Pular para o conteúdo principal

“Só quero saber do que pode dar certo” *



De todas as coisas da vida tenho certeza: recomeçar não do mesmo ponto o qual algo foi perdido, mas por si mesmo buscar novos caminhos é uma tarefa nada fácil para todos nós que somos formados nas rédias de uma educação extremamente formal e conservadora, mas recomeçar é essencial se não quisermos passar o resto da vida cultuando ossos de um passado que em nada vai nos trazer o viver do presente necessário.
Passar os dias resmungando sobre o ego despedaçado ou apontando culpados pela alegria fragmentada em nada vai nos ajudar. Não podemos transformar o passado em um eterno velório das alegrias ou tristezas em nossos corações.
Romper com o passado é essencial, sem isso a existência se torna ou já é um depósito de coisas inservíveis as quais pouco a pouco vão nos tornando inúteis a nós mesmos e a vida que indiferente a isso tudo prossegue.
Não é papo de autoajuda, mas o obvio. Excetuando-se problemas emocionais os quais necessitam de tratamento especializado, o melhor é enterrar os ossos do passado em vil cemitério e abrir o coração ao novo que bate a nossa porta antes que ele canse e vá para quem de si faz permanente revolução.
Mudar de cidade, de amigos, de amores, de partido político, de prato preferido, amar entre aspas, amar livremente, se recluso, ir ao Bistrô beber umas cervejas, ri de si mesmo e dos momentos ridículos, não buscar na embriagues uma alegria tão artificial quanto o sorriso da sociedade e principalmente viver a si mesmo com mais carinho e ternura não é nada além do que ter como vida o único tempo: presente!!!!
Como Belchior eu grito alto: “o passado é uma roupa que não me serve mais”. Somos breves pedaços de carne e não demora muito seremos pó em esquecida sepultura... Lembra da música de ano novo? “Esse ano quero paz no meu coração/ quem quiser ser meu amigo e que me dê a mão”.
Não ter saudosismo do sexo gostoso com uma pessoa que achávamos o maior presente de Deus para o nosso corpo em febre, do status perdido, de quem livremente foi embora. Tudo só é possível aquém se sabe grato às coisas úteis ao coração e não amante de venenosos espinhos postos em penumbra do viver inutilmente.
http://edineysantana.zip.net/
ediney-santana@bol.com.br
* Frase de Torquato Neto


Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro Ney, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profund…

Mãos calejadas, meu Deus.

Os escravos eram as mãos e pés dos seus donos, tinham as mãos calejadas do trabalho braçal e penoso nas plantações enquanto os senhores de engenho tinham as mãos suaves. Neste momento aconteceu algo que marcou para sempre a divisão do trabalho: o trabalho braçal e o intelectual, o braçal desprestigiado e intelectual privilegiado. Ter as mãos calejadas passou a significar pouco estudo e baixa qualificação, consequentemente desprestigio social, enquanto o trabalho intelectual passou a ser valorizado, trabalho de “doutores”, de pessoas “importantes”. Essa divisão alimentou e alimenta muitas das nossas mazelas e preconceitos. O presidente Barack Obama disse que não pode simplesmente colocar os imigrantes ilegais para fora dos Estados Unidos, porque o país precisa deles. Nos Estados Unidos trabalho como motorista, gari, baba, diarista, garçonete, frentista ou pedreiro são excetuados por imigrantes, muitos deles brasileiros que aqui não pegariam no cabo da vassoura para varrer a própria ca…