Miseráveis aos farrapos do mundo
De: Ediney Santana

Há muitas maneiras de ser ou se estar miserável. Há os que são miseravelmente colocados artificialmente em condições degradantes de vida. Esses são miseráveis materiais. Não tem casa, comida, saúde, são analfabetizados e vivem como se nunca tivessem nascidos.
Fazem parte, os miseráveis materiais, da reserva imoral da humanidade, são frutos da ganância severa e cega de pequenos grupos que mandam em todos os mecanismos sociais, inclusive nos miseráveis.
A miséria material não é a mesma que a espiritual, o miserável espiritual vive para si e é tão sangrento de sede de si mesmo que mata ou neutraliza tudo o que não for feito para o seu universo egocêntrico.
Assim se pode ser miserável culturalmente, politicamente, economicamente se pode ser miserável em qualquer ação ou espaço da nossa sociedade. Ninguém necessariamente é excluído da sociedade, todos fazem parte desse jogo mesquinho. Há sempre um reserva de miseráveis para que uma classe de pessoas seja erguida nos ombros da lama na qual muitas outras vivem.
No meu livro “Os deuses não são socialistas” (Laetitia Editore 2008) escrevi que o pior tipo de miserável é o que vive só para si. Essa “espécie” de miserável é o idealizador de todos os furúnculos sociais. De sua sede de poder nascem as tragédias como concentração de renda, crime organizado, fome, desequilíbrio ambiental e tantas outras manifestações criminosas.
Para mim e para você resta a utopia da construção, espero que pela esperança e não pela dor, de um mundo menos de alguns e de todo. Um mundo no qual o lucro não seja a base para a fragilidade do ser humano pelo ser humano.
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