Farinha pouca, meu diploma primeiro



Em artigo publicado na revista “Fale! Brasília” (nº1/09) o sociólogo Carlos Henrique Araújo aborda uma questão que a muito vem atormentando os estudiosos da educação. A questão é a busca pelo diploma sem necessariamente busca o conhecimento.
Defende Araújo que diploma e conhecimento não são sinônimos e que no Brasil ama-se o diploma e não o conhecimento. É lamentável dizer, mas Araújo está certo.
Como professor sei da febre que é a busca pelo diploma, seja de bacharel , licenciatura ou ainda uma “pós” qualquer coisa. Nos concursos públicos, por exemplo, isso fica claro, muita gente é aprovada na prova objetiva, mas acaba sendo reprovada na famigerada prova de títulos que conferem mais valor ao diploma que ao conhecimento.
O diploma deveria ser a coração pela obtenção de uma série de conhecimentos conquistados, mas o conhecimento é colocado em segundo plano. Todos os anos milhares de pessoas se formam, mesmo sendo analfabetos na profissão que escolheram. Mal conseguem aprovação em um simples exame de classe como o da OAB, por exemplo.
Vivemos em uma época de comunicação, mas não de conhecimento, se é frenético na busca por informação, mas engole-se tudo sem ao menos pensar se tais informações são úteis ou não.
Não se argumenta, palpita-se, não se reflete, bravateia-se sobre argumentos e idéias falsas e o pior forma-se opiniões que serão reproduzidas como conhecimento. O diploma é status o conhecimento nem sempre, o diploma pode ser comprado na esquina com direito a beca e baile de formatura o conhecimento não.
Infelizmente a educação no Brasil é tratada com políticas públicas equivocadas, como as das cotas, por exemplo. Façam-se gambiarras educacionais, não há uma profunda reflexão sobre a educação seja ele pública ou não. Ao menos essa reflexão não gera fora das universidades nenhum debate público.
Há um obvio problema de sistema educacional gerenciados por burocratas e não por pessoas que vivem a educação em todas as suas nuances. O problema não são as cotas, o problema é que essa política faz um recorte no problema e esquece que a educação é uma só e não de um grupo social. Não há boa vontade para uma reforma real nas bases educacionais, no lugar disso prefere-se as gambiarras. E vamos todos de mãos atadas, mas queiramos ou não construindo também nossas gambiarras.
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