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O Direito sagrado do suicídio
De: Ediney Santana


Ontem à noite no programa TVE Debate o professor Albergaria disse que todos têm o direito sagrado ao suicídio, ou nas palavras dele “o direito de sair de uma festa da qual não foi convidado”.
Fiquei pensando naquelas pessoas que tem graves problemas de saúde, que toma vários antidepressivos, que não conseguem mais responder a estímulos de remédios. Essas pessoas tem o direito de suicidarem-se?
Claro que não, não acredito em suicídio racional. O suicídio é a total ausência de racionalidade, essa ausência de racionalidade pode ser provocada por impulsos internos como por externos.
A depressão em estado grave pode levar ao suicídio, também há o suicídio fracionado. É o alcoólatra que sem forças para resistir sai pouco a pouco da vida, é o usuário de drogas, como o Craker, o qual perde pouco a pouco todos os parâmetros de racionalidade e o autocontrole.
Nessa sociedade esfumaçada e cheia de contradições o suicídio é para muitas pessoas carta de visita ao leve de outro lugar que não se sabe se há. O mundo de hoje nos empurra para o individualismo, para a construção não mais da coletividade, há apenas um grande esboço individualista da humanidade que se sonhara.
Duas grandes guerras, bombas atômicas, AIDS, bolsa de valores, destruição da natureza, forças totalitárias de ontem e hoje no poder, a tentativa de unir conservadores e liberais, comunistas e capitalistas. A tentativa da criação de um mundo uno, sem margens ou espaço para a dúvida é um convite para o crime, para o suicídio.
O professor Albergaria é um grande professor e tem idéias bem claras e definidas da nossa sociedade, mas é fato que o professor tem os dois pés em uma visão de mundo totalmente Romântica e fatalista, não que isso seja ruim. Suas provocações são validas, mas prefiro acreditar que nesta “festa” que é a vida, há outras alegrias, outras canções que não são lá muito sonoras com a idéia de que o suicídio vá resolver nosso, por vezes, descompassado ritmo manco de viver.

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