Pular para o conteúdo principal

Silêncio, por favor... O tempo vai passar.
De: Ediney Santana



Me envelheça o quanto quiser. Creio que envelhecido ficarei como a aparência de “Kromme Vinger,” personagem do filme “A excêntrica família de Antonia”, magistralmente interpretado pelo ator Mil Seghers.
Caso, isso de envelhecer, não for possível, não me mate de vergonha, não me mate sem esperar. Tenho pavor de morte súbita, mas não me deixe penar por muito tempo.
Proteja meus livros das traças, pelo menos até outro camarada encontra-los em alguma biblioteca e resolver fazer outra edição. Há também os discos da Flor Marginal, são meus tesouros culturais, dê um jeito de alguém bom ficar com eles.
Cuide de minha mãe, dos meus dois irmãos. Creio que o melhor, para minha quase velha mãe, nesse caso é voltar para casa, quer dizer para o sertão.
Não deixe que o velório seja longo, quanto mais rápido for, melhor. Sempre achei terrível a idéia de um corpo lá deitado e todo mundo olhando.
Tenha piedade dessa cidade , não acabe com ela antes que a felicidade por aqui apareça... Há gente boa e honesta aqui.
Mortos não vivem muito na memória dos vivos, por isso é bobagem não tomar minhas cervejinhas cada vez mais solitárias, é bobagem não ouvir Fm à noite e não se emocionar com as cartas das ouvintes aflitas por algum coração bondoso.
O tempo é o único deus possível. O único deus que sabe da justiça. Senhor tempo me fragmento na tua santidade!
Me leva pra o teu paraíso, me fortalece nos teus cânticos. Tempo que não ouve apelos, que tem sempre o mesmo verídico, tempo não comprável, não amargo e nem doce, tempo eu te ofereço minha inútil oração.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net

Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…