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Pedagogia da Esperança


Há muito tempo na Ucrânia nascia Anton Semionovich Makarenko, Aos 17 danos de idade já era professor e embalado pelas ideias de Máximo Gorki e Lênin moldou todo um sistema educacional voltado para a formação efetiva de cidadãos e cidadãs.
Sua prática pedagógica foi executada com êxito quando ele dirigiu um colégio interno que abrigava menores infratores. Baseada na autogestão e na democracia-disciplinada Makarenko provou que uma educação voltada para a formação política, cultural e bem comum de toda a sociedade é possível.
Nos nossos dias vivenciamos belos tratados pedagógico que na prática são poucos úteis. As salas de aula estão repletas de vícios fabricados pela máquina da padronização de sentimentos. A grande pedagogia do cinismo ensina aos nossos alunos que não há utopias possíveis e que a vida se encerra na realização individual, ou seja, o que acontece com o outro não é do interesse de ninguém.
O movimento negro defende apaixonadamente a cota racial nas universidades, mas não tem coragem de empunhar a bandeira para uma revisão profunda em todo sistema educacional do país. Prefere o discurso equivocado da “reparação” racial. Não há reparação alguma porque o jogo social com cota ou sem cota vai continuar o mesmo excludente e pervertido.
Os sucessivos governos arrebentaram com a educação pública e o governo Lula não quer reformar a educação apenas cria mais e mais universidades e apoia às cotas com universal solução para o flagelo da educação pública. Continuamos a empurrar o lixo para de baixo do tapete. O Brasil continua não tendo coragem de encara-se de frente.
Quando as cotas forem plenamente efetivadas no país e negros, pobres, ciganos enfim todos que dela se beneficiarem chegarem à universidade, simplesmente essa universidade pública não vai valer mais nada, pois não é de agora que ela vem sendo destruída, não por acaso o governo financia estudantes em instituições particulares, em uma clara e criminosa transferência de dinheiro público para a iniciativa privada da educação. É o país das gambiarras e não do enfrentamento sério e direto a questões como a educação pública de qualidade e garantia desse direito.
Infelizmente o Brasil é um país gueto, cada um cuidando do seu país individual, um país repleto de interesseiros, com poucas cidadãs ou cidadãos, por isso os programentes sociais de todos os governos sempre fizeram tanto sucesso em manter na miséria os miseráveis e na pobreza os empobrecidos.
Makarenko teve a grandeza pedagógica em não olhar para os seus alunos como se eles fossem coisas ou cobaias pedagógicas para a obtenção de pós-graduação ou manutenção de um regime político. Sala de aula não é laboratório, é lugar no qual a cidadania é praticada e exercida plenamente.
Você não é desempregado por não ter formação, você é desempregado porque o país não fez nada para garantir seu direito a uma educação integral e de qualidade, não foi aprovado no vestibular porque é negro ou pobre, foi o Estado que desmantelou a educação pública e elitizou a educação superior.
Creio que as ideias de Makarenko são validas nos dias de hoje no qual o governo utiliza o eufemismo ENEM para retirar da palavra VESTIBULAR a carga negativa que tem. Em todo caso... Paulo Freire um dia disse que o caminho se faz ao caminharmos, então vamos.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net

A obra que ilustra esse artigo é de HILDE WEBER, sem titulo.

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