Quando Nietzsche me sorriu


“Amamos desejar mais do que amamos o objeto do nosso desejo”. Essa frase de Nietzsche vem me perseguindo há algum tempo, tudo porque às vezes acho que sou viciado mais na sensação de prazer que sinto ao desejar do que em ter o objeto desse prazer.
Ao mesmo tempo em que me sou aberto ao mundo, sou fechado e sinto longo orgasmo com a solidão que me imponho.
Gosto de me perder por aí nos prazeres impublicáveis do mundo, mas me isolo e se não fosse à necessidade de desejar muitas paisagens do mundo não me fariam falta alguma.
Sou da penumbra como Lúcifer também era e Deus com inveja de alguém que gostava mais da escuridão do que da sua melancólica luz o expulsou do paraíso celeste. Talvez por isso me sinta deslocado e pulando de inferno astral a outro ponto qualquer que pode ser tudo menos suave.
Nietzsche certa vez reclamou a um raro amigo que se sentia cansado de ser ponte e não queria ligar mais nada a coisa alguma, triste Nietzsche: vai passar a eternidade sendo ponte para todo tipo de ideia. Dos nazistas aos comunistas, dos capitalistas aos hippies muitos advogaram ser por ele influenciado e o pior, proprietários das suas ideias.
Enclausurado em si mesmo sem contudo deixar em paz o mundo além de si Nietzsche ressuscita a cada três dias e nem sempre tem uma doce Madalena a lhe abraçar não se importar com um homem avesso a santidades e por vezes cheirando mal com um tempo de extremo agouro.
Vivemos em uma involuntária corrida para a morte, alguns vivem saciados pelo que têm outros vivem no desespero de nunca paz de espírito. Certo é que espíritos inquietos são blasfêmias ambulantes ou senhores despedidas. Nasceram para o sempre adeus... Mas suas marcas vão ficando por aí como as inquietudes do senhor Nietzsche em mim esse manhã.
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