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Viver no agora



Viver em tempo presente não é sepultar o passado ou deixar de sonhar com o futuro. Há boas coisas as quais vivemos e não desejamos esquecer. O problema são as marcas profundas que os momentos ruins deixam em nós e por vezes ficamos agarrados a elas.
Momentos ruins podem se transformar em mágoas, rancor ou ódio que além de nos atar no mais lodento passado pode nos matar no que temos de melhor: nosso agora.
O contrário também pode acontecer e passarmos a viver em um tempo o qual também não temos o menor domínio: o futuro.
No “Livro das virtudes” do escritor estadunidense William J. Bennett há uma lindíssima história de um menino que ganhou de uma fada um cordão mágico e toda vez que desejasse ir para o futuro bastava que ele esticasse o cordão. O problema é que uma vez no futuro ele não poderia mais voltar ao passado. Em poucos dias ele envelheceu e todo mundo que gostava morreu, desesperado pediu à fada que voltasse o tempo novamente.
O personagem da história narrada acima teve chance de voltar atrás, mas conosco é diferente, não há retorno, mas há outra coisa maravilhosa-desapego-.
Para o filósofo Arthur Schopenhauer a raiz dos males está no apego às coisas, não desejar, seria um caminho menos dolorido para vivermos. A ideia de Schopenhauer faz eco com a filosofia budista que também nos orienta a uma vida simples e de desapego.
Há um provérbio que diz “o que passou passou”. Ir em frente, viver no presente, se reiventar é um caminho possível. Se atar há uma história que não deu certo ou pior afundar-se em mágoas não vai resolver nada.
O ódio não vai matar a coisa odiada, vai matar pouco a pouco quem o sente, um processo lento de auto-destruição e canibalismo voluntário.Enquanto isso lá fora o mundo vai no seu ritmo normal, a natureza não tem pressa e no final, é claro, independente de todos nós ela vence e nos vence.
ediney-santana@bol.com.br
http://edineysantana.zip.net
A obra que ilustra este artigo é de Mary Cassatt – titulo- In the box - 1879

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