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Maria Gadú e Monica Montone


Marcelo Nova certa vez disse que quase todas as cantoras da nossa música eram filhotes de Gal Costa, quer dizer, cantavam ou cantam afinadinhas e não vão além de adocicadas melodias pops. É bom ressaltar que a Gal Costa em questão é a pós-tropicalista.
Claro, Marcelo Nova não tem razão completa em sua afirmação, mas tem lá algumas verdades inegáveis. As cantoras da chamada MPB, do barzinho as divas festejadas tendem a uma padronização sem grandes diferenças no que cantam e como cantam.
Vozes com atitude e rebeldia sonora como os de Elis Regina, Cássia Eller, Maria Bethânia, Adriana Calcanhotto, Daniela Mercury, Margarete Menezes, Ângela RôRô, Rita Ribeiro, Zélia Duncan e até mesmo (às vezes chatinha) Ana Carolina fazem parte de um time raro, as das cantoras personalíssimas e mesmo quando mergulhadas em músicas puramente comerciais fazem a diferença na rotina das FMs.
Assistindo aos programas Sem Censura e Atitude.com/ TV Educativa, tive pela primeira vez um encontro com duas jovens cantoras, Maria Gandú e Monica Montone.
Duas grandes vozes e expressões artísticas que me encheram de alegria e vontade de comprar os discos e mandar para todos os meus amigos.
Se alguém me quiser presentear com os discos das duas podem me dá, eu aceito, não há problema, fico grato.
Não há crise na música brasileira, nunca ouve. O que acontecia é que as gravadoras antes todas poderosas, manipulavam como bem queriam os nossos gostos musicais, mas com a Internet, com facilidade para gravar e divulgar discos as gravadoras entraram em crise, o famoso jabá, leia-se: propina paga para as redes de tv e rádios tocarem e divulgarem determinadas músicas, já não é utilizado como a mesma frequência.
O jabá é um crime tanto quanto a pirataria, nesse caso há um paradoxo: o crime da pirataria nos libertou em parte do jabá que servia, como escrevi, não só para manipular nosso gosto musical,mas também para fabricar ídolos e modismos.
Interessante notar que o Ministério Público e a Policia Federal nunca fizeram grupos de repressão ao jabá e tão pouco abriram inquérito para averiguar outra questão cara: direito autoral (salve nosso senhor do ECAD!!!) Não só na música, mas em tudo.
Por todas estas questões é que não concordo totalmente com o Marcelo Nova, Gal Costa é uma referência de sucesso por isso as gravadoras investiram na clonagem em massa de sua voz e de sua expressão artística, mas sempre por aí poderíamos e podemos encontrar outras vertentes musicais distantes das rainhas dos rádios.
É mais fácil vender o que se parece com a fórmula já celebrada. A indústria fonográfica (se é que oficialmente ela ainda exista) não tem preocupação cultural com nada a não ser com o lucro.
Cantoras como Maria Gadú e Monica Montone são bons exemplos da renovação da nossa música, jovens interpretes que estão surgindo quando nem mesmo o disco é obrigatório para um artista se tornar conhecido, uma geração mais livre e que com liberdade artística podem nos presentear com música boa e corações artísticos sinceros.
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http://cartasmentirosas.blogspot.com/

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