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A dor elegante
De: Ediney Santana


O escritor austríaco Wand Krafstes viveu apenas vinte cinco anos nos sombrios anos 30 do século passado. Publicou os seguintes livros de poemas “O canto escuro” editado em 1925, “ Horas do fim” 1928 e o livro póstumo “ Todos os dias” 1938.
Pouco conhecido no Brasil e praticamente esquecido em seu país Wand Krafstes é um dos grandes momentos da literatura mundial.
Viveu em momento conturbando da história, entre guerras e crises econômicas Krafstes
produziu uma poesia densa, melancólica, mas cheia de desejos, desejos que naquele momento eram os mesmos de toda a humanidade.
Krafstes suicidou-se na primavera de 1930, vivia recluso em sua casa nas montanhas do seu país que tanto amava. Só era visitado por um velho amigo “Frits” que também foi responsável por divulgar sua obra depois de sua morte.
Ler a poesia desse prodigioso homem é mergulhar em sensações raras de encontramos na literatura de hoje, tão repetitiva e tão cheia de formulas do sempre.
Krafstes é um momento raro de encontro do homem para além de si, nele não há encanto do autor com sua obra. Costumava dizer que jamais lia mais de uma vez, depois de pronto, um poema seu. Assim esse jovem poeta nos deixou uma oba impar e repleta de sentidos, sons e imagens.
Aos meus soldados*

Não vais à dor da qual se faz sepultura,
do dia retalhado, a sombra do canto último
paixão de momento, soldado dos meus fins
ciranda impura entre homens de guerra .

Deixa na certeza, o silêncio da cultura
sejas feliz, tempo dos escombros fez intimo
da rua sem gente,explosão novo amor carmins
então me viu demônio caído sem paz e terra

E foi a nossa terra qual de sangue se fez rio
lembranças da terra amada, agora sem vida
em qual chama o amor sem deus de mim se rio?

Sempre ao acaso deus ao escuro, silêncio e frio
alvorada canibal nas casas de amiga querida
meus soldados de peito ao inferno de me partiu.

* Poema de Wand Krafstes publicado em “ Horas do fim” 1928
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net

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