quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Eleições e o seu voto?

Ediney Santana
Nunca foi tão fácil votar em alguém neste país. Nestas eleições a escolha do candidato certo não se baseia em partido ou suposta ideologia que dizem defender, porque há muito tanto faz o partido. O perigo da dor pós-eleição é bandeira secreta de todos, o que difere mesmo são os rebeldes políticos, aquelas personalidades que infelizmente precisam de um partido para concorrerem nas eleições. Mas como escolher com certa segurança um candidato?
Eu faço a seguinte equação: teor de ódio nos discursos dos candidatos e da sua militância (se a militância é agressiva, adepta de discursos de ódio e o candidato não se manifesta contra é porque sua militância é porta-voz das desgraças secretas que ele guarda no coração) + discurso de honestidade (quem é honesto não precisa fazer disso  bandeira) + quem financia a campanha? + quanto mais carros de som, quanto mais mobilização em redes sociais, quanto mais militantes mais algo ta errado, quanto mais dinheiro , mais caixa 3,4,5... + desonestidade intelectual + xenofobia (essa história de “candidato da minha terra”, “nosso sangue”, “nossa gente é quem nasceu aqui”, “a cidade para os que nasceram nela” é tão somente crime, crime de xenofobia) + manipulação dos fatos + manipulação da justiça + constrangimento emocional= crime.
A conta desse crime quem paga somos todos nós, você vota em um prefeito e elege organizações criminosas. Por tanto, faça esse exercício: pergunte. Viu carros plotados? Pergunte quem pagou pela plotagem, muitos santinhos? Pergunte quem pagou? Comitê? Pergunte quem paga as contas?carreatas? Pergunte quem paga a gasolina dos carros? Pergunte tudo, pergunte quem paga os seguranças, quem paga?
Não se iluda, quem menos elege políticos é o povo, não estou dizendo que há fraudes nas urnas eletrônica, nada disso, estou dizendo, que há fraudes econômicas, emocional, manipulação intelectual, indução, chantagem e todo os tipos de crime emocionais e econômicos.  Fique esperto, é sua vida e de sua família que você tem o dever de defender.



quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Terei compaixão da ex-presidente Dilma

Terei compaixão da ex-presidente Dilma, mas não hoje, só depois de algum amanhã ainda indefinido, até lá terei compaixão dos meus, dos que com eu vivem na amargura dessa tragédia política passada de mão e mão desde sempre, até chegar o dia no qual terei compaixão da ex-presidente Dilma, sentirei a dor dos meus, dos famintos, dos desdentados, dos que não sabem o que é amanhã, até lá, até ter compaixão por essa personagem inventada pelo mórbido Lula, sentirei compaixão de outras tantas mulheres que não tem plano de saúde, das mães que vivem longe dos seus filhos. Irmano-me não com a ex-presidente Dilma, mas com as avós que sustentam suas casas de filhos sem empregos e netos de futuro incerto, me irmano com os que não têm grana para pagar advogados e morrem nas garras de um Estado criminoso. Sentirei compaixão de Dilma, mas antes sinto das senhoras idosas que vivem de catar no lixo o sustento de cada dia, os carroceiros tristes que vejo aqui em Brasília vivendo cada dia como se fosse o último, me irmano com os pais que vivem longe dos seus filhos, que saem por este país tomado por canalhas, canalhas ideológicos de esquerda e direita, parasitas da dor e da morte. Sentirei compaixão da ex-presidente Dilma, mas uma compaixão diferente, algo que ela nem seus próceres sabem o que é, compaixão que me impede de desejar que ela se foda, como se fodem todos os dias os pobres desses país, pobres muitos deles aleijados do sistema de educação competente. Sentirei por essa trágica figura da ex-presidente um tipo de compaixão sem interesse algum, sei que durante todo esse tempo ao deitar a cabeça no travesseiro Dilma só pensava no cargo, no poder, não está nos seus olhos solidariedade alguma. Ainda há um bando aprendizes de picaretas segurando cegamente bandeiras que mais parecem mortalhas para cobrir os mortos por esse sistema político carniceiro e desumano.
A vida nunca esteve na agenda política nem da direita, tão pouco esse amontoado de sentimentos mesquinhos chamado esquerda, neste país triste direita e esqueça se completam, são canto da morte e da dor, a morte é a agenda da política no país, para manter sua agenda perversa tem como cúmplices lideres religiosos, servidores públicos, artistas, políticos e  membros da própria justiça todos irresponsáveis, dão as costas para o país e vivem a mesquinharia do poder.    



terça-feira, 2 de agosto de 2016

Coxinhas unidos jamais serão vencidos

Li recentemente uma pesquisa que fazia uma radiografia de quem eram as pessoas, a maioria delas, que vão para ruas protestar contra ou a favor do governo. Excetuando-se os pobres, desempregados e moradores de rua aliciados por alguns trocados para vestirem camisas vermelhas; todos são coxinhas, classe média. A maioria são de servidores públicos que agarrados a estabilidade se sentem mais corajosos para o enfrentamento aos “conservadores”, “ reacionárias” e claro “ golpistas” que afinal são seus colegas de classe social e férias na Europa. Ainda temos os estudantes, aqueles seres que no passado amavam o país, mas hoje pega feio amar o país, isso é coisa de “fascista”, hoje ama-se um partido, porque sem esse partido o avô do meu avô ainda estaria em uma senzala e eu corro sério riscos de voltar para senzala. Pobres estudantes, com suas línguas afiadas em xerox de capítulos de livros, recortes da alienação. E por fim temos os que são aliciados, são esses que fazem número, depois das manifestações voltam para suas calçadas, para a invisibilidade social.
A vitimização política afina os discursos de ambos os lados, ambos vivem loucos atrás de uma fato que renda curtidas na internet, um soco na cara, um gás de pimenta nos olhos, enfim, qualquer violência que os façam heróis da canalhice política que assola o país. 
A boa notícia é que essa classe média elitista de direita e esquerda, esses golpistas da razão e dignidade estão cada vez mais isolados, eles não perceberam (são muito soberbos para prestarem atenção no que não os “representa”), mas estão cada vez mais isolados, cada vez mais serão mortos vivos no cenário político e cultural do país, serão jogados no limbo do que de fato são. http://poesiaeguerra.blogspot.com.br

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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Os Escravos

O livro que não foi lido. Publicado em 1883, doze anos depois da morte do seu autor, “Os Escravos” de Castro Alves é um longo manifesto político-poético que além de denunciar as mazelas da escravidão ataca de maneira contundente os poderosos do seu tempo. A poesia social e erótica são duas linhas poéticas que desafiam qualquer autor por flertarem perigosamente com o óbvio, não raro ao lermos poesias com teor social temos a impressão de ouvirmos discursos políticos que ao fim grita-se: volte em mim.
Não há poesia sem lirismo, é da natureza poética a voz lírica, sem isso pode-se ter poema, a forma, mas não poesia, por isso mesmo que a poesia não se manifesta apenas na forma de poema, um texto em prosa pode ser construído todo poeticamente, mas quando se pretende fazer poesia e não se consegue levar ao óbvio o traço lírico, tem apenas um discurso prosaico.
Castro Alves flertou perigosamente com o prosaico nas suas poesias, flertou, mas não caiu na armadilha de fazer uma poesia que lembrasse apenas notícias de jornal ou retrato fiel de uma época, se assim fizesse seus versos estariam presos em um tempo espaço determinado.
Castro Alves domina com perfeição o uso de figuras de linguagem e retórica, tudo isso com conhecimento de história e mitologia e claro muito talento, ao somar tudo isso com seu espírito inquieto e vanguardista forjou uma poesia única.
“Os Escravos” poderia ter apenas valor histórico, mas vai além disso, é grande porque seu autor além de contar em versos as misérias da escravidão apontou de maneira única seus ideólogos, é grande porque Castro Alves foi um leitor voraz e é lendo que se aprende, aprendeu com os grandes poetas o ritmo dos versos a importância do lirismo para poesia. Tenho a impressão que “Os Escravos” nunca foi lido em sua plenitude, sempre se pegam a parte no qual o autor expões os dramas dos cativos, mas nunca ou quase nunca quando ele coloca contra parede os poderosos do seu tempo, isso tem razão de ser, razão covarde, conveniente.
Em um Brasil no qual artistas de hoje fazem da arte apenas manifesto político para suas questões pessoas e não sociais, ler Castro Alves é nos reencontrar aquele sentimento perdido de que este país é grande e aqui se incentivando tantos outros Castro Alves ainda vão nascer.

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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Literatura e pré-censura

Ediney Santana
A literatura brasileira de hoje vive um neo- parnasianismo egocêntrico. A escrita se justifica apenas pela presença de quem a escreve, das panelinhas acadêmicas, virtuais a saraus pretensamente vanguardistas, mas tão conservadores quanto qualquer estética burguesa e palaciana reina a elegante decadência de como falar sobre o nada.
Intimidação cultural é aquele momento em que alguém começa escrever e sente a presença invisível da censura, aquela voz que de maneira autoritária diz o que deve-se escrever ou não, a voz que leva o autor a ter medo de colocar no papel sua real vocação literária.Isso acontece porque há um criminoso processo político que une direita e esquerda política,querem o controle de corações e mentes, são duas maneiras gastas e previsíveis de exercer o poder, se alimentam, se justificam e são intolerantes com quem não aceita esse jogo binário.
Todas nossas relações sociais estão contaminadas por essa censura híbrida da esquerda e direita é preciso  vencer, superar esse estágio, mas claro, muita gente se sente confortável nesta cama de espinhos. Tudo isso censura o fazer artístico mesmo antes que ele se materialize, a promiscuidade cultural se torna razão da própria arte.
Em qualquer feira literária, em qualquer programa voltado para literatura a diversidade existente não se distância da maneira única de pensar, é acolhido quem de joelhos se submete ao delírio preto e branco dos censores de plantão.
Há muito não dialogamos mais com a liberdade artística.  A ideia de arte alternativa é tão somente isso, uma ideia, a vocação libertária que essa palavra traz não condiz com uma sociedade esfomeada por reconhecimento e reconhecimento não acontece tão somente pelo talento que alguém possa ter, vence quem de alguma maneira não oferece riscos para o sistema bem montado que controla toda sociedade.

Nada mais próximos neste momento de que os supostos antagonistas sociais, parecem distantes, mas são interdependentes, ficar contra a tudo isso é saber que será invisível por um tempo que pode durar para sempre. As homenagens não são para os dissidentes desse grande teatro, mas quem tem consciência, como bem escreveu João Apolinário, é para ter coragem.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Solidão

Ediney Santana
Cantou Belchior em “Alucinação”: “A solidão das pessoas nestas capitais”. A necessidade de ficar só, de reduzir ao mínimo a interação com outras pessoas pode ser uma escolha pessoal ou não, pode ser sintomas de depressão ou aleijo social. Estamos vivendo quase sem memória solidária ou afetiva, se o outro morreu de fome? Atropelado? Se foi demitido? Quem bom que não foi conosco, é assim de maneira indiferente a dor do outro que a qualquer momento pode ser nossa também que estamos vivendo, a ilusão de que na nossa bolha social estamos seguros têm nos isolado, adoecemos, perdemos o encantamento com a nossa espécie, se ama um cachorro e se despreza aquele humano que ao nosso lado tem medo até de nos olhar nos olhos.
Estamos vivendo uma neo- escravidão, as relações são pautadas no servilismo, por mais que se digam amorosas, não são, enquanto o outro for serviçal está tudo bem, se não, está tudo errado. “Meu amor”, “meu bem” ou “meu amigo” são códigos não para demonstrar amor sincero ou gentileza afetiva, depois de pronunciadas essas frases segue-se um pedido ou uma ordem, não raro carregado de chantagem emocional. Estamos sós, sofremos da pior tipo de solidão, aquela dolorosa descoberta que mesmo acompanhados não estamos ali para compartilhar, dividir responsabilidades, descobrimos que somos como um móvel da sala.
Esse século se revela o mais cru e sórdido de todos, nele chegaremos à terceira ou quarta guerras mundiais, mas não será uma guerra ortodoxa, será uma guerra de destruição do nosso legado emocional, ataque a nossa sensibilidade, a bússola vai apontar sempre para o medo e coação, estamos em guerra, cabo de força em que todo vão perder, nossa espécie caminha para a barbárie emocional.
Perdemos o gosto pelo convívio gratuito, sempre deve-se tirar algum proveito, queremos amor e não nos preocupamos com quem diz nos amar, somos ásperos, duros, não queremos sentir fome, mas pouco nos incomodamos com a fome de quem vive perto de nós, o amor se tornou uma foto ostentação no fecebook vendendo uma vida que não existe.
Se vamos reverter isso tudo? Espero que sim, mas creio que não será nossa geração que fará isso, estamos apenas cumprindo tabela, nosso tempo passou, deixamos esse triste legado de destruição da nossa natureza humana, deixamos nossa soberba como se fosse um retrato 3X4 impresso nessa triste página da história, fica nossa indelicadeza emocional, perdemos o caminho de casa, vivemos a esmo na nossa condição de gente e pessoas.
Mas...Quem sabe, ainda revertemos tudo isso, passamos olhar para o presente, entender o quando a melhor vida que podemos ter é ter ao nosso lado parceiros e não competidores, amigos e não inimigos, amores e não escravos emocionais,  fé e não temor, coragem e não covardia, gentileza e não aspereza. Tudo podemos, inclusive amarmos em profunda grandeza.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Ana Cristina Cesar: A teus pés

“Existe apenas um único problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida significa responder à questão fundamental da filosofia.” Essas palavras são de Albert Camus e fazem parte do seu livro “O Mito de Sísifo”. O suicídio é uma ação perturbadora, alguém que comete assassínio de si mesmo e para Camus é esse o único problema filosófico sério, a vida vale a pena ser vivida? Muitas pessoas por inúmero motivos desistem de viver e foi esse o caso da poeta Ana Cristina Cesar que se matou aos 31 anos em 1983 no Rio de Janeiro.
Ana Cristina Cesar viveu intensamente as aflições e alegrias da sua geração. A década de 1970 foi uma grande ressaca amarga, país vigiado, arte oficial dominando a cena e gigantesca vontade de liberdade. A geração litígio com o sistema a qual Ana C. fazia parte queria segurar as rédea da vida pelas próprias mãos e foi com fé em cada verso de cada dia que escreveram e fizeram história.
Ana C. era intensa e mergulhou sem medo no sentimento de mundo que a dominava, deu ao comum o traço do único, do surpreendente, olhar não vulgar sobre o óbvio. Entendia que falar de coisas simples e comuns não era o mesmo que fazer retratos de paisagens tal como são, seus olhos poéticos eram como jardins pintados por Monet, com uma diferença, eram jardins em chamas. 
Ana C. foi era leitora voraz, poeta que lia, parece estranho dizer isso, mas há muitos poetas que não são leitores nem de placas de ônibus e é aí que toda diferença se faz, quem ler pode não se tornar um grande poeta, mas certamente vai trazer ao seu verso a dignidade poética que todo grande poeta tem.
“A teus pés” foi único livro lançado por Ana Cristina Cesar, saiu em 1982, antes dele Ana divulgava seus versos, como quase todos de sua geração, de mão em mão ou mimeografados. Não havia naquele tempo o que hoje faz a festa de poetas e tantos outros que se dedicam a literatura: as editoras que publicam pequenas tiragens. Essas pequenas tiragens que renovam a literatura nacional, na época da Ana, era o sonho de quem queria dizer ao Brasil imerso na ditadura militar que havia uma geração viva, produzindo e reconstruindo as pontes para um Brasil de múltiplas histórias e perspectivas artísticas e culturais. 
Você não sabe que é bom no que faz até que muitas pessoas digam isso para você, claro, você pode ter toda convicção do mundo que seu trabalho é bom, mas só sua convicção não faz seu trabalho ganhar sentido para além de você, quem escreve escreve para ser lido, além disso, seu reconhecimento não depende tão somente do seu talento, há muitos fatores que podem fazer alguém se reconhecido ou viver e morrer na obscuridade. 
Fato é: em uma geração destaca-se quem tem sorte ou talento, nem sempre quem tem sorte tem talento e quem tem talento nem sempre tem sorte, o reconhecimento depende de muitos fatores quase todos alheios a quem busca ser reconhecido. Ana Cristina Cesar tinha talento, estava no lugar certo e a seu favor muitas condições sociais e culturais, dificilmente passaria invisível pela literatura brasileira, mesmo que não tivesse talento teria alguma visibilidade.
Talento é sempre está passos a frente da sua própria geração, Ana Cistina Cesar ficou a frente, não no sentido clichê (o que eu não acredito) dos “reformadores” do mundo, ficou a frente porque era inquieta, só o que vivia não bastava, queria mais, queria outras possibilidades poéticas, não queria esgotar-se na sua geração, tudo nascia e morria rapidamente para ela, era preciso se alimentar sempre de novas paixões e desafios. 
Quem acredita que chegou a algum lugar morreu intelectualmente, não acredito que alguém nasça à frente do seu tempo, pode-se viver anacronicamente, mas não a frente do próprio tempo, temos essa impressão de algumas pessoas porque elas conseguem enxergar que muitos costumes , crenças ou valores já não correspondem ao tempo que vivem e desafiam todas essas crenças caducas . Ana C. não aceitava chegar a lugar algum, tinha sede, queria bebe de muitas fontes, queria experimentar e curiosamente esse desejo desenfreado pela vida a levou ao suicido.
Toda paixão de Ana Cristina Cesar pela poesia, pela vida, pela palavra podemos ler em “A teus pés”, livro síntese de uma geração, mas que não se esgota nesta síntese, livro marginal e marginal que se preza não tem ponto de chegada, não se define, não se fossiliza em conceito algum, marginal que se preza recusa-se a morte como rito para outro estágio de vida, marginal que se preza continua a nos desafiar a rompermos com o passado em que vivemos.
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