Saudade

De que ou quem você tem saudade? Utilmente tenho saudade das coisas não vividas, de algo que sei em algum lugar está a me esperar.
Na música “Índios” da Legião Urbana podemos ouvir um comovente depoimento sobre essa saudade do não vivido:” É só você que tem a cura pro meu vício de insistir nesta saudade que eu sinto de tudo que ainda não vi”.
A palavra “saudade” é unicamente portuguesa, não existe em nenhuma outra língua e nem há equivalente em tradução alguma. Traz ela toda uma carga de saudosismo lusitano. Essa coisa a sermos sem vivê-la, poesia perdida em algum canto de tristeza ou alegria sem razão, latinidade europeia que nos trópicos se confunde com beleza, tristeza e distanciamento.
Raul Seixas em “S.O. S” mergulhou também nesta saudade do não vivido. Desesperado
Raul clamava por um certo moço do disco voador que o levasse para longe . Quantos dias não sentimos saudades desse ir e desejamos também sermos levados por um disco voador?
Como na canção de Raul, hoje é domingo, véspera do dia da independência, estou ouvindo Maria Rita a qual traz em sua voz essa saudade de algo meio perdido a seguir eternamente em busca do seu par.
Fecho os olhos e vago pelos sertões da minha infância, pela alegria de girar em tordo do Chafariz da Praça da Purificação. Todo um tempo vivido, toda uma vida passada na urgência de sermos e estarmos aqui desejosos de momentos felizes que parecem muito distantes, às vezes morto em algum passado ou perdido em algum futuro em litígio como nossa vontade de paz, esperança e amor.
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