O incrível Hulk




O cientista Bruce Banner é um fantástico personagem das histórias em quadrinhos e do cinema. Sua história serve de metáfora para tentarmos entender a nós mesmos e nossos mistérios e forças que temos e desconhecemos.
Banner sofreu uma contaminação por raios gama, depois disso todas às vezes que fica nervoso ou sentem-se ameaçado transforma no Incrível Hulk. Um gingante verde, poderoso e quase invencível.
Banner tenta durante toda a sua vida livra-se do Hulk, mas nunca tem sucesso o que o torna um sujeito temeroso recluso, mas sempre as voltas com um cotidiano violento e cheio de perigo como o de qualquer pessoa normal.
Essa história como disse, é uma metáfora a respeito das nossas vidas. Todos nós reagimos aos nossos raios gama, temos dentre de nós o nosso Incrível Hulk. Os raios gama representam as pressões da vida, a raiva cotidiana, o medo de nós mesmos, a violência desenfreada, as paixões loucas incontroláveis. Tudo isso somado nos leva a mudanças de comportamento e assumir atitudes que nem sempre podemos controlar.
A Luta de Banner também é a nossa luta pelo auto-controle, auto-conhecimento, e auto-determinação. Na sua história Hulk também trava constante batalha contra o mal, só que ele só surge quando algo de errado acontece, o problema é que Banner não pode controla essas aparições e nem Hulk tem o controle sobre suas emoções e ações.
Banner rejeita Hulk porque ele, Hulk, é pura emoção enquanto Banner é um sujeito lógico, um cientista. Tudo que não pode ser controlado pela racionalidade para Banner é perigoso. As emoções no seu modo de ver e pensar são forças que devem ser totalmente controladas se não tornam-se perigosas.
Nós somos como bolinhas de ping-pong jogadas de um lado a outro pela racionalidade e pelas emoções, vivemos sempre neste jogo, nos alternado entre a racionalidade que nos ensinaram que é a base para uma vida sem riscos e as emoções que devem ser controladas.
Não podemos ter o controle total sobre nossas emoções (o sonho de Banner), assim como não podemos ter a certeza que a racionalidade vai nos fazer pessoas melhores. Pensar não quer dizer “existir” há muito o conceito de Descartes do- penso logo existo- caio por terra.
É impossível fugirmos dos nossos raios gama, mas não impossível controlarmos nosso Hulk (dentro do limite que nos é imposto pela nossa própria condição humana, caso contrário cairemos em uma vida artificial controlada pela ciência como bem escreveu Aldous Huxley no seu livro Admirável Mundo Novo) que dentro de nós sempre espera um momento qualquer para aflorar em emoções. Ao contrário de Banner creio que melhor que controlar emoções é entendê-las e usa-las ao nosso favor.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net

Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys