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“Feliz ano velho”

Tomo emprestado o título do romance de Marcelo Rubens Paiva “Feliz ano velho”, para falar  que  sentiremos, como os poetas românticos, saudade do passado, desejaremos voltar a infância na qual os monstros eram só fantasia em historinhas infantis.  A lei de segurança nacional será usada para prender e intimidar qualquer pessoa que demonstre descontentamento com o governo a partir de 2019. Novos ditadores sabem que melhor que um golpe de Estado tradicional é operar em uma democracia doente.  Todos os atos de violência praticados pelo Estado contra minorais, contra a liberdade de expressão, contra a dignidade humana serão aplaudidos de pé por parte considerável da sociedade demente que tomada pelo messianismo será capaz de matar em nome da vida.  Esperar de um homem que passou sua vida salivando ódio contra os direitos humanos  que ele ao chegar ao poder máximo político do país se comporte de maneira descente e respeite a vida é ser estúpido ou desonesto intelectual.  Tanto Bozo quanto …
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Carta aos desempregados

O governo olha para os números de desempregados com frieza cruel, não enxerga os nomes, as histórias de desencanto que o desemprego impõe a tantas famílias, mais que índices, os números do desemprego revelam a tragédia de vivermos em um dos países mais ricos deste nosso mundo e estarmos na eterna fronteiraentre a pobreza e uma vida tranquila e segura. O desemprego adoece, constrange, machuca, destrói famílias, acaba com amizades. O desemprego é a porta aberta para a solidão, para se ter vergonha de si mesmo, o desemprego não é uma opção é uma realidade política que surge entre a desarmonia das políticas de governo e o setor produtivo, o avanço tecnológico e a falta de incentivo para requalificação profissional. O Brasil produz mais riquezas que os Estados Unidos, no entanto nossas riquezas são devoradas pela máquina pública, há um abismo entre o Brasil real e o Brasil governo, governo que não tem alma, mas estômago, devora tudo e produz desigualdades sociais profundas. O desempregado nã…

Doutrinação escolar e memória

Fim de tarde com Lou Reed

Dia nublado, nuvens tristes, tempo entrecortado pela brisa fria. Amo os dias cinzentos dessas horas incertas. Não há alegria nas ruas, tudo quieto como um pós-sexo sem orgasmo, tudo quieto como um olhar indelicado nos dissabores dos meus desejos. Vejo fotos dos meus amigos, escrevo sobre eles no meu diário, sobrevoo o divã mágico no qual tento me encontrar. Chove, é tão gelada a tarde, lamento pelos moradores de rua, pelas crianças nas ruas, pelas crianças tristes nos orfanatos. Quando gritamos e ninguém nos ouve, quando choramos e todos fogem, quando perdemos o emprego e ninguém nos ensina o caminho, quando nos aprisionamos nos braços invisíveis medo é preciso caminhar, é preciso caminhar, é preciso dizer ao amor: estamos vivos. A rua é tão infinita, os olhos tão tristes, o amor tão imperfeito, o verão assustador, o medo profundo como o olhar de quem não queremos por perto. Um piano, uma voz, um violão, um desejo de flutuarmos no espaço, um pedaço de terra, um barco sem rio, um mar…

Educação do futuro

Do autoaprendizado até ser premiada pelo Conselho Britânico a professora Renata Madureira transformou sua vida e de seus alunos. Seus projetos de conexão com turmas de países como Estados Unidos, Argentina, China, Israel, Japão, Turquia, Nova Zelândiae Inglaterra tem duplo efeito:faz com que seus alunos aprendam inglês trocando ideias, brincando, aprendendo sobre a cultura de outros países e faz com que alunos desses países aprendam sobre o Brasil, os alunos estrangeiros ficam encantados com o país que descobrem, um país vibrante de inúmeras manifestações culturais. No livro “Educação do futuro”, lançado pela Bookess Editora e Livraria International SBS- Educação, de autoria da professora e escritora Renata Madureira, a autora faz mais que um relato da sua consagrada carreira de professora de inglês, nos traz exemplos concretos de que é possível fazer do Brasil um país bilíngue. É impossível abraçar uma profissão sem que tenhamos  em primeiro lugar paixão por ela, em segundo dedicaçã…

Anjos da morte

Para os anjos da morte, nós os pobres, somos o problema central do Brasil. Para os anjos da morte o Estado deve eliminar os pobres em muitas frentes:
Pela saúde: nos deixa sem saneamento básico, sem coleta de lixo, sem hospitais ou postos de saúde, sem educação sexual. A ideia é que as doenças no mate ou destrua lentamente nossa saúde, impeça o desenvolvimento físico e intelectual.
Pela Educação: deixa nossas crianças sem creches, o ensino fundamental é negligenciado, o ensino médio é sucateado e a universidade tem verbas cortadas, pouco investimento em ciência e tecnologia, mata-se a capacidade intelectual, cria-se batalhões de imbecis intelectuais e incapazes de entender as razões do inferno em que vivem, por último culpam a falta de capacidade ou ânimo dos pobres vencerem, escolhem algumas pessoas pobres que conseguiram vencer esse atentado intelectual e usam essas pessoas como exemplo de que basta força de vontade para vencer na vida.
Pela violência: Transformam áreas empobrecida…

Amelita Galli-Curci

A voz soprano de Amelita Galícia-Curci (1832-1963) é uma companhia quase que mítica nestes tempos de tormentos e desesperança. Amelita é uma cantora de voz agradável e elegante, seu canto é uma ponte para um lugar mítico no qual o sofrimento é uma palavra que não se encontra nem nos dicionários. Amelita nasceu na Itália, foi uma das primeiras cantoras a gravar discos, pertenceu a uma geração maravilhosa, cantou algumas vezes com Enrico Caruso, deixou um legado poético musical de extrema sensibilidade. Não sei se foi sua intenção, mas as árias ou trechos de óperas que Amelita gravou e  chegaram até nós tornam o canto lírico algo mais próximo, mais familiar, talvez pela voz dramática e romântica, talvez porque todos nós de alguma maneira somos como algumas óperas: demasiadamente humanos, dramáticos, solitários e incorrigíveis românticos. Amelita não é o verão, é um dia de chuva preguiçosa, aqueles dias de frio nos quais imaginamos que a vida é eterna, que queremos apenas amar sem medo …