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Alma gêmea


Em “O Banquete” Platão nos diz que no início da vida humana éramos todos hermafroditas e Deus nos separou em homens e mulheres, nos condenando assim a vagarmos em busca de nós mesmos, da nossa outra metade, daquilo que chamamos de alma gêmea. Fica claro que o tema “alma gêmea” atormenta a humanidade de longas datas. De sábios como Platão a revistinhas para adolescentes com “úteros em fúria”. Não é fácil vivermos incompletos, mas tenha certeza que pior ainda é estarmos apaixonados pelo lado errado da romã, o par por qual juramos amor eterno, mas que na verdade não cabe em nossas vidas e nem ele na nossa. Separado de si mesmo o homem sai a busca da sua porção feminina (escrevo da ótica de um varão heterossexual), mas se o outro lado é uma “alma”, um homem pode sair em busca de outro homem, uma mulher de outra mulher, enfim cada um escolhe a metade que lhe convém, que lhe completa e lhe dá sentido a existência. Camões estava certo “é solitário andar por entre a gente” andar por entre incompletos, quando todos estão dormindo e nós acordados imploramos por migalhas de afeição. Se Platão também estava certo então a fidelidade não é natural, natural é, como escreveu Vinícius de Moraes, amar enquanto for eterno esse mesmo amar. Imagine você aqui vivendo em uma pequena cidadezinha do interior e sua alma gêmea lá na China, sofrendo tanto quando você por nunca ter vivido um grande amor. Que pecado terrível fez Deus contra os corações sensíveis. Imagens que povoam o imaginário nosso de cada dia, vivemos para sermos incompletos e na busca constante por caminhos e paixões é que nos encontramos, não nascemos para sermos estanques. Talvez seja isso ou não.

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