamente de “Europa”. A imprensa brasileira é obcecada pelos Estados Unidos. Vivemos ao sul do continente, mas quase nada sabemos dos nossos vizinhos, ou o que sabemos é apresentado de maneira estereotipada, o Paraguai?  É lugar de contrabandistas, a Colômbia? Terra de traficantes. É assim que nossa imprensa trata nossos vizinhos, o mesmo tratamento é dado ao continente africano.
Pense bem, quando você ouve a palavra “África”, o que vem a sua cabeça? Vêm as imagens distorcidas que a imprensa brasileira de maneira nefasta e cretina povoou nosso imaginário. E quando você escuta “Estados Unidos”? Para imprensa brasileira o sul da América é um lixo e os Estados Unidos é o paraíso, um lugar cheio de gênios e tudo que esses gênios criam servem como modelos para nós. Mesmo cercados de países que falam espanhol é como se realmente estivéssemos sozinhos aqui, no Pelourinho já vi cidadãos peruanos, bolivianos sendo tratados com xenofobia, enquanto cidadãos dos Estados Unidos ou da França eram tratados como se fossem deuses na terra. Isso acontece pelo processo de manipulação racial e geográfico comandado pela imprensa. O modelo são os filmes hollywoodianos, nós? Somos feios, não por acaso que milhões de pessoas ariscam suas vidas colocando tinturas nos cabelos para ficarem loiras.
Não tenho nada contra a cultura dos Estados Unidos e nem seu povo, esse texto não é um texto contra país algum, esse texto é contra a visão distorcida de mundo que a imprensa insiste em nos impor. Gosto de muitos artistas e políticos dos Estados Unidos, o que desejo é que a América seja apresentada como realmente é e não apenas um recorte feito por um bando de gente sem compromisso algum com o tempo real de vida.
Ontem o Fantástico, programa de Rede Globo, fez uma matéria sobre mentiras da internet, foi jocoso o tom dramático dos jornalistas globais, logo a Globo, uma empresa sentado sobre obscuros padrões jornalísticos falar em notícias falsas? A imprensa brasileira é especialista manipulação, ocultação de fatos para beneficiar um ou outro segmento da sociedade. Quer um exemplo? Durante mais de um ano a imprensa centrou esforços em revelar os podres do PT, mas agora na era PMDB com tantos crimes, operações policiais tendo como centro o PMDB, a imprensa quase não cita o nome do presidente Temer, é como se os crimes cometidos por políticos ou militantes do PMDB fossem crimes isolados,enquanto os crimes do PT são tratados com crimes de partido.
O que eu queria era saber quem são os poetas contemporâneos da América Latina, quem são os belchiors, os gonzagas, as tarcilas, quem são os cientistas que dedicam suas vidas a ciência nas universidades da América Latina e seus bons políticos. Quero saber das cores e beleza de todo continente. Desejo saber dos outros países e a importância de cada um para todos os setores sociais. Nem o Brasil essa infame imprensa mostra como é quanto mais outros países, a imprensa nos leva a crer que nada aqui presta, que todos os políticos são bandidos, reforça a xenofobia e racismo. Estou exagerando? Pois bem, o que não falta no país são programas de entrevistas, quantos negros são apresentadores de TV? Quantos negros apresentam telejornais? Escrevem para jornais? São entrevistados? Por que todos que trabalham na TV brasileira têm sotaque carioca ou paulista? Mesmo que não sejam do Rio de Janeiro ou de São Paulo? Quantos articulistas de economia, cinema, de cultura, de moda ou de política são negros? A saia é justa mesmo para mulheres e homens negros que não passam nem na porta dessas empresas quanto mais para trabalharem como âncora ou simplesmente ser entrevistadas.
A imprensa brasileira é sim manipuladora, seja ela de direita ou esquerda, todas mentem e manipulam fatos, todas criam padrões de pensar, de consumo e infelizmente a internet vem sendo usada dessa mesma maneira. São inúmeros canais religiosos, políticos ou culturais e quase todos são usados para manipulação dos fatos, para servir a corporações. É preciso ficar atento, buscar fontes seguras, conferir e chegar informações, saber que o mundo não é necessariamente o que a TV ou canais de internet mostram, o mundo é muito maior, não precisamos de muros, sejam concretos ou ideológicos, somos todos americanos, somos todos humanos.
 http://edineysantana.zip.net                  


sábado, 21 de janeiro de 2017

Sou grato

Sou grato ao povo trabalhador deste país que financiou meus estudos. Enquanto estava apenas estudando na universidade, milhões de brasileiros honestos e descentes trabalhavam, pagam impostos para financiar meus estudos, sou grato a todos os aposentados, trabalharam duro, contribuíram para previdência social para que um dia eu também some meus anos de trabalho aos deles e me aposente. Não confundo Brasil, país e nação, com o Brasil Estado tomado de assalto por criminosos, mas também sou grato aos bons políticos que temos, que lutaram para preservação de direitos, que criam leis que deram a milhões de brasileiros direitos civis, que lutam todos os dias para fazer dessa nação uma nação melhor. Não a nada de errado em agradecer aos bons políticos, eles foram eleitos por bons brasileiros que eu nem sei quem são, bons brasileiros escolhem bons políticos.
Sou grato aos milhares de artistas – educadores populares que sem apoio governamental algum educa e cuida de tantas pessoas, sou grato aos artistas que não vivem a sombra do dinheiro público e mesmo assim produzem artes, preservam nosso patrimônio cultural e nos faz acreditar sempre neste país.
Sou grato aos bravos médicos que atuam em postos de saúde e hospitais públicos, muitas das vezes fazem milagres para salvar vidas, mesmo em condições  ruins de trabalham não abandonam a vanguarda pela vida. Sou grato aos bons polícias pela dignidade com que exercem uma das profissões mais difíceis que se tem notícia, sou grato aos grupos evangélicos, católicos, espíritas e todos os grupos religiosos que pela madrugada enfrentam frio e violência para levarem comida, cobertores ou uma palavra amiga aos moradores de rua, aos que não tem mais nada.
Sou grato os bons brasileiros, honestos, não sonegadores de impostos, não racistas, separatistas, xenófobos que nos enchem de orgulho em atos heroicos anônimos. Sou grato aos garis e suas batalhas diárias das quais dependem nossa saúde, sou grato os bons comerciantes que cobram preços justos e não mentem ou enganam seus clientes.
Somos um país com muitos problemas, muitos desses problemas nascem da política, do voto errado e principalmente do voto insistentemente errado, nascem do desprezo que parte da classe média tem por nossa gente e nossa cultura, pelo ódio que uma região do país sente por outra, pela divisão do povo na seara dos estúpidos. Se quisermos um Brasil melhor agora, é agora que devemos avançar, não podemos mais aceitar planejamentos em longo prazo, queremos agora a reformulação de leis, reforma tributária, judiciária, administrativa e política tudo isso com intensa participação popular. Todas essas reformas se pressionarmos o Estado pode ser feita em um prazo de dois anos, não podemos permitir que teocratas, burocratas, corações ciciados no poder e essa classe política mesquinha ditem as regras para nossas vidas, não podemos permitir que o Estado regulamente nossas decisões individuais, mas podemos cobrar que o Estado seja Estado e não esse ajuntamento canalha de ideologias parasitas.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Franciele Fernanda

Uma cantora de catorze anos chamada Franciele Fernanda participou do programa The Voice Kids, não foi apenas uma participação, foi a revelação de uma presença, Franciele é cantora. Da sua voz poderosa ecoou uma versão roqueira de “Maria Maria”, é como se durante todos esses anos a canção- hino dos mais que únicos Milton Nascimento e Fernando Brant, tivesse esperado por uma voz feminina que fizesse seus versos sangram seus múltiplos sentidos. Nem só de uma bela voz se faz uma cantora ou cantor, é preciso emoção, sentir o que se canta, longe do cantar mecânico bons cantores e cantoras cantam a alma, sentem cada verso das canções, são atores na interpretação de um roteiro no qual a emoção é o autor.
Depois de sua apresentação no The Voice Kids Franciele Fernanda foi vítima de ataques racistas na internet, fez o que deve fazer qualquer pessoa que se sinta ameaçado ou vítima de preconceito, deu queixa na polícia. A intolerância religiosa, xenofobia, racismo e outras formas de preconceito estão lentamente ocupando espaços no Brasil, as redes sociais e outras plataformas virtuais tornam-se redutos para expressão criminosa de covardes. As penas para esses crimes virtuais são brandas, o crime no Brasil compensa e compensa porque com louvadas exceções os legisladores são criminosos eleitos ou por seus pares ou por irresponsáveis sem compromisso algum com o país.
O Estado brasileiro é uma fábrica de criminosos, seja pela ausência de políticas educacionais e culturais reais ou amparo a infância e adolescência ou ainda pela proteção aos bandidos classe média que dos seus apartamentos usam computadores para cometer crimes.
Franciele não pode se deixar abater por racistas ou xenófobos, deve continuar seu caminho, fazer valer sua paixão musical, saber que ainda há um longo percurso até a utopia que ela deseja. Além do canto, não deve nunca e em hipóteses alguma negligenciar os estudos, se dedicar ao máximo mesmo, porque a única maneira de pessoas como nós, que temos na pele essa marca e a estranha mania de ter fé na vida chegarmos a algum lugar é pelo estudo. Não terão compaixão de nós, é preciso escrever cada linha da história de nossas vidas com o suor do nosso rosto, temperar esse suor com o estudo.
Franciele no palco me lembrou outra cantora, Cássia Eller, presença marcante, voz visceral e uma incrível capacidade de recriar canções, assim espero que Franciele continue. Quem destoar do criminoso padrão social imposto pela TV, pela moda, pela religião e tantos outros seguimentos, deve se preparar pelo que vêm pela frente, os iguais guiados pelo crime da elitização social não perdoam quando as marias deixam as cozinhas e se tornam não patroas, mas senhoras de suas vidas, donas de seus destinos, quando sabem-se lindas e profundamente lindas.



  
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