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Mostrando postagens de Maio 26, 2008
Minha homenagem a poeta baiana Helena Parente Cunha. Nos dois poemas que seguem há traços de toda sua poética inconfundível.
Helena Parente Cunha escreve para a busca implacável de um mundo possível.
Seus versos vão da delicadeza ao concreto da vida, não há emoção piegas ou exageros. Tudo é perfeitamente conquistado e devotado ao mais exato encontro entre criador e criatura, a poesia lhe serve de porta-voz. O verbo lhe é generoso.
Assim é a obra desta grande poeta brasileira, poeta de vigor e devoção a palavra.


ALÉM DE ESTAR
De: Helena Parente Cunha
vesti-me com a luz pendida
nas espumas que mais brancas

nas ondas que mais ondas
descontei o meu ficar

nas pedras depois das pedras
meu deixar-me por deixar

nos azuis de mais que azul
meu estar-me além de estar



BLOQUEIO
De: Helena Parente Cunha
onde sopra agora o vento
que levava o que eu dizia?

onde se perderam os nomes
que tantas coisas tiveram?

onde ficaram as coisas
chamadas em minha voz?

e minha voz
como assim subtraída?

gosto de pedra
na saliva em minha líng…