“Aqui é o meu país de sonhos sem cabimento” *

É fato, muitos e muitos brasileiros olham o país como uma grande piada, às vezes penso que os únicos momentos os quais alguma coisa por aqui é levada a sério são jogos de futebol e vídeo cacetadas do bisonho Faustão e seu Domingão tão chato quanto o próprio.
Sim! Tudo no Brasil, como disse José Simão, parece uma piada que já nasce pronta. Olhamos um dedicado policial subindo um morro e enfrentando bandidos com armas de última geração compradas nas mãos de quem? De outro policial.
Salário do policial honesto? R$ 1.500,00. Patrimônio do policial traficante de armas? Mansão no Guarujá e cobertura no Complexo de Copacabana.
É ou não é uma piada que já nasce pronta?
Nos finais de semana na região metropolitana de Salvador são assassinadas em média quarenta pessoas, no período de carnaval essa mesma região ganha quase um milhão de habitantes. Estatísticas oficiais dizem “não ouve crimes relacionados ao carnaval, só algumas briguinhas de mulheres e trombadinhas pedindo dinheiro para comprar crack”
Caetano Veloso já está perto dos setenta anos de idade e ainda tem fôlego para lançar dois discos seguidos de rock, comer lindas morenas e chamar o presidente de analfabeto. Será só fôlego mesmo?
Pobre **Roney Jorge e os Ladrões de bicicletas que não tem fôlego nem grana para o jabá de jornais e FM piratissimas.
Não levamos a sério nossas tragédias e vergonhas, ao contrário, nossa falta de seriedade em determinadas questões é celebrada com purpurina e carnaval.
Como somos tolos, a turminha do tráfico de órgãos, pessoas, armas e pane tones em parceria com as quadrilhas parlamentares e executivas é quem leva o Brasil a sério, para eles o Brasil é um grande bordel em que todos os prazeres, virtudes e vícios têm preço. O santo de hoje a depender da propina oferecida, amanhã será o mais terrível demônio a trancar nossas ruas, nossas vidas e esfacelar nossos sonhos.
Em “Revolução dos Bichos” de George Orwell, há um fantástico personagem chamado Garganta, um porquinho falastrão, ele tem o poder de convencer alguém de que o amarelo na verdade é vermelho. O livro termina com humanos e porcos dançando, dança realçada com uma magistral frase “no final não sabíamos quem era porco ou quem era gente” Garganta sabia das coisas.
Ainda bem que aqui no nosso país não há porcos falastrões, só há hienas , cordeirinhos e voluntários palhaços. Desculpe Carequinha...
* Frase de Ivan Lins
** Banda baiana de rock a qual alguns críticos musicais dizem que Caetano Veloso, vem, digamos, se inspirando nós seus últimos dois discos.

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