“Saudade até que é bom”



Saudade é coisa da língua portuguesa, só existe nesta nossa flor culta e profana. Não há tradução para nenhuma outra língua que se aproxime dessa palavra deliciosa para uns e perversa para outros: Saudade.
Saudade não é o mesmo que nostalgia, nostalgia é algo que tivemos, que vivemos. A nostalgia é tempo passado e uma história que insiste em não dizer adeus ou não sabe. Seria a nostalgia então uma espécie de perda mal perdida, uma coleção de reticências feitas com arame farpado nos quais por vezes podemos confundi-los com puro veludo.
Já a saudade é a busca de algo que nos completa, não importando o tempo no qual esse algo possa estar e o mais interessante, podemos ser saudosos de algo que nuca tivemos ou vivemos.
Saudade pode ser algo sentido ou não, uma dor real de uma perda real ou não. É justamente isso que torna a palavra saudade única porque ela exprime em uma frase o que levamos noites e dias sentindo e nunca conseguimos explicar muito bem além de dizermos: Saudade!
Estar nos braços da saudade é viver na expectativa da alegria de um abraço desconhecido. Por vezes, mesmo, estando com alguém esse alguém ao ir embora sentimos falta justamente do que nunca vivemos com essa pessoa. É a saudade do que desconhecemos que nos lança para a melancolia ou nostalgia.
Se o que canta Peninha em Sonhos, “saudade até que é bom é melhor que caminha vazio”,fosse verdade estaríamos fritos. Ideia da canção nos leva para uma atitude de conforto. A saudade não é conforto, é revolta, busca e desespero, mas também pode ser doces lembranças, pavor da solidão, medo do isolamento.
Tenho saudade de tantas coisas, principalmente dos meus cem anos não vividos (ainda) Assim entre o que vivemos e o que nem sabemos por onde anda ,vamos por aí cheio de SAUDADE!!!!
ediney-santana@bol.com.br
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