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Traição


A frase que, ao menos, para mim mais cruelmente define a traição foi dita por Júlio César, imperador romano assassinado em 15 de março de 44 a.C,pelos membros do senado do seu império. Seria mais um assassinato político, o qual a história está cheia de tristes exemplos se não fosse por uma frase dita por Júlio César momentos antes de tombar nos braços da morte: “Tu quoque, Brutus, fili mi!” (Até tu, Brutus, meu filho!). Marcus Julius Brutus era filho adotivo de Júlios César e foi ele quem articulou a conspiração contra o próprio pai. Júlio Cásar tentou se defender das 23 adagas assassinas que mortalmente iria feri-lo até que notou entre os seus carrascos seu próprio filho. Parou olhou e disse a frase histórica: "Até tu, Brutus” e sem resistir foi ao encontro da morte.
O nome de Brutus virou sinônimo de brutalidade, traição, humilhação e todas negativas que o ser humano “amigo” possa fazer com outro.
Naquele momento o qual morria tenho a certeza, Júlio César, um dos grandes conquistadores do mundo antigo, que um dia disse outra frase memorável ao expandir seu império “Veni vidi vici” – vim, vi e venci – sentiu uma dor mortal, nunca por ele imaginada: a dor da traição. A traição só acontece quando alguém de nossa extrema confiança usa de nossa sincera amizade para nos humilhar, derrotar ou conseguir assumir algo que temos. A nossa felicidade e conquistas aos olhos do traidor e algo a ser destruído, a arma usada para causar essa destruição é a confiança que temos por essas pessoas. A inveja e a traição são irmãs. O traidor pode ser aquele confidente, o amante secreto, o político que acreditamos solidários a nossa vida, o amigo o qual com alegria recebemos em nossa casa.
Somos enganados porque acreditamos, depositamos nossa confiança em outra pessoa e é o conjunto disso tudo que nos fragiliza, nos torna alvo fácil dos brutus modernos. Nada adianta o isolamento, nossa natureza humana nos impura para a convivência e solicitude com o outro, mas é preciso cuidado. Sei de muitos brutus doentes e mentirosas que estão por aí a arrebentarem com a vida dos seus “amigos” . Particularmente já fui vitima de tantas adagas nas costas que já estou calejado, mas tive sorte, ao contrário de Júlio César não tombei nos braços da morte e pude sempre começar uma nova história, sem perder a crença no gênero humano o qual é feito para e excelência de estarmos sempre aqui.
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ediney-santana@bol.com.br

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