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Odetta, voz e paixão
De: Ediney Santana

A cantora Odetta Holmes, ou simplesmente Odetta, morreu anteontem nos Estados Unidos aos 77 anos.
Conheci Odetta em um documentário de Bob Dylan, fique impressionado com a voz forte e vibrante daquela cantora negra, lindíssima e de expressão séria.
Tentei por varias vezes conseguir gravações de Odetta, mas não tive sorte, então pedi ao meu amigo Sergio Damião que baixasse na internet tudo que pudesse e foi assim que consegui os únicos dois discos que tenho de Odetta.
Muitos artistas foram influenciados por Odetta como: Bob Dylan, Joan Baez, Janis Joplin (1943-1970) e o trio Peter, Paul & Mary. Essa influência não foi só na voz, mas também na postura e na politização de muitos em especial Bob Dylan e Joan Baez que como Odetta mergulharam com suas canções nos problemas sociais do seu país, nunca foram artistas que cantaram o falado “Sonho Americano”. Suas canções cantavam e cantam a dura realidade de um povo que em sua maioria é sistematicamente enganado pelo Estado e pelo sistema educacional americano cheio de preconceitos.
Odetta cantava em suas canções os trabalhadores, os escravos, a mulher vitima da violência. Dava voz a um tipo de norte-americano que não costuma aparecer no cinema e nem nos cartazes de propaganda.
Em agosto de 1963 participou da marcha de Washington ,sua voz juntou-se a de outras 250 mil pessoas que reivindicaram os direitos civis dos negros. O sonho de Odetta não era o sonho americano, o seu sonho era o mesmo Martin Luther King (1929-1968), o sonho de viver em um país justo no qual negros e brancos não fossem julgados pela cor da pele.
Odetta, cantora, voz e paixão. Defendeu a principal bandeira da sua geração e talvez a mais difícil de ser defendida em qualquer geração: a bandeira da solidariedade e justiça social.
ediney-santana@bol.com.br
http://cartasmentirosas.blogspot.com

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