Ternura e solidão

Todos os dias encenamos mil faces diferentes. Mil personagens, sem isso como suportaríamos a solidão de um único personagem o qual todos os dias faria sua apresentação no palco tedioso e costumeiro de sempre? Vivemos interpretando vários papéis em cada ato dessas nossas vidas. Esses papéis não têm nada a ver com distúrbio de personalidade, nada disso. Viver inúmeras vidas é necessário para que possamos suportar o bombardeio de cobranças que diariamente desabam sobre nós e possamos também lidar com isso tudo sem explosões de raiva ou tomada de decisões equivocadas. Há dias que assim como Roberto Carlos sentimos vontade de “mandar” tudo para o inferno, mas acabamos sorrindo e como próprio Roberto cantamos “Além do horizonte deve ter Algum lugar bonito/ Pra viver em paz”. Nada podemos o tempo todo impor nossa personalidade, há momentos os quais temos que negociar com as próprias emoções, se não acabamos vencidos por elas, o momento seguinte disso é o arrependimento. E quantas vezes depois de uma intransigência emocional dizemos: porque fiz isso, poderia ser tudo diferente... O sujeito do bar não é o mesmo sisudo policial do quartel, o professor da sala de aula não é o mesmo que vai há uma festa de rock e bebe todas, o cara que escreve este texto não o mesmo que ao anoitecer ouve Angela RôRô com uma taça de vinho nas mãos e lágrimas nos olhos. A vida de cada um de nós só é possível porque temos capacidade de adaptação. Mais uma ver volto a dizer que isso não tem nada haver como dupla personalidade ou algum transtorno. Interpretar ou adaptar-se em inúmeros papéis é questão central para vivermos o menos possível em conflito consigo e com quem nos rodeia. Não quero dizer, contudo isso que devemos o tempo todo recuar diante possíveis conflitos, não é por aí, mas não se pode inverter valores: autoridade por autoritarismo, respeito por temor, liderança por indução e manipulação. O mundo já têm cavardes e tiranos demais, não é mesmo?

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