“Parti para junto de Deus”

Albert Camus certa vez disse que o único problema filosófico realmente sério é o suicídio. Segundo dados da Organização mundial de saúde (OMS) a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo.
Os números são assustadores principalmente por serem crescentes. Se antes havia o questionamento de onde viemos ou para onde iremos, ao que parece o futuro para muita gente não importa tanto assim, o que importa é negar o presente nem que para isso seja preciso por fim a própria vida.
Tive dois primos suicidas. Bozó se jogou do alto de uma torre de telefonia e Cural se enforcou em uma árvore. Ambos eram jovens, depressivos e tomavam calmantes, viviam em um mundo a parte, um mundo o qual a alegria só era possível através de remédios.
A atriz Leila Lopes suicidou-se recentemente, deixou uma comovente carta de despedida a qual reproduzo a seguir um trecho:
“Eu não me suicidei, eu parti para junto de Deus. Eu decidi que já fiz tudo que podia fazer nessa vida. Tive uma vida linda, conheci o mundo, vivi em cidades maravilhosas, tive uma família digna, ganhei muito dinheiro e ajudei muita gente com ele. mas sempre renasci como uma fênix que sou e sempre fiquei bem de novo. Aliás, eu nunca me importei com o ter. Bom, tem muito mais sobre a minha vida, isso é só para verem como não sou covarde não, fui uma guerreira, mas cansei. É preciso coragem para deixar esta vida, estou em busca de Deus. Não é por falta de dinheiro. Eu quero paz! Estou cansada, cansada de cabeça! Não aguento mais pensar, pagar contas, resolver problemas... Vocês dirão: Todos vivem!!! Mas eu decidi que posso parar com isso, ser feliz, porque sei que Deus me perdoará e me aceitará como uma filha bondosa e generosa que sempre fui."
Uma leitura rápida e desatenta desse trecho da carta pode nos levar a errada conclusão de que a Leila estava calma, serena e certíssima do que queria para si e do seu caminho para buscar o seu deus, mas tanto quanto a existência de um deus não pode ser comprovada ou negada com simples argumentos apaixonados ou não o suicídio foge a toda tentativa de racionalizar seus reais motivos, mas devemos tentar.
Desespero, solidão, sentimento de culpa, frustração, consigo e com o mundo, cansaço físico e emocional enfim uma série de questões, não raras todas emocionais, vão aos poucos minando a vontade de se continuar no front impiedoso que é a relação com as coisas inanimadas e animadas e por algum motivo em um determinado momento a vontade de morrer ou a crença na qual só a morte pode trazer paz de espírito vence a vida e o suicídio acontece.
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