quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Franciele Fernanda

Uma cantora de catorze anos chamada Franciele Fernanda participou do programa The Voice Kids, não foi apenas uma participação, foi a revelação de uma presença, Franciele é cantora. Da sua voz poderosa ecoou uma versão roqueira de “Maria Maria”, é como se durante todos esses anos a canção- hino dos mais que únicos Milton Nascimento e Fernando Brant, tivesse esperado por uma voz feminina que fizesse seus versos sangram seus múltiplos sentidos. Nem só de uma bela voz se faz uma cantora ou cantor, é preciso emoção, sentir o que se canta, longe do cantar mecânico bons cantores e cantoras cantam a alma, sentem cada verso das canções, são atores na interpretação de um roteiro no qual a emoção é o autor.
Depois de sua apresentação no The Voice Kids Franciele Fernanda foi vítima de ataques racistas na internet, fez o que deve fazer qualquer pessoa que se sinta ameaçado ou vítima de preconceito, deu queixa na polícia. A intolerância religiosa, xenofobia, racismo e outras formas de preconceito estão lentamente ocupando espaços no Brasil, as redes sociais e outras plataformas virtuais tornam-se redutos para expressão criminosa de covardes. As penas para esses crimes virtuais são brandas, o crime no Brasil compensa e compensa porque com louvadas exceções os legisladores são criminosos eleitos ou por seus pares ou por irresponsáveis sem compromisso algum com o país.
O Estado brasileiro é uma fábrica de criminosos, seja pela ausência de políticas educacionais e culturais reais ou amparo a infância e adolescência ou ainda pela proteção aos bandidos classe média que dos seus apartamentos usam computadores para cometer crimes.
Franciele não pode se deixar abater por racistas ou xenófobos, deve continuar seu caminho, fazer valer sua paixão musical, saber que ainda há um longo percurso até a utopia que ela deseja. Além do canto, não deve nunca e em hipóteses alguma negligenciar os estudos, se dedicar ao máximo mesmo, porque a única maneira de pessoas como nós, que temos na pele essa marca e a estranha mania de ter fé na vida chegarmos a algum lugar é pelo estudo. Não terão compaixão de nós, é preciso escrever cada linha da história de nossas vidas com o suor do nosso rosto, temperar esse suor com o estudo.
Franciele no palco me lembrou outra cantora, Cássia Eller, presença marcante, voz visceral e uma incrível capacidade de recriar canções, assim espero que Franciele continue. Quem destoar do criminoso padrão social imposto pela TV, pela moda, pela religião e tantos outros seguimentos, deve se preparar pelo que vêm pela frente, os iguais guiados pelo crime da elitização social não perdoam quando as marias deixam as cozinhas e se tornam não patroas, mas senhoras de suas vidas, donas de seus destinos, quando sabem-se lindas e profundamente lindas.



  

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Olha para o céu

O fim do dia em Brasília é quase sempre um espetáculo de cores, o céu parece ficar ao alcance das mãos, tons cinza, azuis e vermelhos misturam-se nos oferecendo um momento mágico de contemplação. Nesse momento de tantas notícias ruins no Brasil e pelo restante do mundo buscar uma conexão com Deus através da natureza é a melhor alegria que podemos ter. Diante as dificuldades olho para o céu, me permito a emoção de acreditar que nada é o acaso, assim como meu presente é de alguma maneira fruto das escolhas que fiz no passado, esse céu, essas luzes foram desenhadas na grandeza divina que nos que felizes.

Quando a solidão é ameaçadora o melhor a fazer é buscar abrigo na natureza, olhar para os raios do sol que vão anunciando a noite, olhar as primeiras estrelas e saber que em qualquer parte do mudo o sol, noite e as estrelas são as mesmas, não estamos sozinho.
Por mais complicadas que as coisas estejam é preciso não naufragar na desesperança e falta de amor por si mesmo, se transformar em um morto vivo não vai resolver nada, conversar consigo mesmo, ser carinhoso com nossas vidas nos ajuda a vencer todas as barreiras.
Seja lá em que lugar desse país você esteja ofereço essas fotos do céu de Brasília, desejo sinceramente que você esteja bem e se não estiver, não desista, procure outros caminhos, olhe para o céu, não estamos sozinhos. Eu também tenho minhas dores e decepções, mas busco força no olhar para o céu, na beleza da vida para continuar... Boa noite.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Ódio ao Brasil

Pior que políticos ladrões ou qualquer criminoso de rua deste país são os brasileiros que demonstram desprezo pelo Brasil, tudo de ruim que tem nesse país começa pelo desprezo que seus filhos demonstram por ele. O Brasileiro é auto-xenófobo, desconheço um povo que sinta tanto ódio pelo lugar que nasceu como o brasileiro sente. Desse desprezo nasce o crime organizado, o crime político, o desmonte do Estado, não por acaso a cada dois anos durante eleições os piores canalhas são eleitos sucessivamente. O pior do Brasil é o brasileiro e seu ódio pelo seu país que por fim é o ódio por si mesmo.
Toda estrutura pública brasileira foi contaminada pelo desprezo dos seus cidadãos, alguns se sentem africanos, outros europeus, outros ainda venderiam a alma ao diabo para ser aceitos nos Estados Unidos, enquanto isso o Brasil apodrece, tomado por criminosos gestados nesta desordem fruto do ódio dos seus filhos.
O Brasil não merecia um povo como esse que somos, um povo que não se reconhece como nação, que despreza o que de melhor poderíamos ser. Se você usa as cores do Brasil e demonstra respeito pela bandeira te chamam de fascista,mas esses mesmo que te chamam de fascista fazem sexo oral na cultura europeia e sonham com a bandeira dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, França ou Portugal não seriam o país que são se não tivessem um povo amante do lugar que nasceu, se o povo de cada um desses países não respeitasse o que são e o lugar que nasceram. Nenhum país se torna grande sem um povo que o ame, que lute por ele e não por partidos, ideologias ou por causas pessoais.
Pobre Brasil, empobrecido pela estupidez do seu próprio povo, violento, roubado, humilhado, fábrica de bandidos pela estupidez do seu próprio povo. Entre o ódio e o amor o brasileiro escolheu o ódio.
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sábado, 31 de dezembro de 2016

A vergonha de dizer não!

Neste último dia do ano escrevo sobre uma questão que não nasceu em 2016, mas que certamente neste ano cresceu e se tornou poderosa: a vergonha de dizer não ou simplesmente expor pensamentos e ideias. Uma força muito poderosa, um híbrido monstruoso entre esquerda e direita que consegue fazer milhões de pessoas se sentirem constrangidas em dizer o que estão pensando ou discordarem do que é posto como caminho, verdade e vida.
Se você discorda de alguém que se diz de esquerda ou se questiona a visão política dessas pessoas, mesmo que você reconheça o direito que elas têm de serem de esquerda, você será chamado de fascista, manipulado, “leitor de Veja”, se você, por exemplo, for contra o aborto, será chamado de “conservador” e retrógrado. O curioso é que essas pessoas mesmo se dizendo sabe tudo sobre todas as questões políticas desconhecem justamente em política o que realmente significa ser fascista ou conservador
Por outro lado se você discorda de alguém que se diz de direita, se não apoia o sistema financeiro e tudo de ruim que existe nele, se questiona a ideia de igualdade e oportunidade, questionando que igualdade e oportunidade não é o mesmo que igualdade de condições para competir, ainda, se não é do tipo indignado seletivo que acredita ser o PT realmente o chefão de toda corrupção no país, você será chamado de “comunista”, “petralha”.
A intimidação política não fica só nos exemplos acima, se estende para questões religiosas, negros evangélicos sofrem preconceito por não fazerem parte de nenhuma religião de matriz africana, negros que fazem parte de religiões de matriz africana sofrem preconceitos, isso se estende para cultura, muitos grupos políticos acreditam que são guardiões de determinadas manifestações artísticas e criaram a figura da “apropriação cultural”, isso não tem relação alguma com proteção ao nosso patrimônio imaterial cultural.
Com essa selvageria ideológica o resultado é o empobrecimento do debate político. Dois grupos pobres espiritualmente e politicamente tomam contam do debate político, com medo, milhões de pessoas ficam distantes dos maiores debates do país, sentem-se intimidades, pensam, desejam opinar, mas ficam em silêncio. A direita parasita e a esquerda sem caráter agradecem, esse século são deles.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Jantar e crime

Na delação: “em um jantar acertamos o valor da propina”. Quantos crimes são articulados em mesas fartas e jantares de luxo? Ou melhor, em palácios? É mórbido e tragicamente irônico que pessoas sentam-se em uma mesa cheia de comida para acertar crimes que vão levar à fome e morte tantas outras pessoas. Nos últimos dias, com o avançar da Operação Lava Jato e as delações premiadas, tomamos consciência da naturalidade a qual crimes são articulados, como pessoas sem sentimento algum, roubam e matam com se estivessem apenas trocando ideias entre amigos e parentes sentados em uma mesa.
Paralelo a comilança criminosa, esses mesmos agentes do Estado tramam reformas administrativas que vão impactar a vida dessas mesmas pessoas já roubadas por eles. É preciso, sim, diminuir os gastos públicos, mas não se pode sacrificar quem já não tem quase nada. Nossa saúde e segurança pública são máquinas de triturar gente, gente pobre e tempere isso com o absurdo da reforma da previdência que iguala pela perversão política homens e mulheres, trabalhadores braçais ou não e empurram todos para uma vida de trabalho que só a morte vai por fim.
Quem mais deve ao Estado são estados, prefeituras e claro, todo tipo de sonegadores que o Estado sabe quem são é não faz com eles o que quer fazer com os pobres. É preciso reformar o Estado, mas essa conta não pode ser paga por quem só tem como pagar se sacrificando a uma vida de extremo trabalho penoso. A sociedade brasileira deve escolher qual caminho deseja seguir, se pretende manter-se em um horrendo pensamento binário: esquerda e direita, ou quer unir-se para resgatar nosso país de uma vez por todas dessa quadrilha multipartidária que nos querem escravos e domados por suas vontades.



  

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro

Os homens medíocres vivem suas vidas como equilibristas, passam a vida entre a luz de deus e escuridão do diabo, mas nunca se decidem por um ou por outro, os homens medíocres são unanimidade entre seus pares, são aqueles que se apresentam de maneira perfeita aos olhos de quem deseja sangue e alma, são queridos, amados sem aspas, os homens medíocres são simpáticos a todas as causas, nunca dizem o que sentem ou pensam, são ecos dos seus interlocutores, os homens medíocres escondem seu sentimentos, não são de esquerda ou direita, são das circunstâncias, os homens medíocres são gentis e covardes.
A política brasileira com poucas exceções é a seara global dos homens e mulheres medíocres, gente perigosa, não por acaso vivemos em um dos países mais ricos deste mundo e temos uma vida miserável, porque nossa política é o reflexo de homens e mulheres medíocres e suas falas perfeitas para um mundo de ódio e decadência. 
Fidel independente de posições políticas não foi medíocre, viveu segundo seus erros e convicções, não mediu palavras para dizer ao mundo sua visão de mundo, foi odiado por muitos e amado por muitos, mas viveu segundo os homens de grandeza e homens de grandeza assumem suas posições e pagam pagam por elas. Não foi exemplo de virtude, não foi exemplo de coração solidário, mas está longe do modelo medíocre que temos de políticos que juram amor a pátria, se dizem tementes a deus, se dizem defensores da família e dos pobres e fazem das nossas vidas um inferno.
Não queria viver na Cuba de Fidel, justamente por Cuba ser dele e não do povo cubano, não compactuo sobre aspecto algum com ditaduras , como também não quero meu país governado por sucessíveis bandidos .
Comandante Fidel, a última personalidade política do século passado se foi, se foi para lugar algum, como ateu, sabia que a vida começa e termina aqui. 
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Meu pai

Meu pai acreditava em Deus, mas não era religioso, creio que só entrou em igrejas quatro vezes: quando casou, quando me batizou e quando batizou meus dois irmãos. De Deus só ouvi uma vez ele falar, um dia quando assistíamos ao sou da Xuxa e ela cantou uma canção que se referia a Deus como o “cara lá de cima”, meu pai não gostou, fez um comentário reprovando a “falta de respeito” com Deus.
Não sei por qual motivo me meti com política, foi o maior atraso de minha vida. Lá em casa política não fazia parte da nossa “tradição”. Lembro-me de apenas duas vezes meu pai falar de política, uma quando viu o General Figueiredo na TV e disse: “esse homem está acabando com tudo, o custo de vida está muito alto”. Não entendi o que era “custo de vida”. Outra vez foi quando vimos na TV uma matéria falando dos médicos e seus salários inferiores aos dos garis, comentei que os garis eram quem ganhavam pouco, meu pai respondeu com uma “pedrada”: “Você tá parecendo aquele povo comunista, reclama de tudo”. “Pedrada” porque lá pelos meu dez ou nove anos de idade não sabia o que diabos ou santidade era o tal povo comunista.
Um dia Ulisses Guimarães foi a Santo Amaro, estava com meu pai na nossa banquinha de doces na Pracinha 14 de junho quando o carro com Dr. Ulisses passou, meu pai comentou: “os cabelos dele estão todos branquinhos”. Poucos cabelos é bem verdade, à noite, não sei como, fui ao comício de Dr: Ulisses na Praça da Purificação.
A melhor lembrança de meu pai foi o dia que sentamos nas escadarias da estação ferroviária na Pracinha 14 de junho, conversamos muito, talvez, aquela conversa tenha sido a única entre pai e filho com começo, meio e fim, o filho estava entrando na adolescência, se tornando adulto. Naquela tarde contei meus planos de futuro para meu pai, disse que queria ir para o exército, mostrou-se contente com meu sonho militarista, não viveu muito para saber que nem o Tiro de Guerra servir, fui dispensado por “excesso de contingente”.
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