Ainda podemos pensar em nós?


No Jornal impresso “O trombone”, o qual sou um dos colunistas, na edição desse mês escrevi um artigo contando a fascinante história do professor José Fernando, com seus 41 anos de idade e dezoito trabalhando como professor do município de Santo Amaro da Purificação - Ba.
O que torna especial a história desse professor é que ele leciona na zona rural da cidade e para conseguir chegar ao trabalho pedala quase que diariamente cerca de 60 km, isso mesmo. O professor José Fernando pedala tudo isso por estradas esburacadas e empoeiradas para conseguir lecionar em várias turmas de ensino fundamental.
No artigo publicado no jornal conto que ele estava pensando em comprar uma moto para facilitar sua jornada: ele comprou a moto, ele caiu da moto e quebrou uma perna. A queda se deu quando perto da escola sua moto tombou em um dos buracos da estrada.
Até o momento ninguém da secretaria da educação do município apareceu para prestar assistência ao professor, o sindicato da categoria não se mobilizou, procurei algumas pessoas na tentativa de conseguir ajuda ao professor, mas foi inútil. Resultado?
O professor está em cima de uma cama na sua casa a esperar uma vaga em um hospital público para fazer uma cirurgia na perna, sentindo dores e entregue ao acaso. Em uma canção de Milton Nascimento sintetizo a história desse professor: “quem traz na pele essa marca mistura dor e alegria”
Na foto acima eu com o professor José Fernando dentro da Escola Acelyno Pimenta- distrito do Retiro- Zona Rural de Santo Amaro-Ba – Nordeste. Lugar no qual Deus e o Diabo há muito entregaram ao acaso.
Autor da foto: Marconi Carlos
ediney-santana@bol.com.br
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