Manda quem corrompe mais, fica em silêncio quem não quer morrer
De: Ediney Santana

Não sei quem foi seu candidato nas últimas eleições, mas meus parabéns se o seu voto não foi dado a um legitimo representante do narcotráfico.
Os narcotraficantes têm o controle quase que total de todos os setores da sociedade. Da política à policia, de elementos da cultura à educação, de movimentos religiosos ao tráfico de seres humanos.
A imagem de bandidos encapuzados fazendo história no mundo do crime não existe mais. Os bandidos de hoje frequentam programas de TV, coluna social e suas empresas de fachadas, nas quais o dinheiro do crime é lavado, estão nos balancetes oficias de todos os níveis de governo.
Os narcotraficantes não se candidatam a cargos eletivos, financiam campanhas e compram candidatos, não gravam discos, produzem grupos de artistas, não escrevem matérias em jornais, compram jornalistas.
Os negócios do crime organizados vão muito além do que a venda de drogas ou prostituição é uma cadeia bem articulada da qual poucos elementos da vida pública conseguem escapar, é um negócio digno de um ISO. Muita gente serve sem saber ao narcotráfico, muita gente compra produtos de origem desconhecida ou não e ajuda aos narcotraficantes a lavarem dinheiro sujo, muita gente vai para cama com narcotraficantes e morre não de amor, mas chacinadas.
Conhecemos pouco sobre o crime organizado. Para falar a verdade conhecemos apenas os seus elementos mais rasteiros. Bocas de fumo em favelas abandonadas pelo poder público, policias corruptos, grupos de extermino financiados por comerciantes, jovens traficantes e suas vidas ligeiras, turismo sexual, pedofilia e tantas outras franquias do crime. Chamo esses elementos de rasteiros porque são refugos dos grandes conglomerados “empresariais" que vivem sobre o controle dos narcotraficantes. São serviçais menores, de grandes organizações criminosas que desconhecem nacionalidades, línguas, culturas, ou seja, organizações que como qualquer multinacionais querem apenas o lucro rápido e garantido, com uma diferença, suas crises econômicas são resolvidas com assassinatos de rivais e corrupção em massa nas esferas dos três poderes.
O trafico de órgão é um dos crimes mais bárbaros cometido contra seres humanos e, no entanto um dos mais lucrativos para os narcotraficantes. Um cem números de pessoas desaparecem todos os anos e muitas delas acabam sendo operadas clandestinamente e tendo seus órgãos retirados e vendidos no mercado marginal de transplantes. O tráfico de pessoas para o mercado europeu e estadunidense escraviza milhares de mulheres brasileiras todos os anos, o trafico e aluguel de armas para as mais diversas quadrilhas garantem aos agentes do crime lucros exorbitantes.
Para que todas as franquias do crime organizado funcionem bem é preciso uma rede bem orquestrada de corrupção não só no Brasil mais em qualquer país do mundo no qual os narcotraficantes desejem expandir seus negócios. Nesse ponto voltamos ao inicio da nossa conversa. Para que os “produtos” do crime circulem livres pelo mundo é necessário comprar agentes da lei, políticos, jornalistas, religiosos influentes, personalidades formadores de opinião. Feito isso o passo seguinte é organizar a grande lavanderia do crime mundial.
Para organizar uma lavanderia do crime é necessário montar empresas de fachada, fazer investimentos na bolsa de valores, contratar doleiros para enviar o dinheiro de um paraíso fiscal para o outro até ele ficar limpinho e depois para garantir o negócio mata-se todo mundo envolvido no processo. Essa parte da lavanderia do crime é muito parecida com o que os senhores de escravos faziam com seus escravos pedreiros. Depois que os escravos terminavam de construir a parte da casa na qual ficaria o cofre-forte todos eram assassinados.
Acreditar que os grandes banidos são os que todos os dias estão nas páginas policiais dos jornais é uma bobagem. Bandidos de verdade estão ao lado de celebridades em programentes de TV, não usam armas, usam laptops, frequntam camarotes nos carnavais e é claro se precisarem de um rim podem simplesmente roubar o meu ou o seu.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net

Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys