Pular para o conteúdo principal

Chamada a cobrar

Quando meu celular tem créditos sempre aceito chamadas a cobrar de “amigos” e “colegas”, mas notei algo recentemente, precisei falar urgente com três pessoas, como naquele momento estava sem créditos liguei a cobrar: “telefone programado para não receber chamadas a cobrar.”
Fiz a mesma experiência, só que desta vez em um bar, sempre sou generoso quando depois de umas e outras em companhia de algumas pessoas vamos dividir a conta da noitada. Um sábado desses sair sem um centavo no bolso, rodei por vários bares, conversei com muitas pessoas e quando era convidado a sentar, agradecia e dizia que estava sem grana. Resultado? Voltei para casa de bico seco.
Em um maravilhoso livro bíblico podemos ler à fantástica história de Jó, homem reto, rico, amigo e temente a Deus. Jó perdeu tudo que tinha quando o Diabo provocou em Deus um pecado capital: a vaidade. O Diabo convenceu Deus a deixá-lo tomar tudo que Jó tinha, argumentando que Jó só era fiel porque era rico e que sua fé não sobreviveria à pobreza e nem o abandono de Deus. Deus assim deixou que o Diabo tomasse tudo de Jó. A partir daquele momento o nosso personagem bíblico amargou uma derrota após outra.
Em dois momentos espetaculares dessa história, Jó no primeiro dá um prova de amizade e gratidão a Deus, quando sua mulher pede a ele que amaldiçoe Deus e morra em paz, Jó responde a sua mulher que ela é doida e não nega a fé em Deus, o outro momento quando Jó está bastante doente, leproso sentado sobre cinzas é visitado por seus amigos que se sentam junto a ele e compartilham suas dores, nesse momento é Jó que recebe prova inegável de amizade.
Se você é do tipo que é amigo na dor e na alegria, parabéns, se você tem amigos como os de Jó tenha certeza você é um homem ou uma mulher de muita sorte. Imagine se assim como Jó sermos tocados pela Lepra ( hoje hanseníase) ou pelo HIV? Não sou pessimista, mas tenho certeza: quando uma tragédia dessas se abate sobre alguém mesmo com crédito no celular ou dinheiro para pagar contas em bares dificilmente alguém vá querer nossa companhia.
Estou sendo radical? Creio que não. O AAA, os Narcóticos anônimos, enfim os grupos de mútua ajuda surgiram justamente porque muitas pessoas viviam isoladas pelos problemas os quais cada uma vivenciava e só conseguiram ajuda quando se uniram para trocar experiências.
Não deixe que um Deus vaidoso ou um Diabo cheio de artimanhas não permita que você atenda um telefone de um amigo, sendo a cobrar ou não. Depois de anos sofrendo, conta a Bíblia que Jó se tornou o homem mais rico do seu tempo e viveu muitos anos em paz com os seus.
http://edineysantana.zip.net
ediney-santana@bol.com.br

Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Mãos calejadas, meu Deus.

Os escravos eram as mãos e pés dos seus donos, tinham as mãos calejadas do trabalho braçal e penoso nas plantações enquanto os senhores de engenho tinham as mãos suaves. Neste momento aconteceu algo que marcou para sempre a divisão do trabalho: o trabalho braçal e o intelectual, o braçal desprestigiado e intelectual privilegiado. Ter as mãos calejadas passou a significar pouco estudo e baixa qualificação, consequentemente desprestigio social, enquanto o trabalho intelectual passou a ser valorizado, trabalho de “doutores”, de pessoas “importantes”. Essa divisão alimentou e alimenta muitas das nossas mazelas e preconceitos. O presidente Barack Obama disse que não pode simplesmente colocar os imigrantes ilegais para fora dos Estados Unidos, porque o país precisa deles. Nos Estados Unidos trabalho como motorista, gari, baba, diarista, garçonete, frentista ou pedreiro são excetuados por imigrantes, muitos deles brasileiros que aqui não pegariam no cabo da vassoura para varrer a própria ca…