Pular para o conteúdo principal

Dinossauros em paz como estaremos


Não sei qual, mas em um determinado momento da história os dinossauros passaram a ser uma praga devastando toda fauna e flora. E o que fez a natureza para impedir a destruição total de tudo? Os varreu da face da terra e olha que os dinossauros nem tinham consciência de que eram uma praga.
Tenho cá minhas desconfianças que a natureza não vai demorar a fazer a mesma coisa conosco. Somos uma praga auto-destrutiva e imoral no trato de nós mesmos e todos os outros seres vivos e ao contrário dos dinossauros somos conscientes da nossa nocividade.
Terremotos devastadores, tsunamis, incêndios provocados por raios, epidemias sem causa aparente não são nada além de uma mãozinha da natureza nessa nossa odisséia suicida.
A natureza é calma, pode demorar milhares de anos, mas um dia ela vai despoluir rios e mares, vai transformar os grandes desertos criados por nós em novíssimas florestas, a natureza é indestrutível, a vida nunca termina, mas a nossa espécie, essa sim tem dias contados para terminar.
A natureza nos olha com desprezo, somos para ela um amontoado de bactérias as quais ela vai pouco a pouco desagrupar para criar seres mais leves e menos nascíveis a si mesmos e ao meio ambiente.
Não sei qual espécie vai nos substituir, mas espero que palavras como ganância, estupidez, lucro e tantas outras não façam parte do seu vocabulário. Espero que escavem a terra e encontro telas que Cândido Portinari, discos da Violeta de Outono, partituras de Beethoven e Chopin, cerâmicas ianomâmi, vestidos de Clodovil Hernandes, filmes de Vivi Fernandez e nenhum retrato do Lula.
Quando tudo isso acontecer já há muito estaremos sob a terra leve e calma que um dia transformou os dinossauros em nós.
A foto que ilustra esse artigo é da belíssima atriz Vivi Fernandez
http://edineysantana.zip.net
ediney-santana.@bol.com.br

Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro Ney, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profund…

Mãos calejadas, meu Deus.

Os escravos eram as mãos e pés dos seus donos, tinham as mãos calejadas do trabalho braçal e penoso nas plantações enquanto os senhores de engenho tinham as mãos suaves. Neste momento aconteceu algo que marcou para sempre a divisão do trabalho: o trabalho braçal e o intelectual, o braçal desprestigiado e intelectual privilegiado. Ter as mãos calejadas passou a significar pouco estudo e baixa qualificação, consequentemente desprestigio social, enquanto o trabalho intelectual passou a ser valorizado, trabalho de “doutores”, de pessoas “importantes”. Essa divisão alimentou e alimenta muitas das nossas mazelas e preconceitos. O presidente Barack Obama disse que não pode simplesmente colocar os imigrantes ilegais para fora dos Estados Unidos, porque o país precisa deles. Nos Estados Unidos trabalho como motorista, gari, baba, diarista, garçonete, frentista ou pedreiro são excetuados por imigrantes, muitos deles brasileiros que aqui não pegariam no cabo da vassoura para varrer a própria ca…