Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Amor discursivo não é amor


Não sei se você conhece Santo Amaro, Santo Amaro é a terra dos barrões de açúcar, de geniais artistas como Maria Bethânia e seu mano Caê. E de muita gente que prefere viver no seu passado de “glória” a fazer do presente uma nova história.
A poeira dourada do passado ainda faz brilhar os olhos dos abutres do presente!!!!!!!!!!
Santo Amaro também é a terra de outras personalidades, mas o que intriga em Santo Amaro são as juras de amor que seus filhos ilustres ou não, conhecidos ou não fazem por sua amada Santo Amaro.
Poucas cidades recebem tantas juras de amor com Santo Amaro. Essa cidade morena de gente faceira as margens da Baía de todos os Santos é tratada com tanto dengo, tanto amor que me comove.

Comove-me porque é um amor falso que não passa de discurso para a vaidade narcisista se masturbar com a própria decadência da cidade.

Vou fazer um movimento “Ame Santo Amaro com ação e não discursos”. O amor pasteurizado descartado e discursivo dos filhos da pobre Santo Amaro está matando a cidade.
Um apego ao passado que nada nos dias de hoje nos diz, uma vaidade sintética e vazia de qualquer estética.
Preservar a história em seus bons e maus momentos é necessário para nunca esquecermos o que somos, mas viver sobre glórias passadas e negar o tempo de hoje é matar a própria história a qual não pode ser reeditada.
A pobre senhora Purificação não aguenta mais as mesmas ladainhas que Santo Amaro foi a terra dê? Filhos de... nasceram aqui...Gritos chatos e lamuriantes de um passado que definitivamente se orgulha de assassinar o nosso presente.
Dane-se as atas serviçais, dane-se os barrões escravocratas e os negros capitães do mato, Dane-se a tradição capitã do mato.
TETIRUÃ
Xê aê Jesus Cristo, Buda e Omolu,
Xê aê surdos que encontrei pelo caminho.
Xê aê povos do meu coração, inquieto como andorinhas
Bêbadas de um verão delinquente.
Xê aê amor perdido nas
esquinas do tempo.
Xe aê pequeninos abandonados nas avenidas
de um país suburbano.
Xe aê vida-morte
Beijo secreto de um amor aflito.
Xe aê chuva, sol, noite-dia,
terra que afaga e enterra, gritos de mim silenciados.
Xe aê paz, São Jorge e Iemanjá, Tupã meu senhor
de todas as guerras.


Dane-se esse amor falso e discursivo, sem conectividade alguma com a realidade ou compromisso com essa gente morena que sobreviveu a tradição burguesa e mesquinha.
Quero o amor real, o amor da mãe faminta pelo seu filho desnutrido, o amor dos bêbados do mercado pelas folhas quentes curtidas sobre o sol entristecido do recôncavo.
Quero ouvir frases de amor sinceras vindas da boca do meu povo que não ganha medalhas de comendador de câmara de vereadores fantasmas o qual fecha os olhos a dor dos que morrem sem médicos na Santa Casa.

Escreveu um Ediney do passado,

“Santo Amaro é o melhor lugar do mundo para quem não tem compromisso algum com o futuro”
Frase de Franklin Romão em seu “Quando o açúcar era doce”
É nosso compromisso transformar hoje Santo Amaro no melhor lugar do presente.
Quero o amor sincero dos pais que temem pelo futuro de seus filhos, filhos de chão duro do massapé, dessa gente que vive de catar goiaba.
O amor que Santo Amaro quer e merece não é o amor institucionalizado, raquítico e covarde que fecha os olhos para o permanente risco social no qual tanta gente vive e enfrenta no dia dia.
Amor e amor verdadeiro, amor bêbado ciumento, amor de mãe nas madrugadas a sair às ruas em busca da filha perdida, mãe que nunca perde a esperança. Que questiona. Digo não ao amor televisivo, ao amor teatro das festas oficiais, ao amor documentário sorriso de plástico da TV cultura.
Quem ama essa cidade vive pelas suas ruas, vive suas ruas, dores e alegrias. Quem vive aqui é preocupado, cismado com tanta gente ruim dizendo amá-la. Santo Amaro nasceu estuprada na mortalha de duas raças que por aqui deixaram seus sonhos.
Cabe a todos nós nunca deixarmos esses sonhos pararem em si mesmos ou na vulgaridade de um tempo o qual não nos reconhecemos.
PS- A foto que ilustra esse artigo é do grupo cultural Nêgo Fugido, uma bela manifestação do povo santoamarense
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Domingo, 12 de Julho de 2009

Mais uma vez, obrigado!


A solidariedade de uma pessoa para outra independente do que é ou represente essa pessoa ao menos para mim é a única possibilidade de amor sincero.
Um dia por insistência de minha mãe e provocação do amigo Del prestei vestibular para Letras no Campus Avançado da UFES/Santo Amaro. Fui aprovado e entrei naquele mundo estranho e distante até então para mim.
Lá encontrei uma pessoa que faria a diferença em minha vida, essa pessoa foi o professor Anchieta Nery.
Durante quase todo o curso o professor Anchieta lecionou Literatura Brasileira, ao contrário dos outros professores Anchieta Nery não queria formar acadêmicos, queria nos tornar professores, nos preparava para a dura realidade que iramos encontrar na sala de aula.
Um dia ao chegar ao Campus ele pediu alguns versos meus para futura publicação de um livro, dois anos depois saiu o “Até que eternidade nos una”. Naquele dia o professor Anchieta sem saber me ofereceu uma grande prova de amizade: a confiança.
Sem confiança pouco podemos, pouco fazemos. É a confiança a base para que nossos sonhos sejam plantados e novos caminhos percorridos.
Nunca fui bem aceito no meio literário da Bahia, para falar a verdade sou de certa maneira ignorado, mas aprendi nas aulas do professor Anchieta Nery que o marginal de uma geração pode ser o clássico em outra, o excluído em um momento pode ser referencia em outro. Não que me conforme com as coisas ou com a vida que tenho não é isso... Mas...
Ao professor Anchieta Nery minha sincera alegria por ter um dia cruzado minha vida com a dele e ter aprendido a maior lição que um professor pode passar a um aluno: não perder nunca o entusiasmo e o encanto com e para o mundo.
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Sábado, 11 de Julho de 2009

A construção da solidão


Brasília é uma cidade construída para o isolamento e a solidão, tudo nela celebra o distanciamento, como se fosse ela toda uma ilha na qual cada um é seu Estado e país. Seu paisagismo parece surgir de um emaranhado de cimento e concreto armado. Longas avenidas que parecem desafiar o horizonte e não nos levarmos a lugar algum, uma cidade sem esquinas, sem gente pelas ruas.
Brasília foi pensada para que qualquer um nela se sinta menor, intimidado diante uma cidade que sugere dominação, poder e autoridade. Tudo isso porque é um lugar no qual o poder e autoridade se impõem através da grandiosidade de sua arquitetura.
Tudo nela é simbólico, mas nada se compara ao seu Plano Piloto. Magistral construção desenhada pelo arquiteto Lúcio Costa, sobre a supervisão de Oscar Niemeyer, o chefe do departamento de urbanística e arquitetura, responsável para desenhar e planejar a cidade.
A ideia de se construir uma capital no centro do país foi sugerida pela primeira vez em 1716 pelo Marques de Pombal, mas foi José Bonifácio que em 1821 colocou o assunto novamente em pauta e sugeriu o nome de Brasília para a nova capital do país, finalmente construída por Juscelino Kubitschek e inaugurada em 21 de abril de 1960.
Um povo foi essencial para a construção da cidade: os ” Candangos” ou seja migrantes nordestino que aceitaram a empreitada de se embrenharem no meio do nada para trabalharem na obra. Muitos foram os que morreram por lá, depois da construção os “Candangos” foram morar nas chamadas cidades satélites, hoje os que não prosperaram, esquecidos vivem em meio a violência e miséria.
Certamente os poetas concretos adoraram a poesia de Brasília,sua beleza espacial, seu conjunto de palácios, o desafio que foi construi-la, o seu povo que representa todo o país. Brasília é uma cidade cosmopolita. Sem dúvida é um belo momento do poder político, força e criatividade de um povo.
Ps-A foto que ilustra esse artigo é da Biblioteca Nacional Leonel de Moura Brizola, fica em Brasília
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Eu faço minha história


A simples ideia de ser refém ou depender de alguém para escrever minha própria história me apavora.
Isso seria para mim o mesmo que não viver. Reconheço-me como autor do que sou e sem isso pouco mais que uma sombra seria de mim mesmo.
Não falo aqui da vida em comum com outras pessoas ou das ralações interpessoais, essas vivencias são essenciais na construção individual de cada um e ir contra isso seria estupidez.
Não consigo esconder minhas emoções, se amo, amo profundamente, se odeio trato com indiferente a coisa odiada, tudo odiado por mim transformo em coisa, porque já não me diz mais nada.
Ter metas traçadas para minha vida nas mãos de outra pessoa a qual como um deus decidiria o meu destino, seria insuportável e o suicídio seria uma saída honrosa se não conseguisse ser meu senhor absoluto.
Não tenho talento para viver personagens, minha “instabilidade” emocional não me deixa mentir por muito tempo, logo lá estou eu nu e solitário como um rei desmentido por uma criança.
Eu faço a minha história e sem isso não há condição de vida, vou lento, irregular por linha reta, voraz em contradições, mas vou. No final o que chegar de mim sou eu, mesmo em farrapos... Sou eu.
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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Nossas Línguas Brasileiras


A língua portuguesa não simboliza apenas a força do antigo império lusitano pelo mundo. Não, com ela herdamos todo um legado cultual de um povo que juntamente com a cultura de outros povos ajudaram a formar nossa pluralidade cultural.
O antigo povo português chegando aqui não demorou a se misturar com os índios e iniciaram o que viria a ser um dia nós brasileiros, a língua portuguesa também logo foi influenciada pelos idiomas indígenas falados aqui.
Nenhuma língua pode ser amordaçada por decretos ou classe social. A língua é um organismo vivo (ver o lingüista Saussure) e como tal vai-se modificando de geração em geração e cada geração marca em seu tempo seus falares e deixa suas contribuições para própria língua.
Sempre acho graça quando ouço alguém falar que “português é difícil”. Não é,nenhuma língua é difícil, os códigos de qualquer língua quando são sistematizados pela gramática normativa é o que pode torna-la distante e fria dos seus próprios falantes maternos. Aprendemos a nossa língua vernácula mesmo antes de irmos para a escola, é bom sempre lembrarmos disso.
Cientificamente nenhuma língua é mais importante que outra. O determinante para que o inglês seja uma língua de alcance mundial não é um determinante intelectual e sim de poder, paises hegemônicos impõe sua cultura sobre os outros e a língua é uma arma importante para se concretizar a dominação da cultura de um povo ou para o seu extermínio, os portugueses fizeram isso com os índios.
Fica então combinado que é possível filosofar em Grego, Alemão ou esperanto...
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Sábado, 4 de Julho de 2009

Amigo é coisa...


O camarada ao meu lado na foto é o Cosme. Durante muitos anos quando era vendedor ambulante e trabalhava na banquinha azul que está aí na foto tive com Cosme uma amizade sincera e solidaria.
A foto foi tirada quando eu tinha apenas quinze anos de idade, em 1989. Trabalhava duro, não importava se fosse dias de chuva ou sol, Cosme vendia baianinha, ou seja, suco de frutas em garrafas plásticas.
Às vezes passávamos o dia todo no ponto de ônibus da Praça 14 de junho, o dinheiro dava para no final da tarde comprar duas “varas” de pão na padaria São Raimundo do Sinibú. Cosme era um sujeito sensível e educado. Há poucos dias soube que ele perdeu seu irmão gêmeo Damião em um trágico acidente de carro, o que lamentei profundamente.
Desde 1991 quando deixei de vender na praça nunca mais vi o Cosme, espero que esteja bem. Neste dia no qual a foto foi tirada minha mãe estava ao lado, não quis pousar conosco, ficara envergada por não estar de roupa nova.
Cuide bem dos seus amigos, mesmo que nunca mais os veja,guarde-os em um lugar especial em teu coração.
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Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Masturbação


Nada melhor que trepar em dias de chuva, no quintal ao ar livre ,chupar um corpo bem gostoso
Sexo é perversão, anti-romantismo, é carne, língua em qualquer canto do corpo. Imoral por natureza sexo que é sexo não reconhece moralidades nem regras, sexo é negação sentimental.
Deitar em uma cama com alguém delicioso, feito café da manhã que se desperta nas madrugadas.
Trepar à tarde como cadelas no calçadão é uma delicia . Sexo é sangue , noite que nunca termina, vicio que liberta.
Sexo sozinho pensando em quem não se tem, em quem se tem ou o quem se quer.
Nada mais gostoso que a primeira vez que olhamos para um corpo nu ali a nos esperar, se oferecendo, se enrascando como fome de se dar. Não resisto há uma depravação, se a parceira deixar vou longe, longe mesmo.
A cama é lugar de doação e entrega, quem não se permite não goza, não geme de prazer, não vira os olhos em penitente tesão.
O sexo tem dia e hora para perder seu charme: o tempo, que faz tudo descer e não adianta Viagra, Viagra não dá tesão,é apenas um eufemismo para “pau duro para enganar imbecis” Quando o tesão vai embora não adianta reza nem fé na cabocla , vai - se mesmo. Nada mais atormenta os homens do que não ter mais no pau a prova efetiva da sua masculinidade, mas sexo pode ser dedo meu irmão, língua e imaginação. Pense bem, muitas mulheres nunca gozaram na vida outras são vitimas de homens que agem como porcos: melam e sem de cima.
Agora, não faça do sexo o termômetro do amor, não é. Sexo é termômetro de si mesmo. O termômetro do amor é a solidariedade, o companheirismo. Se você tiver a sorte de unir uma boa trepada com carinho e amor. bum!!!! Você ganhou na loteria.
Não há fragilidade na cama, homem e mulher são sexualmente ativos e fortes. Fazer jogos de sedução na cama, quem pode mais, quem mexe mais, quem faz o outro gozar com a língua,quem sabe mais posições são formas de fazer do sexo um delicioso exercício de putaria afetiva.
Nesse inverno trepe sempre e muito, use camisinha, cheire,abrace se permita,seja feliz, provoque e conquiste....viva a vida com paixão e invada corpos com tesão, o tesão é o perfume sagrado da putaria.
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A obra que ilustra esse artigo é de Rubens, pintor renascentista. Titulo Rapto das filhas de Leucipo