“Torna-te quem és”


O titulo desse artigo é de autoria de Friedrich Wilhelm Nietzsche, filosofo alemão que viveu entre 1844 e 1900. Gosto do espírito dessa frase por ela nos desafiar a sermos exatamente quem somos.
Sócrates por sua vez tomou para si outra frase famosa escrita no oráculo de Delfos “Conhece-te a ti mesmo”, Nietzsche foi mais além. Ele nos convoca a uma vida sem mascaras e sem ser medida pelo o que os outros gostam, sentem ou necessitam de nós.
Ao conhecer a si mesmo uma pessoa não garante a coragem de conviver ou expor exatamente quem se é. Talvez se assuste ao se descobri, talvez tenha medo que os outros descubram quem realmente ela é.
Viver sem mascaras, expor ideias, conceitos e pré-conceitos, viver intensamente o espírito das coisas como elas são não é tarefa fácil.
O próprio Nietzsche pagou um alto preço em sua época. Professor acadêmico não conseguia alunos que se interessasse por suas aluas e acabou morrendo solitário e quase louco em seu pequeno quarto. Entre outras ideias de Nietzsche há uma que particularmente gosto, para ele tudo é um jogo de interesse, assim quem ama, ama a sensação de amar e não a coisa amada.
Pensar dessa maneira é contrariar o sistema. Ser último ao sistema é nunca dizer não a sua estrutura, ser perigoso ao sistema é negá-lo na sua superestrutura. A estrutura sistemática são seus serviçais, os que fazem o trabalho sujo de levar e divulgar suas ideias, já sua superestrutura são seus ideólogos. Aqueles que determinam a cor da moda, a candidata que se deve votar nas próximas eleições, os que determinam o último grande livro escrito, ou o grande gênio da MPB ou quanto tempo um policial matador e truculento vai continuar a matar em nome do Estado até que o Estado se canse dele e o mate.
Torna-se quem se é é antes de tudo não temer a solidão, o medo de ser assassinado,o isolamento ou perseguições.Mas tudo isso não tem nada haver com uma grade revisão do que somos, do que fizeram de nós e do que realmente desejamos ser.Fazer sempre que possível essa revisão é importante para que se possa evitar que dentro de cada um surja um monstro terrível e criminosos que vai sair por aí matando, roubando e destruindo a tudo- todos e que certamente um dia também vai matar e devorar não seu criador, mas o corpo no qual ele vive,
Torna-se quem se é não deixa de ser um desafio, nessa sociedade “fabricada” para ser excludente e assassina de si mesma, uma sociedade cegamente domesticada.
Nietzsche é um alento para mim nestes dias de negações e expiações, alento porque como ele, tenho a certeza que só nascerei depois de amanhã. (risos)
Ps.Quem disse que em Santo Amaro eu não consigo sorrir?
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A obra que ilustra esse artigo é de LEOPOLDO CROVADORE, R. titulo “ Amigos”

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