"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida, ou seja, perde sua função de ser gente, de ser presença constante no jogo da vida. Essa ideia me apavora, porque dia menos dia todos vão perder a importância para a natureza.
Imagino quem vive em uma cidade como São Paulo e morre de medo, solidão e sonha como Manuel Bandeira, voltar para o nordeste e viver só de brisa. E quem sonha sair do nordeste e aventurar-se no sul acreditando lá ser o paraíso, o lugar no qual a magia da felicidade e do sucesso acontece. Tanta confusão fazemos em busca dessa tal felicidade...
Para John Lennon “a felicidade é uma arma quente” e só é passível ser feliz se voltarmos para dentro de nós mesmos, ou seja, nos bens matérias, no coração de outro alguém, tudo que não seja auto-reflexão, não pode trazer felicidade. Ideia budista que um dia norteou os pensamentos de Lennon. Talvez ele esteja certo.
Ficar zanzando por aí em busca da paz pedida, do universal amor a nos salvar, pode ser uma volta em si mesmo, ficar girando em torno de si pode não levar mesmo a muitos lugares. Eu vou sair sentar no adro da igreja da Purificação e comer um sorvete de passas... Em minha cidade não há um museu de arte moderna... Fazer o quê?
http://edineysantana.zip.net
ediney-santana@bol.com.br

Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys