Flores de Almodóvar


Nenhum deus eu amo e temo mais que o tempo. Esse senhor condenado a sempre ser que é, e para se vingar da sua vida em linha reta nos envelhece, leva nossas alegrias e nos rouba em muitos momentos a paz. Resistimos a todas suas investidas com uma única arma: sonhando. Sonhos às vezes mentirosos e inegavelmente ridículos, um dia o tempo nos vence. Um dia olhamos para uma fotografia e quase não reconhecemos quem antes foi tão importante em nossas vidas. Esses dias que tenho vivido trancado em minhas gotas de solidão estou sempre a olhar para fotografias, é um mergulho nas próprias lembranças que o tempo ainda não desbotou. O Augusto Frederico Schmidt, homem de letras, tinha uma preocupação: “quem contará as pequenas histórias”. Sim meus caros amigos, quem vai lembrar o quanto fomos ou não importantes para nossas vidas. O que deixaremos de positivo, talvez pouco sobreviva, daqui a cinquenta anos o que além do pó de nós vai ficar por aqui... Hoje como na música do Zeca Baleiro eu desejo mandar flores a todos meus amigos, desejar bom dia aos meus inimigos, sonhar com um dia melhor para mim e meus amigos, como em uma noite inesquecível de vinho, poesia e Pedro Almodóvar no Clube do cinema.


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