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Não sou rei, sou gente com raiva, fome e amor vadio
De: Ediney Santana

Dizem que todo homem e toda mulher tem um preço. Então todos têm inclinação para a prostituição? De certa maneira somos todos prostitutos (as)? Ainda bem que o senso comum não vale para todos nós. Mas hoje escrevo sobre o senso comum do poder político no nosso dia dia.
Tenho observado alguns "conhecidos" meus que estão se lambuzando no poder político (um poder bem pequeno, por enquanto, mas é poder). Esses meus conhecidos até ontem quase todos eram pobres, trabalhadores da iniciativa privada ou desempregados e alguns servidores públicos.
Guardava em mim uma leve esperança que essas pessoas ao chegarem ao poder não iriam esquecer que tem suas origens nos bairros populares, (ao contrário de F.H. F) nunca iriam negar que todos têm os dois pés na senzala.
Alguém outro dia escreveu: “o perfume da casa grande seduziu a senzala”. Ninguém quer viver eternamente em uma senzala (a senzala deve ser negada, destruída, mas nunca esquecida) o que incomoda é reproduzir, aprovar o modelo de uma sociedade de “casa grande” que defende justamente a permanência da senzala. Esquecer que logo ali bem perto há pessoas vivendo miseravelmente, pessoas que até bem pouco tempo eram seus amigos, seus eleitores, pessoas que esperançosas sabiam da importância de ter confiança no outro é perversão humana.
É o Mito da Caverna de Platão ao contrário. O miserável ao sair da caverna não volta para tentar resgatar os seus pares que deixou lá na escuridão, pelo contrário uma vez livre da caverna percebe logo que deve fechar a porta para que outros não venham, para que não batam à porta da “casa grande” e tentem dividir com ele o espaço que julgam ter conquistado.
O poder executivo tem a caneta sempre à mão para comprar corações e mentes. Quando trabalhei na Secretaria da Educação de Santo Amaro-Ba. Dizem que cometi um erro vexatório: não aceitava nenhum tipo de corrupção, seja financeira ou espiritual, que é tão terrível quanto à financeira.
Lembro de uma colega de trabalho que dizia sempre (em uma toada irritante) “hei Ediney é nosso rei”. Isso é corrupção espiritual. Que só serve quando o objeto a ser corrompido tem algum tipo de poder. Uma vez longe do poder meus colegas de trabalho arranjaram outro rei, ou melhor, arranjaram um rei que aceitou a coroa de latão fabricada no submundo do humanicismo.
Esse tipo de coisa em mim não faz sentido nem para o bem nem para o mal. Há muito não sou idealista e perdi a crença no bem ou no mal que algum possa me causar. Negar o poder, sua autoridade, seu perfume e seus manjares é uma rotina na minha vida de solidão e paixão política.
Rubens Alves disse: “quando a gente vê São Jorge e o dragão estabelecendo alianças é porque eles abandonaram seus sonhos”. Desgraçadamente todos os dias São Jorge faz alianças com o dragão. Tudo isso feito com educação e discursos vazios, mas bem convincentes.
Em nome da estabilidade, governabilidade ladrões e gentis senhores fazem alianças. O vereador eleito como na força da esperança de tanta gente fecha os olhos para a corrupção de um prefeito sem ética ou caráter. Alguém muda de lado ao encontrar na rua um ex-colega de trabalho usando perfume da Cesta do Povo (a simplicidade da pobreza incomoda mais que a pobreza) O Brasil é um país perigoso... É o paraíso para São Jorge e o Dragão.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net

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