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“Do universo rabisco o mundo”

Raphael Rocha é autor de “Do universo rabisco o mundo”, livro de poemas editado em 2011 pela editora Quártica Premium.O livro nos apresenta uma poética concisa que mantém um acentuado diálogo com a poesia concreta e também com a filosofia, a começar pelo título:  “Do universo rabisco o mundo”. Talvez se pergunte o leitor qual o universo do autor e que mundo ele rabisca; são muitos mundos que saem do universo poético de Raphael Rocha, de inquietações cotidianas até indagações filosóficas. Em “Além do que se vê”, Raphael Rocha escreveu:
“O que me espera na curva?   Cabe a mim quebrar e viver                           Ir ver                           Sentir o que há                           Será? Não sei”

Se a vida é risco, a poesia é de enfrentamento, se o mistério vive depois da curva, Raphael Rocha em sua poesia se permite o risco de viver esse mistério, mas não escapa da dúvida, mas é também a dúvida ponte para todo conhecimento. Em “Ressonâncias” podemos ler: “nos caminhos deste b…
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Pobre Brasil

Há tempos o Brasil optou pela indignação  seletiva. São dois pesos e duas medidas para os mesmos crimes. Uma onda de repulsa quase acabou com o PT, onda de repulsa merecida já que o partido é  protagonista de uma série de escândalos, mas a mesma repulsa não acontece com outros partidos e seus políticos que cometem ou são acusados de cometerem os mesmos crimes que o PT, ou de cometerem outros crimes gravíssimos a exemplo do presidente Michel Temer, que em gravação feita pelo dono da JBS toma conhecimento que um Procurador da República foi cooptado pela própria JBS para interferir em processos nos quais a empresa estava sendo investigada e nada fez, fica em silêncio, um fato que em qualquer país levaria a queda do presidente e manifestações gigantescas contra ele, aqui no Brasil reuniu meia dúzia de pessoas nas ruas. A classe média brasileira, com raras exceções, egoísta, soberba,   xenófoba e racista já mostrou várias vezes seu ódio não só pelo PT, mas por nós nordestinos, que segundo…

“Eu, Kalunga”

“Eu, Kalunga” é um romance da escritora Custódia Wolney publicado originalmente em 2005. O romance nos apresenta traços e aspectos do povo Kalunga. Os Kalungas é uma comunidade quilombola situada ao norte do estado de Goiás. Através das reminiscências da personagem Berta, somos levados por um Brasil desconhecido, misterioso, místico e, sobretudo, um Brasil teimoso que insiste em se erguer e ser autor da própria história, um Brasil bonito e comovente, um Brasil de mulheres fortes como Berta. “Eu, Kalunga” é um romance histórico que busca reconstruir e nos contar historicamente aspectos antropológicos de brasileiros que construíram com as próprias mãos o lugar que lhes cabe neste país tão desigual e excludente. Berta, menina negra, é sequestrada por um índio, violentada, engravida, foge, casa com outro homem mesmo não tendo por este homem afeto, apaixona-se por outro homem e vive platonicamente essa paixão, é espancada pelo marido. Berta é forte, vai vivendo, revivendo, a cada queda se…

“A outra face”

Saudosistas preguiçosos repetem enfadonhamente que a música atual perdeu os rumos, que temos uma coleção de artistas iguais cantando coisas iguais e o bom mesmo ficou em algum lugar do passado povoando nossas lembranças e emoções juvenis. Isso não condiz com a verdade, ou ao menos distorce de maneira simplória as evidências. Que evidências? Em todas as épocas tivemos bons e maus momentos musicais, e durante muito tempo aprendemos a gostar tão somente do que as gravadoras nos empurram, com a pirataria e  diminuição do poder e fim de muitas gravadoras não temos mais as ondas musicas que infernizavam nossos ouvidos, mas temos inúmeros artistas produzindo seus discos, gravando sem a interferência do olhar abutre dos produtores comercias de gravadoras. Para quem não sabe, artistas que tinham preocupações além de comerciais com seus trabalhos enfrentavam a insensibilidade cultural das gravadoras em um briga muitas vezes desigual, no entanto o novo sempre vem, cantou Belchior, é só olhar pa…

O amor e o dinheiro

Há equilíbrio entre o amor de duas pessoas e o dinheiro, ou melhor, a falta de dinheiro? Creio que não, sem dinheiro o amor lentamente vai morrendo, sem dinheiro as pessoas tornam-se frágeis e suas fragilidades defeitos e seus defeitos incômodos. Muito se fala sobre machismo e feminismo, mas homem sem dinheiro ou pouco dinheiro nem as mais amante das feministas vai ter por seu  amado consideração estendida. Uma das maiores causas de divórcio no país não é a falta de amor ou tesão, é a falta de dinheiro de um dos parceiros, geralmente o homem. Nesta balança em que se pesa amor e dinheiro o homem visto sempre como provedor será sempre o primeiro a ser descartado. O amor vai acabando na mesma velocidade que o homem deixa de ser homem e é apenas um macho como qualquer outro e macho como qualquer encontro encontra-se em qualquer lugar. Não falo aqui das relações interesseiras baseadas desde sempre apenas em questões econômicas, falo de relações amorosas que surgiram esperançosas e fratern…

“A ignorância é vizinha da maldade”.

Um provérbio diz que: “A ignorância é vizinha da maldade”. Ações baseadas em suspeitas e tão somente suspeitas, posicionamentos motivados por paixões políticas tem agravado o clima de instabilidade do país. A ignorância é sim a caldeira da maldade, e maldade é o que não falta no Brasil, vivemos sitiados por delirantes que querem justiçamento e não justiça. É assustador o sentimento de ódio aliado a uma presumida posse da verdade que tem dominado corações e mentes no Brasil, tudo isso leva a barbaria social e a uma nação ancorada no arcaísmo das mais in- civilizatórias angústias humanas. Uma não nação que parece não ter pessoas, mas porcos espinhos humanoides. Olhar nos olhos pode não ser um convite ao conhecer, fazer amizades, mas a briga, violência. A paranoia é o ceticismo político do Brasil. Somos ao fim uma nação de incompetentes, não conseguimos fazer desse país, apesar de todos os recursos que ele nos oferece, um país decente e seguro para vivermos. Cada um se agarra a sua ver…

Egoísmo positivo

Em tempos de vozes imperativas e morte do diálogo é importante desenvolver consigo mesmo uma relação de amizade, um egoísmo positivo que pode ser caminho seguro para que a loucura não seja carta convite para nós. O egoísmo positivo consiste em ter conosco uma relação fraterna, cuidar  nós mesmos das nossas feridas, saber o quanto oferecer o que não se tem é caminho para o abismo, é preciso cuidar de si mesmo, depois pensar nos outros, mas isso não quer dizer que tenhamos uma relação mesquinha com as pessoas, longe disso, o egoísmo positivo nos leva a encontrar outras pessoas sem fazer delas tábuas de salvação para nossas angústias, seja bom para você e será bom para qualquer pessoa. Amar coisas ou outras pessoas mais que a nós mesmos tem sido uma trágica aventura, nada pode ser mais importante que você. Quantas vezes você ficou em casa angustiado a espera do telefone tocar? Ou a espera de um convite para sair? Convide você mesmo, se olhe no espelho com ternura e carinho, é preciso ap…