Pular para o conteúdo principal
“O gato preto cruzou a estrada” e lá no mais azul de mim nunca mais esqueci aqueles caras de rosto preto, tão preto e até com um certo “ sorriso incolor” Se um João escreve para além mar , mas, também escreve para os meus sertões e minhas veias cactos nunca mais foram as mesmas.
Mas “que fim levaram todas as flores?” ao certo a rainha louca não gosta de ninguém que não fosse o seu espelho de refletidas repetições.
Eu que nunca sou do bem, mas nunca fui do mal, me apavoro porque “jurei mentiras” nunca me preocupei com a solidão de ser de mim o que sempre nunca fui. Eu rodo, rodo no rondó de um Bandeira descoberto por um tal João.
“replante a vida” porque “ contudo” você só será feliz se afogado nos prazeres viver.
Todo mundo é no fundo, assim assado, secos & molhados. Como as andorinhas mortas em pauta de metal por causa de uma clave de metal sem graça que certa bomba fez explodir nos corações em deleite.
Eu me lembro de mim na certeza das nossas manhãs, deve sim o caminho ser sempre aberto ao que amam.
Só os safados dançam, só os que têm plástico entre as pernas agem normalmente mal.
Não adianta cantar canções para o nosso amor, não adianta não. Porque todas já foram cantadas. Eu te pergunto. Vai voltar às andorinhas mortas? Os carnavais centrais, e os palácios vermelhos?
Somos todos pretos, tão pretos, com nossos sorrisos incolores e nossas barbas de arames amarelados, mas sempre, sempre... Assim na vida, meio seco, molhado.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net/

Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Mãos calejadas, meu Deus.

Os escravos eram as mãos e pés dos seus donos, tinham as mãos calejadas do trabalho braçal e penoso nas plantações enquanto os senhores de engenho tinham as mãos suaves. Neste momento aconteceu algo que marcou para sempre a divisão do trabalho: o trabalho braçal e o intelectual, o braçal desprestigiado e intelectual privilegiado. Ter as mãos calejadas passou a significar pouco estudo e baixa qualificação, consequentemente desprestigio social, enquanto o trabalho intelectual passou a ser valorizado, trabalho de “doutores”, de pessoas “importantes”. Essa divisão alimentou e alimenta muitas das nossas mazelas e preconceitos. O presidente Barack Obama disse que não pode simplesmente colocar os imigrantes ilegais para fora dos Estados Unidos, porque o país precisa deles. Nos Estados Unidos trabalho como motorista, gari, baba, diarista, garçonete, frentista ou pedreiro são excetuados por imigrantes, muitos deles brasileiros que aqui não pegariam no cabo da vassoura para varrer a própria ca…