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Desemprego

Lula deixou o país com quatro milhões de desempregados, Dilma com dez, Temer com doze e o atual presidente desde que tomou posse nunca se posicionou sobre esse drama, tá mais preocupado em acossar comunistas e subversivos que só na paranoia 1964 dele brotam em cada esquina do país, enquanto isso milhões de pais e mães de família agonizam neste sofrimento que leva a desesperança e depois ao desespero. É fato que a tecnologia potencializa o desemprego, mas é senso comum crer diante o desaparecimento de muitas profissões que o desemprego é fato consumado. O fim de muitas profissões não significa o fim do emprego ou trabalho. Ao contrário do que pensam liberais econômicos que mais parecem blocos de gelo que assumiram formas humanas, o Estado é sim o gerente financeiro do país, o mercado não é nem deve ser senhor absoluto da economia , o mercado trabalho apenas com uma meta: o lucro. O Brasil carece de infraestrutura, ferroviais para o transporte de carga e passageiros ligando o sul ao norte…
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Sombras

Choveu muito ontem à noite, as luzes queimaram depois de um relâmpago intensamente belo. Os cachorros choraram, fiquei acordado rezando para a chuva não ir embora, mas lembrei dos moradores de rua e tive vergonha da minha reza. Estou me sentindo doente, mas ainda crendo na primavera da vida. Tenho medo e esperança, esperança é pesadelo, o que há dentro do silêncio do meu corpo? Hoje sonhei que chovia palavras sobre mim, fiquei apavorado, corri pela rua, cheguei ao posto de saúde, implore por algo que me faça dormir. James Last toca aqui neste meu desconsolo, é uma prisão meu desconsolo, todos os lugares que ando são os mesmos abismos, é um azedo viver e o medo de que a morte seja ainda pior que este momento indelicado que me fere, me machuca, me faz perde a paz. Preciso de ajuda, preciso de socorro, sou barco naufragado em deserto, pássaro aprisionado em nuvem. Olho e não enxergo, envio cartas e não recebo resposta, fico nu e ninguém nota minha nudez. Quero Lara's Theme from Doctor …

Menos Pedro e mais Cristo

Certa vez Malco, servo do sumo sacerdote, teve a orelha decepada pela espada do Apóstolo Pedro, Cristo repreendeu Pedro mandando que ele guardasse a espada e curou a orelha de Malco. Esse episódio serve para ilustrar um dilema dos nossos dias: por que pessoas que se dizem cristãs declaram apego às armas? A desculpa para isso é autoproteção, a violência sem controle. Esse argumento é falacioso, ou seja, parte de uma premissa verdadeira para chegar a uma falsa conclusão. Durante longos cinco meses trabalhamos para o Estado brasileiro, a carga tributária é imoral e extorsiva, no entanto nos portamos diante o Estado como servos: perdoamos, nos resignamos e aceitamos um tratamento desumano. Governo após governo aceitamos passivamente o jogo ideológico de todos os partidos enquanto nossas vidas são consumidas por um Estado glutão. O Estado artificialmente incompetente quer transferir para os cidadãos o papel que é dele e das forças polícias: cuidar da nossa segurança. Liberar posse ou port…

Jornalismo X ditaduras

Não sou do tipo que acredita na santidade do jornalismo. Empresas de comunicações e até mesmo jornalistas independentes têm seus interesses, mas prefeito o jornalismo com todas suas contradições e seus erros do que a ideia de infalibilidade de líderes políticos. Se o jornalismo errar pode ser confrontado até mesmo por ações jurídicas, por isso mesmo um dos sintomas que caminhamos para uma ditadura é o ataque ao jornalismo, jornalistas podem e devem ser confrontados dentro das regras democráticas, fora disso sempre haverá alguém tentando esconder algo ou criando para si um jornalismo tendencioso que seja apenas porta voz de suas verdades. Quando vejo políticos usando robôs em redes sociais para incitar ataques a jornalistas  e tantas pessoas compartilhando esses ataques penso que estamos em um momento no qual a democracia pouco importa, há pessoas convictas de que o mundo ideal é o mundo da tirania e não estão preocupadas se tiranias provocam mortes e sofrimento, é uma escolha, uma opçã…

Caminho

Se deitares comigo minha alma pousa em um astro qualquer, tenho essa indiferença com a presença, porque mesmo de quem sou vivo exilado, nem a solidão suporta a frieza com que vivo na presença da minha companhia, vagar por lugar algum. Esmo entre vazio e sintaxe amordaçada nesta língua cansada. Escrevo a endereços inexistentes e espero respostas vazias que por fim me traduzem. 
http://poesiaeguerra.blogspot.com

Ibaneis Rocha

Ao Excelentíssimo Senhor


Ibaneis Rocha


Governador do Distrito Federal


Brasília, 06 de janeiro de 2019.


Exmo. Sr. Governador,


Venho solicitar a Vossa Excelência que atente para a situação das árvores em Vicente Pires. Como morador fico feliz pelas obras que começaram e agora, tenho certeza, na sua gestão serão retomadas de maneira humanizadas. E é por acreditar na visão humanista de Vossa Excelência que escrevo aqui, não para pedir nada para mim, mas para as árvores que ficam nas vias públicas. Com o alargamento das ruas sei da necessidade se cortar algumas árvores, mas o que me causa terror é saber que quase todas as árvores serão arrancadas das ruas, árvores que fazem parte do único paisagismo verde de Vicente Pires, no entanto não é só uma questão estética, mas também de saúde. Como sabemos as árvores atenuam o calor, barulho dos carros, retém a poeira das ruas, nos oferecem sombras, acalmam e claro filtram o ar. Não queremos que Vicente Pires tome, por exemplo, a avenida comercial em …

Villa-Lobos: Bachianas Brasileiras

Hoje 04 de janeiro de 2019 escrevo como um barco a esmo no mar, olho o horizonte e me apavoro, olho ao meu redor e tenho medo. Agora que meus cabelos começam a embranquecer me assusta do desamparo desse tempo. A vida por ser tão breve, poderia ao menos ser em sua metade suave, nesta metade de agora no qual a velhice sorri no espelho. Há ferrugem nas minhas artérias, há suor amargo na minha boca, há sombras no meu espirito. A dor não é adolescente, assim como a sabedoria não pertence só à maturidade. Estou morto, bato bato bato e bato a porta, mas ninguém ao menos escuta as pancadas do meu desespero. Sonho com um velho conhecido, nos perdemos no mesmo labirinto da nossa infância no velho Prédio da Leste, estamos mortos, estamos cansados dessa morte inútil. Mortos inúteis estacionam na porta do céu, se perdem no labirinto amargo de crer na inexistência de Deus. Enquanto escrevo meus dedos doem, meus olhos doem, minha vida morta doe. Mortos tristes do Campo de Caridade, mortos cansados …