Brasil Futebol Clube
De: Ediney Santana

Todos os Domingos os meninos do Alto do Calolé (Rua do Bairro do 2 de julho em Santo Amaro-Ba) desciam o morro até o Largo da Leste para jogar bola.
Vaval um carinha nervoso, briguento e magricela era o “dono” do Brasil Futebol Clube. Time criado para homenagear a Seleção Brasileira de Futebol e porque também era tempo de Copa do Mundo.
Ir ao Largo da Leste os Domingos era um programa divertido para mim, embora nunca tenha jogado bola. Minhas tentativas com futebol foram poucas e desastrosas, por isso mesmo sempre fui escalado para reserva e é claro nunca fui colocado em ação no campo improvisado sobre os paralelepípedos.
Lembro como se fosse hoje daqueles dias de Domingos. Minha relação com os outros meninos não era fácil, sofri muito, apanhei muito. Violência gratuita e injustificável de crianças para crianças. Em meio a tantas agressões fiz três grandes amigos: Fábio Qeu, e Juca.
Fábio era um sujeito falastrão, mas boa alma, boa gente. Só me irritava com ele quando cismava de imitar minha mãe: “Ney “ientra” pa dento Ney, “ientra” Ney”. Era só ele dizer essas palavras que sentia vontade de arranca-lhe a língua, mas nunca brigamos. Há tempos não sei do Fábio o que é uma pena, ele foi para Salvador e nunca mais.
Qeu que depois descobri que o nome certo era Cleu foi e é um grande amigo. Um dia saímos no braço, depois da briga nunca mais nos separamos, nos tornamos amigos. Cleu foi embora para Salvador, Rio Grande do Sul, São Paulo e mais recentemente Camaçari. Cleu é um exemplo de honestidade, trabalho duro pela própria existência e independência. Para mim sempre foi um referência de grande sujeito, grande coração. Cleu Metallllllll!!!!!!!!
Juca, Juca é um dos caras mais boa praça que conheço.Gostava, ainda gosta, de malhar, casou, tem filhos e continua sendo o boa gente de sempre.
Como nunca me deixavam jogar no B.F.C, ia para a estação da leste e pongava em qualquer trem que passasse. Na irresponsável aventura de pongar em trens tinha sempre a companhia de Miguel Doido e Roque, esse dois eram unha e carne. Eram como dois espíritos guardiões da estação. Anos depois Roque entrou para a igreja “Deus é Amor” Miguel morreu. Sim!!! Já ia me esquecendo na estação também tinha o Didi Doido que comprava cigarros fiado em minha banca e mesmo depois de longos períodos de internação em manicômios voltava e pagava.
O Tempo, Tempo, Tempo. Sempre ele para o bem ou para o mal aqui sempre ele em nossas vidas.
Ouvir rádio à noite sempre me leva para saudades de domingos, de momentos com aqueles e seus instantes de bem e mal para mim. Saudade do Brasil Futebol Clube que nuca joguei, no entanto marcou um período da minha vida. Das escadarias da estação da Leste nas quais eu via o vai e vem de uma cidade que um dia ,eu ainda não sabia, viveria intensamente.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net

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