terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O Pequeno déspota

Pior que um chefe Gargamel é um sub-subordinado dando ordens implacáveis e sem margem para negociações. Um sub-subordinado é aprendiz de tirano e geralmente é tão somente testa de ferro de um chefe aparentemente gentil e democrático, mas em verdade é um déspota.
O sub-subordinado é mestre em fazer revoluções ao contrário, tem excelência no atraso e na mediocridade das relações, vermina sua tirania através do pequeno poder. É o advogado que arrota uma vazia ó-toridade em cima de alguém que só encostou um carro no seu, o professor a humilhar um aluno só porque errou uma questão em uma prova decoreba, o policial que se faz juiz, promotor, jurado e sentencia quem bem entende com sua ó-toridade criminosa... Etc...etc...etc...
O sub-subordinado manifesta seu pequeno poder toda vez que sente seu delinquísmo sócio-emocional ameaçado, satisfaz ele o seu ego doente ao humilhar, ameaçar, adoecer a quem ele escolha como vítima e gozo para sua covardia escondida atrás do manto de liderança, seriedade e trabalho.
Pessoas que agem com excesso ou presumida autoridade geralmente tem históricos de perdas e frustrações, sentem-se humilhadas na condição a qual se encontram, deliram ser um César quando sabem: não vão além de um vassalo bobo na estrutura do sistema que estão grudados como vermes e como vermes certamente um dia vão ser descartados.
Trabalhar em um lugar no qual a disputa é a palavra final é por demais constrangedor e nem um pouco saudável para quem gosta de produzir, contribuir para o bem e progresso coletivo da empresa, de um órgão público... Etc.
Infelizmente muita gente se submete ao sofrimento silencioso nas garras do sub-subordinado por imaginar não ter alternativas, perspectivas ou medo de perder o emprego. Mas tudo isso é um erro, qualquer constrangimento ou excesso de autoridade no trabalho ou em qualquer lugar deve ser denunciado às instâncias maiores da empresa, da instituição, ou seja, lá onde quer que ocorram os atos canalhas do sub-subordinado e suas estratégias de pequeno poder.
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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Teoria do caos

Vive-se em uma panela de pressão. Alguém diz algo, mesmo sendo uma gentileza, mas aos ouvidos repletos de stress e desconfianças, pode parece uma ofensa e bum!!! Explodem pedaços de gentileza, cortesia e tolerância por todos os lados.
As relações cotidianas estão cercadas de pequenos caos prontos para fazer do leve bater das asas de uma alegre borboleta um terremoto de intolerância.
Os nervos a flor da pele parecem furúnculos das degradações existenciais, vão desenhando um trágico perfil nesta sombra a qual insiste em nos apagar enquanto seres cordiais.
O cotidiano por vezes parece uma centrífuga difícil de desacelerar, como nos desenhos animados já se acorda com a lamentação-defesa: “oh! Vida, oh dia”. E disso tudo para uma desordem interna e externa é um passo e não raro gera-se um big bang às avessas.
A ordem no trabalho, no namoro, no trânsito ou em qualquer lugar é não perder tempo, o que ilusoriamente nos levará a conseguir coisas como: proteção, bem estar, prestigio ou todo tipo de realização pessoal.
Não controlamos nem o exato momento em que estamos quanto mais um tempo imaginário o qual também chamamos de futuro. Claro, devemos ter metas e planejamento de vida, mas isso não é o mesmo que no futuro depositar todas nossas crenças de certezas e conquistas.
“Quem espera sempre alcança” é um belo provérbio, mas prefiro a ironia de Chico Buarque “Quem espera é que não alcança mesmo”.
Se há perda de verdade e interesse pelo que se tem e nos lançamos à busca insaciável pelo bem presumido e ao lado não enxergamos o óbvio que nos mantém vivos, o coração abre-se ao terror pelo bater no descompasso do viver, ter e amar o que não nos traz mais sentido, estar vivo sem notar-se são alertas de algo errado e se não tomarmos cuidado neste momento os pequenos caos cotidianos dão as caras e aí : bum!!
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O mesmo show de sempre

Estou sentado no quintal da minha casa no bairro do Sacramento, em Santo Amaro, na Praça da Purificação Caetano Veloso faz um Show, posso ouvi-lo perfeitamente.
O mesmo show voz e violão de sempre, eu já devo ter assistido uns quinze shows desses do Caetano aqui na cidade e todos parecem sempre o mesmo.
Questionei a Mauricio Pessoa, produtor dos shows do Caetano, porque ele nunca fez uma apresentação pelo menos próxima das que ele faz em Salvador, Recife ou Juazeiro do Norte, ele me riu e desconversou.
Agora ele está cantando “Terra”, gosto dessa música. Caetano gostava de Santo Amaro quando era da Purificação, agora, creio que a cidade de hoje não lhe diz muita coisa. Dizem que ele só canta aqui por causa de D. Canô, sua mãe.
O cachê de sua apresentação é doado para a Igreja da Purificação, essa igreja é um belíssimo templo, enorme, com um painel lindo pintado no teto, se um dia você vier à Bahia, venha até Santo Amaro, e faça uma visita a Purificação, vale a pena, se você gosta de artes plástica com certeza vai se emocionar.
Não senti vontade de ir vê-lo, porque já sei como vai ser o show, porque estou sem grana para meu Pitú-Cola, sem grana a alegria fica pela metade, sabe como é. Não sou consumista, mas sou materialista e isso são duas razões de viver completamente diferente.
Neste momento Caetano fala alguma coisa e começa a cantar “O índio descerá de uma estrela”, gosto das metáforas desta canção e seus simbolismos, apesar de achar Peri um porre, mas tudo bem o Bruce Lee e o Muhammed Ali, são muito legais.
Estou com sono, vou dormir, o ano que vem se o Caetano Voltar a Santo Amaro, coisa que duvido, eu sei, ele vai fazer o mesmo show de sempre, mas bem ele podia cantar com mais entusiasmo, afinal aqui é o seu lugar, pelo menos de nascimento.
Ps – Ele agora está cantando “através do trio elétrico só não vai quem já morreu”. Comemora-se agora sessenta anos da invenção do trio elétrico, já fui muito quando criança através do velho trio Subaé, com sua bandinha de percussão. Estou cansado vou para cama ouvindo Cocteau Twins, se você nunca ouviu procure ouvir.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A solidão de Michel Jekson

Esses dias voltando de Salvador para Santo Amaro fiquei a observar os passageiros, alguns dormiam, outros estavam tão absortos em si mesmos que pareciam simplesmente não estarem ali, lá na frente motorista e cobrador em silêncio e com um distanciamento um do outro comovente, mas algo igualava a todos: a solidão.
A sensação de si estar só independe se estamos acompanhados ou não. A solidão sempre nos fez companhia, mas com o surgimento de novas tecnologias, doenças e aumento dos índices de violência o que era algo até certo ponto natural passou a ser patologia e abre as portas para depressão e tantas outras doenças do espírito ou não.
Geralmente me perguntam se tenho MSN, O MSN é uma formidável ferramenta de comunicação, não tenho dúvidas a respeito disso, mas é também o símbolo dessa auto-carceragem que são nossos dias. No MSN não há calor humano, contatos imediatos e cada um pode viver o personagem que bem queira e é claro há nele o distanciamento necessário para em segurança viver-se as fantasia de “encontros” mais seguros.
Certa vez um amigo espírita, Agenor, me contou uma história de um sujeito que desesperado pela falta da amada morta cometeu suicido na tentativa de encontrá-la no além, ele realmente a encontrou, pegou seu violão e ficou tocando, fazendo serenata, mas ela não podia nem ouvi-lo ou vê-lo. Do outro lado da vida, seja lá qual for esse lado à solidão lhe foi pior, sentia ou sente saudades agora do que aos olhos podem ver, mas distante em nada podia verter todo amor em encontro, amizade e vivência.
Desejar estar só é uma coisa, desejar companhia é não conseguir é outra coisa, ter medo de gente, mas se masturbar vinte quatro horas pensando como seria a vida boa se tivéssemos amigos e gente sincera, honesta e companhia sempre por perto é outra muito diferente.
Quando Michel Jekson morreu fiquei pensado como aquele homem foi solitário, teve uma vida inteirinha de faz de contas, morto seu corpo ficou esquecido em um necrotério enquanto sua “família” brigava pela sua herança. Janis Joplim um dia disse uma frase celebre “faço amor para vinte mil pessoas e volto para casa sozinha”. Solidão, solidão e solidão.
Quando se é pobre é mais fácil fazer amigos sinceros. O pagodão na praia, o show de rock improvisado em um inferninho, a turma da faculdade que aluga uma Vam para voltar para casa sempre juntos, o menino lindo que é só um menino lido encantado com a irmã do melhor amigo colega de trabalho em um fábrica. Os ricos e poderosos são mais infelizes tudo neles e de mentira, de improviso e suas afeições e amores correm sempre o risco de serem sempre algo passageiro.
Mas seja rico ou pobre cada um vive seus momentos de solidão, de busca, de tentativa de se viver momentos íntimos com o que de mais caro e nobre se pode ter com outra pessoa: confiança
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

“Sensação de vazio”

Outro dia fui ao médico, durante a consulta disse-lhe que estava com uma sensação de vazio.
Resposta do médico:
- Melhor procurar um psicólogo. Era um médico amigo, não havia nada de ofensa na sua resposta em tom de brincadeira.
Se ligarmos a TV seja aberta ao a cabo, não importa, as figurinhas que vamos ver são sempre as mesmas.
Invariáveis papéis para a mesma cena de sempre, repetida mediocremente para nunca dá chance a criatividade ou a imaginação, essa por sua vez deve ser amordaçada e lançada no calabouço do esquecimento.
Agora se ligarmos o rádio é batata: Ana Carolina, Jorge Vercilio, Vander Lee, um Pagodinho aqui, um Zeca ali, uma Ivete cá... Nas rádios a repetição da sensação do vazio é mais presente, não é um caso para psicólogo resolver é um caso para o MySpace nos salvar enquanto não precisamos de tarja preta.
Às vezes é como se estivéssemos em um Show de Truman, tudo ali ensaiado com um final presumidamente sabido; mas se estivermos mesmo em um Show de Truman há uma possibilidade de fuga desse cenário, e se encontramos em meio há uma tempestade essa saída, não devemos desperdiçá-la antes que a sensação do vazio se transforme em um enorme buraco negro a nos arrastar para o nada.
A repetição emburrece, viver sempre as mesmas emoções nos torna frios, não perceber que algo já não diz mais nada ao coração nos isola das novas possibilidades que surgem. Observe na rua na qual vive deve haver uma casa que você nunca notou embora passe em sua frente todos os dias, ou um vizinho de anos e não sabemos seu nome. Há uma tentativa de automatizar nossas emoções, em muitas das vezes isso acontece e nem percebemos.
A sensação do vazio não é tão mal assim, pode significar que as estratégias de sedução do “mais do mesmo” não têm efeito sobre nós, se o que há por aí oferecido em doses gigantes não nos completa, não nos traz nada de relevante, isso não é tão ruim... Mas há tantas coisas novas ou pelo menos não medíocres a nos esperar para um encontro não programável entre lágrimas, risos e música de Vander Lee.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Assim na vida como na morte

O documentário “Coração Vagabundo” é um registro de uma excursão do Caetano Veloso pelo mundo. O documentário é chato, monótono e só valeu mesmo a pena tê-lo feito o seu produtor Fernando Grostein Andrade por algumas poucas boas passagens. A mais emocionante para mim é a que Caetano diz: “Antigamente eu pensava quando eu morresse queria ser cremado/.../ depois eu comecei a pensar que eu devo ir para o cemitério de Santo Amaro/.../ ficar junto com minha filha, por causa do lugar, de Santo Amaro.”.
Há muitos anos escrevi uma canção que diz: “Quando for à hora do meu ciclo fechar/ quero minhas cinzas ao lado dos meus mortos na terra sagrada descansar”No caso a terra sagrada é Mundo Novo, lugar que nasci.
Jorge Boris, Poeta aqui de Santo Amaro, me disse certa vez que quando enterramos alguém em um lugar não conseguimos mais ir embora, a terra passa ser sagrada, Jorge Boris tem dessas coisas com cemitérios e terra. Meu pai está enterrado em Santo Amaro, mas continuo querendo ser cremado, o problema é: cremar é caro, ser enterrado é relativamente barato.
Soube que no Haiti há o costume de se enterra as pessoas nos quintais das casas, achei isso comovente, Castro Alves escreveu um poema no qual dizia não querer ser enterrado em uma sepultura fria de um cemitério. Não teve jeito, foi enterrado no Campo Santo no bairro da Federação em Salvador, mas depois fizeram uma estatua sua na Praça a qual foi batizada com seu nome e colocaram o que sobrou dele lá, antes tarde que nunca.
Certa vez fui eu e minha amiga Consuelo Pinto visitarmos a sepultura do Raul Seixas no cemitério Jardim da Saudade em Salvador, fiquei impressionado pelo abandono da sepultura, não havia uma flor se quer, coisa que providenciamos, Jim Morrison sempre quis ser escritor, mas não teve tempo, mas conseguiu uma proeza, está enterrado no Père-Lachaise na França e divide o cemitério com gente como Oscar Wilde , Chopin, Honoré de Balzac, Jean de La Fontaine, Marcel Proust e Édith Piaf.
No Araguaia estão enterrados em algum lugar os corpos de muitos jovens militantes do PCdoB, assinados a mando dos Estados Unidos pelo serviçal exército golpista da época, suas famílias jamais puderam lhes enterra segundo suas crenças ou desejos.
O jornal Metrópole de Salvador traz sempre um obituário que é quase uma obra literária, já começa com o titulo “Deixaram saudade (ou não)...” e além de falar dos mortos da semana, recua no tempo e sempre diz quem foi o falecido naquela data em algum ano qualquer, traz ainda uma coluna espetacular, quer dizer para quem está vivo é óbvio, conta histórias de como era ou é os enterros em vários contos do mundo.
O sonho da ciência é claro é um dia vencer a morte. Cristo, dizem, venceu a morte de forma triunfal não ficando em lugar algum enterrado ou fragmentado em cinzas jogadas em jardim ou mar, Alexandre o Grande quando estava à beira da morte pediu a sua esposa para esconder seu corpo assim que batesse as botas e espalhasse a história que os anjos o arrebataram para o céu.
João Batista, o homem do Apocalipse, tanto fez que perdeu sua cabeça para fogosa princesa Salomé, quer dizer, teve sua cabeça exposta em uma bandeja. Lampião e sua amada Maria, dizem, não era tão bonita assim, tiveram as cabeças arrancadas e expostas durante anos no IML de Salvador.
Na importância não só das coisas da terra e do céu para os vivos, mas também para os mortos nada se compara a carta do cacique Seattle, da nação Duwamish dos Estados Unidos escrita ao presidente daquele país senhor Franklin Pierce em 1854 quando ele tentou comprar as terras indígenas:
* “Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem está bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós /.../ O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios” Emocionante; não?
Entre morrer e enterrar temos nossos rituais. Não é só bater as botas e pronto, mas de tudo isso não suporto velório, ficar ali sem eira nem beira sob os olhares dos amigos e inimigos, sem tristeza ou alegria como um boneco de cera. Devia ser assim: morreu, 16h depois o corpo evaporava direto para os braços do senhor ou para o caldeirão de enxofre do tinhoso, no meu caso preferiria vagar por aí, fazendo serestas e contando estrelas e sem pagar avião.
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A foto que ilustra esse artigo é do cemitério de Santo Amaro e foi tirada por Amapagu Cazumbá e está no blog http://amapagupatsycazumba.blogspot.com/
* Fragmento da carta original




segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Semântica do bem ou mal

Na magistral fábula “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry encontramos uma frase sentença a qual vai de encontro a quase tudo ensinado e aprendido por nós, seja nas escolas ou na família, entre amigos ou na convivência forçada com inimigos: “O essencial é invisível aos olhos”.
Ser bom? Mal? Isso é fácil, quero ver é ser justo. Tente agir com justiça uma hora por dia e veja logo o número de seus desafetos se multiplicarem. Na maioria das vezes só somos interessantes aos outros se somos úteis, atalhos, caminhos para os seus sonhos, fora disso, adeus seu mané!!!
Desgraçadamente fomos todos transformados em pontes, em um arco-íris que ao final há um possível pote de ouro. O essencial hoje depende da conta bancária e não importa se essa conta esteja repleta de crimes, ódio, mortes e misérias. O dinheiro sujo ou não faz sorri quase todos.
O mal e o bem são da mesma ordem, exige de nós a tomada de partido a partir de uma série de questões as quais não raro são emocionais, ao contrário da justiça que nos exige racionalidade. A bondade deixa a mãe cega ao filho viciado, à maldade com suas paixões leva ao crime.
A justiça é cortar na própria carne, e sentir da dor do outro, mas saber que naquele momento não está em jogo um individuo ou nosso amor, nossa amizade, é preciso ser racional para nos “salvar” das misérias estabelecidas na nossa normalidade doente.
O jogo de interesse é gigantesco, o prazo de validade é colocado na testa assim que nascemos: se pobres há de se lutar muito para não ter no concreto das relações o bem imaginário ou a maldade objetiva nas costas a nos levar cedo para lugar algum.
Meu amigo Idelmar de Oliveira (Castro D’ Mar) brinca comigo dizendo que eu ainda acredito na humanidade, quem sabe esteja certo. O essencial do Pequeno Príncipe talvez tenha morrido na guerra, a mesma que matou seu autor e hoje assume tantas mascaras, mas é o velho terror de sempre.
Vai-se maquiando, fingindo-se uma delicadeza humana que não se tem, no fundo há um enorme estômago no lugar do coração, nada, além disso. Além das entrelinhas encontra-se a morte ou o crime.
Boris Casoy apresentador de um telejornal na TV no último dia do ano (2009) disparou contra dois gentis garys que desejaram para todos nós um grande 2010: “dois lixeiros do alto das suas vassouras, os últimos na escala do trabalho desejando feliz ano novo” no outro dia o tosco jornalista pediu desculpas e ficou tudo por isso mesmo.
É assim que essa gente pensa, o “isso é uma vergonha” ou “dominado” tão utilizados pelo senhor Boris só revela o sentido real de como ele enxerga o povo desse país, o povo que não cheira pó nas coberturas da Avenida Paulista ou nos camarins das TVs.
Há uma belíssima canção da banda Catedral, Carpe Diem, na qual há uma frase simples, mas sínteses de tudo escrito aqui: “Estamos ainda no tempo dos indivíduos/ há tantas auroras que não brilharam ainda/ vai coração dizer/ ele está aqui/ aproveite o dia/ todo espelho mostra apenas o que queremos ver”.
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