Pular para o conteúdo principal

Guerra do Paraguai


Todos nós já “estudamos” na escola a Guerra do Paraguai ocorrida entre 1864- 1870, além do Paraguai a guerra envolveu o Brasil Império, Argentina e o Uruguai. Neste período o Paraguai era o mais sólido e independente dos países latinos, sua economia era equilibrada, não havia analfabetos no país e, além disso, o Paraguai não se submetia ao controle externo inglês. Esses fatos despertaram a ira da Inglaterra que indiretamente controlava a economia da região.
Para “frear” o Paraguai a Inglaterra armou os três países citados e incentivou um dos maiores genocídios conhecidos da história da América Latina. O Brasil, Argentina e Uruguai foram usados pela Inglaterra para assegurar sua hegemonia na região e para isso era necessário destruir o Paraguai e isso foi feito.
Ao termino do conflito o Paraguai teve sua população reduzida em 75%,sendo que desse total 96% dos homens foram mortos e 27% das mulheres foram também exterminadas. Esses números dão uma ideia do tamanho da barbárie ocorrida no Paraguai.
Julio José Chiavenatto em seu livro “Genocídio Americano: a Guerra do Paraguai” faz um estudo sério e profundo desse episódio sombrio da história Latino Americana. O livro ainda nos revela um personagem obscuro e carniceiro chamado Conde D’Eu (genro de D. Pedro II , casado com a princesa Isabel ). Em um dos episódios protagonizados por ele, mandou incendiar o hospital Peribabuy deixando trancados dentro velhos e crianças.
O Conde D’Eu também é protagonista de uma cena horrível acontecida na batalha de Acosta Ñu na qual 3.500 crianças (transformadas em soldados pelo governo Paraguaio) foram mortas pelas tropas lideradas pelo Conde D’Eu, que tinha sobre seu comando durante aquela batalha 25 mil soldados.
As crianças de Acosta Ñu tinham entre seis e quinze anos, muitas se agarravam nas pernas dos soldados e pediam para não morrer em resposta eram degoladas sem piedade pelos soldados brasileiros. Quando terminou a batalha o conde D’Eu mandou queimar vivas as crianças sobreviventes juntamente com suas mães.
A baralha de Acosta Ñu aconteceu no dia 16 de agosto de 1869, Julio José Chiavenatto conta em seus livro que o historiador paraguaio Andrés Aguirre quer que a OEA estabeleça o dia 16 de agosto como o “dia del nino” ou dia da Criança na América.
Depois da guerra o Paraguai estava destruído e até hoje enfrenta as consequência daquele genocídio. O Brasil, o Uruguai e a Argentina mergulharam em uma grave crise financeira tendo como credor a Inglaterra, única vencedora da guerra sem disparar um só tiro. Logo depois do fim do conflito a monarquia do Brasil perdeu seu reinado e com certeza o envolvimento do país na guerra acelerou a luta pela república.
O Paraguai ainda teve seu território drasticamente reduzido, uma parte importante dele foi roubado pelos países envolvidos na guerra. Para termos uma ideia, a terra roubada do Paraguai se somada fica maior que juntando Portugal e a Dinamarca.
Hoje não raro o Paraguai é visto com uma terra sem lei, no qual reinam traficantes e contrabandista e até grupos terroristas. Nada mais cruel e mentiroso. O Brasil, Argentina e o Uruguai não foram tão somente manipulados pela Inglaterra, foram cúmplices, queriam tirar proveito da guerra, infelizmente hoje muitos brasileiros olham para o Paraguai com preconceitos ou pior, o Brasil se olha como se não fosse parte da América Latina ou do continente  americano.
livrosdeedineysantana.blogspot.com
http://edineysantana.zip.net
A obra que ilustra esse artigo é de Pedro Américo, titulo: Batalha do Avahy

Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro Ney, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profund…

Mãos calejadas, meu Deus.

Os escravos eram as mãos e pés dos seus donos, tinham as mãos calejadas do trabalho braçal e penoso nas plantações enquanto os senhores de engenho tinham as mãos suaves. Neste momento aconteceu algo que marcou para sempre a divisão do trabalho: o trabalho braçal e o intelectual, o braçal desprestigiado e intelectual privilegiado. Ter as mãos calejadas passou a significar pouco estudo e baixa qualificação, consequentemente desprestigio social, enquanto o trabalho intelectual passou a ser valorizado, trabalho de “doutores”, de pessoas “importantes”. Essa divisão alimentou e alimenta muitas das nossas mazelas e preconceitos. O presidente Barack Obama disse que não pode simplesmente colocar os imigrantes ilegais para fora dos Estados Unidos, porque o país precisa deles. Nos Estados Unidos trabalho como motorista, gari, baba, diarista, garçonete, frentista ou pedreiro são excetuados por imigrantes, muitos deles brasileiros que aqui não pegariam no cabo da vassoura para varrer a própria ca…