“lindeberg fernandes alves”
De: Ediney Santana



Outro dia soube que três garotos de 13 e 12 anos levaram uma colega de escola para casa da avó de um deles e a estupraram-na. Uma das mães indagou ao filho o porquê de tanta violência: “Ela foi porque ela quis” foi a resposta de um dos meninos.
Na história contada acima há um pouco de tudo, de desprezo, de ódio vazio, de falta de uma boa base familiar, de falta de respeito à mulher. Tudo isso temperado com um ingrediente indigesto: estamos falando de crianças.
Todos nós acompanhamos nos últimos dias a agonia de duas jovens de 15 anos que eram mantidas reféns pelo ex-namorado de uma delas. Todos nós sabemos o que aconteceu, uma morreu e a outro ficou gravemente ferida. Nessa história assumimos vários papeis: sentimentalistas sem lágrimas e com lágrimas, impotentes, raiva sincera, sentimento sincero, indignados televisivos, pasmos televisivos e indiferentes.
A bem pouco tempo um casal em São Paulo foi acusado de ter jogado a filha de seis anos de idade da janela de um prédio, lembra? Durante o mesmo período que aconteceu o “seqüestro” das duas jovens de 15 anos em São Paulo, dois casos parecidos aconteceram e em um deles o “ seqüestrador” foi morto pela polícia.
Algo nisso tudo me chama a atenção, não vou julga, emitir juízo de valor, nada disso. Minha cisma é com a “capacidade” que muitas pessoas têm de se acostumar com as misérias humanas, com a capacidade de no mesmo instante que se está indignado, se está também passivo.
Nos telejornais isso é também visível, os apresentadores dão uma notícia ruim, ficam de cara amaradas, até esboçam raiva e revolta, mas no estante seguinte dão uma notícia “leve”, “ boa” para os telespectadores . O que acontece? Ficam sorridentes, felizes e com essa mesma velocidade os telespectadores também mudam de humor e de opinião.
Maior que as misérias fabricadas por uma sociedade pervertida é a tragédia de passivamente se habituar, de se tornar imune as misérias que pouco a pouco corroem o que resta de humanidade nessa nossa vida insossa.
Mesmo sabendo que dia menos dia qualquer um pode ser o protagonista de uma triste história da qual a única certeza é de que a dor maior será dos seus protagonistas, os telespectadores mudam de humor e de reação como quem muda de roupa ou melhor de canal.
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