Não viver só para si


Em 2008 quando publiquei pela Laetitia Editore o meu livro – Os deuses não são socialistas- dediquei um capítulo a uma ideia: “não viver só para si”. Não é uma ideia mística ou política é um argumento que aponta para um caminho o qual se percorrido nos levará a um encontro feliz com nossa dignidade humana que me parece anda meio adormecida nos escombros do nosso egoísmo.
Como seria uma sociedade a qual não se vive só para si? Não seria criado um grupo, não teríamos lideres, não se arrecadaria fundos, não seriamos nem da turma de Michael Alexandrovich Bakunin, de Marx ou do Adam Smith. Nem uma sociedade como a conhecemos existiria .
Seriamos nós, cada um com suas possibilidades em seu lugar, sua rotina fazendo a diferença em pequenas e quase invisíveis ações.
Adotaríamos uma visão de mundo não egocêntrica, não centralizada em si mesma. Um dia ao sair de casa dei bom dia a um gari, resposta dela: “Não estou acostumada com “bom dias” às vezes penso que sou invisível. Quem adota não viver só para si mesmo busca evitar torna-se invisível ou perder a capacidade de enxergar o outro como ele é: gente.
Não viver só para si não é fazer caridade ou altruísmo para si sentir bem, antes de tudo é ter consciência o quanto nossa existência, queiramos ou não, não é algo individual, singular ou encarcerada em si mesma. Viver é antes de tudo nos reconhecer na compaixão do outro e nunca na sua pena ou dele sentir pena.
Em sua casa, com teus amigos, no seu trabalho busque fazer a diferença em pequenas coisas, na delicadeza, na aula gratuita a uma pessoa não alfabetizada, na oportunidade oferecida a quem tem condições exercer uma função a qual se disponibiliza atuar.
Nosso autoelogio pouco importa se o outro não nos reconhece como pessoas valorosas. Não há santo de si mesmo. Fernando Pessoa escreveu que gênios que sonhos para si mesmos são loucos, há muitos desses loucos por aí tornando nossas vidas um inferno.
Em uma canção de Maria Lima o resumo desse texto: “Você me abre os braços e a gente faz um país”
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A foto que ilustra esse artigo é do profeta Gentileza que viveu e morreu no Rio de Janeiro

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