A construção da solidão


Brasília é uma cidade construída para o isolamento e a solidão, tudo nela celebra o distanciamento, como se fosse ela toda uma ilha na qual cada um é seu Estado e país. Seu paisagismo parece surgir de um emaranhado de cimento e concreto armado. Longas avenidas que parecem desafiar o horizonte e não nos levarmos a lugar algum, uma cidade sem esquinas, sem gente pelas ruas.
Brasília foi pensada para que qualquer um nela se sinta menor, intimidado diante uma cidade que sugere dominação, poder e autoridade. Tudo isso porque é um lugar no qual o poder e autoridade se impõem através da grandiosidade de sua arquitetura.
Tudo nela é simbólico, mas nada se compara ao seu Plano Piloto. Magistral construção desenhada pelo arquiteto Lúcio Costa, sobre a supervisão de Oscar Niemeyer, o chefe do departamento de urbanística e arquitetura, responsável para desenhar e planejar a cidade.
A ideia de se construir uma capital no centro do país foi sugerida pela primeira vez em 1716 pelo Marques de Pombal, mas foi José Bonifácio que em 1821 colocou o assunto novamente em pauta e sugeriu o nome de Brasília para a nova capital do país, finalmente construída por Juscelino Kubitschek e inaugurada em 21 de abril de 1960.
Um povo foi essencial para a construção da cidade: os ” Candangos” ou seja migrantes nordestino que aceitaram a empreitada de se embrenharem no meio do nada para trabalharem na obra. Muitos foram os que morreram por lá, depois da construção os “Candangos” foram morar nas chamadas cidades satélites, hoje os que não prosperaram, esquecidos vivem em meio a violência e miséria.
Certamente os poetas concretos adoraram a poesia de Brasília,sua beleza espacial, seu conjunto de palácios, o desafio que foi construi-la, o seu povo que representa todo o país. Brasília é uma cidade cosmopolita. Sem dúvida é um belo momento do poder político, força e criatividade de um povo.
Ps-A foto que ilustra esse artigo é da Biblioteca Nacional Leonel de Moura Brizola, fica em Brasília
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