Mary Quant


Em 1965 Mary Quant criou a minissaia, não apenas para realçar o erotismo feminino. Feminista, Mary tinha consciência o quanto à minissaia representava um importante símbolo de afirmação dos direitos civis das mulheres.
Engana-se quem pensa que Mary Quant e suas colegas de geração queriam promover uma guerra dos sexos ou chocar por chocar a sociedade conservadora e machista da época, seriam tolas demais se assim pensassem.
A causa que defendiam era nobre e não uma disputa de “quem sabe mais o homem ou a mulher” realizada em um programa domingueiro. A mulher até então simplesmente não existia além da condição a qual lhe fora imposta: objeto sexual, do lar, penduricalho para ser apresentado em reuniões familiares. Era contra tudo isso que se lutava.
Nos dias de hoje o tráfico internacional de mulheres é um dos “negócios” mais lucrativos do planeta e a mulher brasileira parte importante na renda de criminosos do mundo todo que atuam nesse crime.
Outro dia vi uma cena constrangedora no porto do Rio de Janeiro, um grupo de mulheres seminuas saudavam “turistas” que desembarcavam para, segundo o guia “um final de semana emocionante com as mulheres mais lindas do Rio de Janeiro”. A cena foi constrangedora para mim porque no imaginário do mundo o nosso país é o lugar do sexo fácil e o maior exportador de prostitutas para todos os continentes do mundo, sobre tudo para a Europa.
Nos dia de hoje Mary Quant não teria sucesso com sua bandeira de igualdade de oportunidades independente do sexo, da rebeldia que a minissaia pregava só ficou e sobreviveu o erotismo.
Ontem em uma horrorosa novela da Rede Globo, uma personagem negra caiu de joelhos aos pés de uma personagem branca quando esta lhe chamou de assassina por ter abortado e ainda ser apontada como responsável por um acidente o qual vitimara uma jovem, mesmo sem ter ela culpa alguma, além de ficar de joelhos,  pediu perdão a senhora branca que a esbofeteou.
A cena lembrou a rotina das senzalas e casa grande quando a branca altiva jogava na negra escrava a culpa por suas misérias. Esse foi o presente  da Rede Globo a mulher negra as vésperas do 20 de novembro, dia da consciência negra.
A cena não quis em momento algum discutir racismo ou outro tema mais profundo, quis simplesmente humilhar a personagem negra. Se Mary Quant assistisse a cena morreria de vergonha da atriz negra que aceitou fazer um papel ridículo e vazio de arte, mas cheio de simbolismo do pensamento do autor e da Rede Globo sobre a mulher negra e de não menos pena da mulher branca de talento duvidoso, mas que soube imprimir direitinho os créditos dos seus patrões à cena.
Certo é: negra ou branca a mulher ainda tem muito que conquistar na política, nas artes na afirmação da feminilidade, na busca por igualdade de oportunidade, nas busca por equiparação salarial, mas muito já se conquistou... E tenho certeza, há mais Mary Quant por aí do que Helenas aguadas e vazias de si.
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