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“Coming In From The Cold”

O disco  despedida de Bob Marley “Uprising” foi lançado em 1980 pouco antes da sua morte, doente e sabendo-se terminal Bob em seu último disco foi inspirado e inspirador. A música que abre “Uprising” é “Coming In From The Cold”, ou seja, “ Vindo do frio” é um hino à vida, doce e bela vida, a alegria de estarmos vivos. Ao dizer que nesta vida mesmo que estejamos vindo do frio Bob questiona: “It's you I'm talking to now/ Why do you look so sad and forsaken?” em tradução livre “ É com você que estou falando agora/ porque está tão triste e entediado?” e arremata “When one door is closed/ Don't you know another is open?”, “ Quando uma porta se fecha você sabe que outra se abre?”. O desespero de oportunidades perdidas, desemprego, dos estragos financeiros, dos punhais cravados nas costas por “amigos” outrora frequentadores das nossas almas e vidas, da falta de crença em si e na tristeza de se sentir só pode levar-nos a loucura. A primeira vez que ouvi “Uprising” foi em uma casa…
Postagens recentes

Punição social

Prisão não resolve muita coisa e não basta. Muitos empresários foram presos ou denunciados por corrupção, alguns pagaram ou vão pagar multas, outros fizeram delação premiada e tiveram penas abrandadas, mas isso não diminuir o estrago causado não só por eles como seus comparsas políticos, por isso penso que tanto empresários e políticos que cometem crimes de corrupção e desvios de verbas deveriam além das penas possíveis serem obrigados a construírem, em curto espaço de tempo, creches, escolas e centros para tratamento odontológicos e dependentes químicos, o que cada um ou suas empresas construiriam deveria ser estabelecido por um juiz e de acordo ao roubo praticado por eles, deveriam também ser obrigados a trabalharem nas obras. Além da construção eles deveriam manter os custos de manutenção por uns vinte anos, depois estados e municípios assumiriam os custos. Em 2013, dados do IBGE apontam que apenas 27% das nossas crianças tinham acesso a creches e essas dados não mudaram, 11% da p…

Dias dos namorados e etc

Há quem só lembre que tem uma mãe no dia das mães. Pais? Esses mesmo com um dia no calendário não é uma data festejada com entusiasmo pelo comércio. Há os namorados e suas fotos açucaradas em redes sócias, esses apaixonados de esquina virtuais são capazes de terminar e começar um novo “amor” se um dos pares esquecer que no dia dos namorados cartão de crédito é para ser usado sem limites, mesmo que o amor não seja lá tão sem limites, os enamorados querem um amor para si e para expor em redes sociais, afinal, vai-se longe o tempo que existia “vida íntima” é preciso compartilhar da ejaculação ao parto nas redes sociais, o amor é uma novela das nove. Fico pensando sobre os mortos, os mortos mesmo, os enterrados nos cemitérios, dia 2 de novembro é o dia dos mortos. O que diria os mortos esquecidos, os que no dia de seus enterros aturaram chiliques, gritos desesperados e conversas enfadonhas como: “ele agora vive com Deus no céu”, “ foi uma pessoa sem defeito”, “ quase uma santa” e agora e…

O extermínio da juventude negra

De cada dez pessoas assassinadas no Brasil sete são negras. O que isso quer dizer? Extermínio da juventude negra. O racismo que leva ao extermínio da juventude negra nasce no Estado brasileiro, o Estado é racista e estimula o racismo. O Estado é racista e assassino, sobre suas bênçãos psicóticas o povo brasileiro é levado ao abatedouro social. São muitas as frentes de extermínios dos pobres e negros neste país: mortos por armas de fogo, muitas do próprio Estado, mortos pela ausência de atendimento médico, mortos intelectualmente por um sistema de ensino propositadamente deficitário, mortos por um sistema de leis que facilitam e estimulam o crime, mortos por uma justiça parcimoniosa com ricos e agressiva com pobres, pela ausência de justiça. A ideia de branqueamento da população do Brasil não é novidade, o Estado sempre buscou branquear a população, agora vivemos sua ação mais agressiva, exterminar a juventude negra e homens, é para o Estado assegurar que nas próprias gerações a popu…

“Estou com fome”

“Estou com fome”, foi assim que A. D. S, homem, "morador" de um lugar abandonado aqui de Brasília se apresentou. Perguntei de onde era, respondeu: “do norte, do nordeste, sou como dizem aqui paraíba” . Ao saber sua idade fiquei chocado, com apenas trinta anos parecia ter o dobro. Pai de dois filhos e com mulher, deixou o nordeste, caminhou a esmo, pegando carona, pedindo comida e não sabe como chegou a Brasília, segundo ele, “a cidade dos homens”. Olhei minha carteira e dei o que tinha, não era muito, mas cada centavo estava carregado de emoção e solidariedade, era como se aquele homem fosse carne da minha carne, sangue do meu sangue, tínhamos raízes comuns, eu tive um pouco mais de oportunidades e ele foi esmagado por aquilo que durante anos tentou também me esmagar. A miséria em Brasília é nordestina, saindo de Brasília e pegando a estrada em direção a Bahia, há uma imensa favela de barracos de plástico, o sotaque, fome e miséria daquele lugar é nordestino, homens, mulher…

Ediney Santana: Uma metáfora para o amor

Seja passivo, morra passivamente

Partidos socialistas se unem a partidos capitalistas
e roubam através de organizações
criminosas empresariais
R$ 200 bilhões dos brasileiros todos os anos.
Seja passivo, morra passivamente.
Brasileiros estacionam seus carros
em cima das calçadas, brasileiros se matam por causa
de times de futebol, brasileiros
se odeiam , a xenofobia e racismo são
furúnculos de um povo que
se nega enquanto nação.
Seja passivo, morra passivamente.
Um senador depois de discursar que é preciso
garantir uma renda mínima da mínima
aos brasileiros em situação de extrema pobreza
abre um Château Latour e se declara
para sua prostituta de luxo, que cobra por programas
federais : 1 h R$ 3 mil reais. Asas de morcegos flanam
na Esplanada dos Mistérios.
Seja passivo, morra passivamente.
Deputado abre a bíblia e pede ao deus, lá dele: “proteja
o povo”, deputado eleito com o dizimo de
brasileiros vitimados pelo Estado, votam
nos canastrões que se dizem intermediários de Deus
e esperam assim dias melh…