Ame a você como a mais ninguém

Hoje li em algum lugar: “amigos de aluguel a preços bem camaradas, aceita-se todos os cartões”.
A ideia de alugar um “amigo” é constrangedora, mas se há quem se alugue é porque também há quem se sinta tão sozinho ou desiludido com seus pares que não consegue manter vínculo afetivo algum com mais ninguém.
Certo é que cada vez mais pensa-se com a cama e menos com o coração.Pensar pelo coração ou seja ser sentimental é correr o risco de parecer, como escreveu Fernando Pessoa, ridículo.
Inventamos a psicologia para cuidar dos nossos temores e frustrações, pagamos a um psicólogo para nos “vender” uma verdade a qual no fundo nem nós mesmos acreditamos, tudo isso porque perdemos a fé e esperança em nós mesmos, nos tornamos senhores e senhoras do desencanto mútuo. Pensamos em racionalidade, mas o tempo todo agimos pelos velhos e batidos instintos humanóides.
A solidão às vezes parece ser o único sentimento sincero o qual temos. Uma noite abraçamos alguém no escuro, choramos e cantamos “Você é meu caminho. Meu vinho, meu vício/ Meu bálsamo benigno/ Meu signo, meu guru/ Porto seguro*.” No dia seguinte descobrimos que falamos demais, que fizemos teatro demais, então acendemos as luzes e nossa carne já treme por outro” bálsamo benigno” qualquer.
Fato é que a musiqueta da Blitz tem lá suas razões “Eu me amo/ eu me adoro/já não consigo viver sem mim”** Se pudéssemos é claro acreditarmos sempre nisso...Mas aí no final da noite vem o Altemar Dutra e “Sentimental eu souEu sou demais”***
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* Caetano Veloso
** Evandro Mesquita
***Evaldo Gouveia / Jair Amorim

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