Náuseas e esperanças


Outro dia depois de uma passeata em Santo Amaro um político me perguntou se eu havia gostado do seu “pronunciamento”. Essa atitude do distinto político me embrulhou o estômago.
É incrível como boa parte dessa gente discursa, vive e pensa para eles mesmos. Fico imaginando essa gente na cama disputando quem goza primeiro. Quem come quem melhor. Boa parte dessa gente é incapaz de dá prazer, são incapazes de algum tipo de emoção sincera.
Outra terrível coisa é a dificuldade de encontrarmos alguém imperfeito nesse meio, são todos herois do povo, todos dublês de santo, o que só atesta o distanciamento dessa gente com a humanidade comum, que chora, peida e ri.
O mais grave, no entanto disso tudo é a utilização das misérias alheia para autopromoção. Ir a uma passeata na qual se reivindica um melhor atendimento hospitalar para uma população carente e sem muitas esperanças e temerosa do futuro é além de criminoso uma profunda desumanidade.
Já disse, a miséria, o crime a corrupção é para essa gente possibilidade de ganhos e poder. Não por acaso que os governos mundiais gastam mais com propagandas do que com programas efetivos de enfrentamento a pobreza ou a corrupção.
Acontece, caro leitor, que há algo que liga a todos nós. Ricos, pobres, estupradores, padres, putas, santas, vadios, humanistas: Somos gente e ser gente nos torna um único corpo nesse lixo todo no qual vivemos.
Ser gente nos coloca em pé de igualdade com a natureza e ela sempre cobra a conta. Fatalmente dia menos dia ela vai nos empurrar para a mesma vala comum.
Enquanto isso não acontece temos que conviver no teatro dos lobos, viver entre hienas e abutres... Tim, Tim um brinde em copo de plástico sem pó de pemba, água benta ou qualquer coisa que possa causar dor de estômago, porque na alma há muito tudo é dor.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net
A obra que ilustra esse artigo é de Hieronymus Bosch
Titulo da obra “Navios dos Loucos”

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