Tempo de voltar para Casa, velho Jolk
De:Ediney Santana


Creio que estou voltando para casa, depois de longas férias entre a adolescência,
vontade de mudar o mundo, de acabar com o mundo, de estripar o mundo, de deitar no jardim florido de amarelas flores do jardim da Praça da Purificação, de ser Comunista, de trepar com frutos proibidos, depois de duvidar, acreditar e duvidar novamente de Deus. Volto para casa, como a filha assustada voltaria nos anos 20 depois de ser e se “perder” nos braços de um jovem rapaz de jaqueta de couro e lambreta envenenada.
34 anos e já estou de volta, a casa é quase a mesma, minha mãe já começa a envelhecer, os amigos são quase os mesmos, as dores estão mais acentuadas. Neste período de ausência morreram: Tios, tias, pai, avô, alguns amigos, alguns inimigos, Lula foi eleito presidente, não tive filho, o tempo fechou e abriu para mim. Renato Russo se matou, Brizola? Foi morto pelo tempo. O Bar Vermelho está cada dia mais amarelo.
Já tenho medos, e cada dia estou mais ensimesmado, mais desejoso de estar só. Na verdade gostaria de ficar para sempre nos meus braços, escrevendo meus livros, sendo procurado no Google e não achado.
Hoje pela manhã encontrei Ivana, minha primeira paixão, da 1ª série infantil. O tempo (Belchior) mexeu com a gente e fez um estrago danado nos olhos da menina. Seus olhos eram lindos, hoje parecem ameixas de vidro fosco. Será que ela conseguiu namorar Pedro Henrique, o queridinho das meninas do Monteiro Lobato dos anos de 1980? Pobre Pedro Henrique da 1ª série infantil. (virou contraventor, deu zebra para a dona da escola que achava que ele seria o presidente da república)
Aprendi a mentir para não ser devorado, estranho isso, há sempre alguém dizendo que fez o mal para chegar ao bem. Eu matei para não morrer, mentir para preservar você, trair para ser feliz, dedurei meu melhor amigo para salva-lo das garras de uma terrível piranha, estraguei o namoro da minha amiga porque ela não merecia sofrer.
Erros de humanos corações, erros de corações civis, militares fingem super humanidade, mas matam em nome de coisas que não existem: Pátria, civismo, nacionalidade, território, ordem. Um dia a terra se irrita e faz com a gente o que fez com os dinossauros. Seremos (que dizer nos ossos) re-descobertos por uma nova espécie de formigas arqueólogos.
De volta para casa, sem bem nem mal, sem eira e sem a temível queda da beira. De volta para casa nos braços de um amor qualquer, de uma cama qualquer, pois posso até escolher a quem amar, mas não posso escolher a quem por mim sente amor.
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Laetitia Editore

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