Sujeitos inquietos-inesquecíveis
De: Ediney Santana

Você certamente conhece alguém que não fica quieto, vive planejando coisas e abraça tudo com uma paixão incondicional. Esse tipo de pessoa geralmente é chamado de “sonhadora” ou “romântica”
Lembro de Ernesto Guevara que não sossegava, seu espírito aventureiro o levava pelo mundo. Deixou um importante cargo no governo cubano para se aventurar nas selvas da Bolívia sonhando libertar o povo daquele país, acabou morto, mas antes disso lutou em Cuba, no continente africano e visitou quase todos os países latinos americanos. Sem falar que ainda teve tempo de se formar em medicina.
Nem todo sonhadores e espíritos inquietos ganham fama como Guevara, Martin Luther King ou Carlos Preste que se aventurou com seus camaradas em lombos de cavalo tentando salvar o país das “forças sinistras do mal”. Nem todos são como john lennon que rasgava o verbo em defesa de todas as bandeiras da sua geração, Lennon era um espírito livre.
Falo aqui dos sonhadores nossos conhecidos. Um vizinho que está sempre disposto a ajudar, um médico ou advogado que durante a semana escolhe um dia para atender gratuitamente a quem não pode pagar,um sujeito tão especial e amado o qual todos os vizinhos se reúnem em mutirão para ajudarem a construir sua casa, aquele amigo que sempre nos chama para a grande aventura de vivermos sem perdermos o tesão pelo próximo e por nós mesmos, o professor inesquecível a nos encantar com suas aulas.
Certas pessoas nascem sobre uma “luz” diferente (mas não são nem por isso são iluminadas ou escolhidas para missões de salvação da humanidade) essas pessoas tem a capacidade de provocar, de nos sacudir, de nos fazer acreditar na possibilidade de sempre darmos a volta por cima. Pessoas as quais geralmente não ganham nada por isso, não cobram para fazer palestra, não vendem suas histórias em Best Sellers de fim de ano, nem mesmo querem ou desejam ser exemplo de nada
São pessoas que fazem a diferença no mundo sem chamar atenção, inquietos e apaixonantes, amam sem esperar serem amadas, ajudam em silêncio, gente que tem o poder de transformar a vida de milhares de pessoas sem se tornarem lideres oficiais da vida de ninguém.
Não importa a cor, a nacionalidade ou credos religiosos, não importa sexo, posição social ou o nível cultural, quem faz a diferença faz por ser levado por algo difícil de se entender, mas todo mundo sente o bem danado que essas ações fazem na vida de tantas pessoas.
Lembro de um velho professor de música em Santo Amaro, Seu Luizinho da Rádio, ele dava aulas para mais de cem alunos e não cobrava nada por isso, distribuía gratuitamente todo o material de didático e a única exigência aos seus alunos era dedicação aos estudos da música e a valorização da camaradagem entre eles.
Seu Aluisio é um bom exemplo dessas pessoas inquietas, curiosas e apaixonantes. Como já disso, não é uma questão de fazer o bem pelo bem, não é uma questão de solidariedade religiosa, pelo contrario. Tudo é movido por um forte sentimento humano que transcende a individualidade, os próprios interesses pessoais, é um sentimento de coletividade na qual se sabe o quanto,no dizer de Tom Jobim , “é impossível ser feliz sozinho”.
ediney-santana@bol.com.br
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