Vivos- mortos


Algumas bibliotecas são verdadeiros cemitérios de autores esquecidos ou pior, alguns nunca foram lidos e dificilmente serão. Ser lido e reconhecido em vida não é fácil. Não reconhecido e morto autor e obra tendem a desaparecer completamente.
Agora, ir além da sua geração, compor uma obra que mantenha diálogo com sucessivas gerações é dificílimo. A eternidade é longe demais para ser alcançada pela mediocridade.
Não por acaso criaram a estranha figura do “clássico”, ou seja, escritores imortalizados por inegável contribuição cultural a humanidade, mas canonizados pela elite letrada das universidades e academias acabam distante da maioria dos leitores e odiados por estudantes, preparados não para serem leitores autônomos e críticos, no muito são treinados para marcarem certo ou errado em provas decorebas.
Ser um leitor autônomo é não ser passivo diante qualquer leitura ou autor, por mais célebre que esse autor possa ser. Leitor é autor devem mutuamente se desafiar sem trégua.
Um bom texto vai se “reescrevendo” indefinidamente pelo tempo, um bom autor deixa em sua obra toda semântica possível para que seu texto não fique datado em si mesmo.
Produzir um texto que sua relevância literária vá além das fronteiras da geração a qual pertence é a diferença entre um escritor medíocre e um gênio literário, isto independendo o tamanho da fama ou do sucesso desse autor.
Nenhum escritor consciente do seu ofício deseja ser um clássico, autores querem ser lidos e re-vividos em seus textos. Um “Memorial de Aires” deve ser lido, debatido, amado ou odiado e não transformado em um monumento frio e distante do calor de leituras sinceras, Machado de Assis (embora tenha sido o criador da Academia Brasileira de Letras) certamente não gostaria de saber que sua obra foi transformada em um desses “monumentos”.
Há inúmeros escritores pelo mundo, mas poucos serão um Graciliano Ramos ou um Jorge Amado, escritores que assim como Fernando Pessoa tornaram grandes não suas vidas, mas suas obras.
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