Semântica do bem ou mal

Na magistral fábula “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry encontramos uma frase sentença a qual vai de encontro a quase tudo ensinado e aprendido por nós, seja nas escolas ou na família, entre amigos ou na convivência forçada com inimigos: “O essencial é invisível aos olhos”.
Ser bom? Mal? Isso é fácil, quero ver é ser justo. Tente agir com justiça uma hora por dia e veja logo o número de seus desafetos se multiplicarem. Na maioria das vezes só somos interessantes aos outros se somos úteis, atalhos, caminhos para os seus sonhos, fora disso, adeus seu mané!!!
Desgraçadamente fomos todos transformados em pontes, em um arco-íris que ao final há um possível pote de ouro. O essencial hoje depende da conta bancária e não importa se essa conta esteja repleta de crimes, ódio, mortes e misérias. O dinheiro sujo ou não faz sorri quase todos.
O mal e o bem são da mesma ordem, exige de nós a tomada de partido a partir de uma série de questões as quais não raro são emocionais, ao contrário da justiça que nos exige racionalidade. A bondade deixa a mãe cega ao filho viciado, à maldade com suas paixões leva ao crime.
A justiça é cortar na própria carne, e sentir da dor do outro, mas saber que naquele momento não está em jogo um individuo ou nosso amor, nossa amizade, é preciso ser racional para nos “salvar” das misérias estabelecidas na nossa normalidade doente.
O jogo de interesse é gigantesco, o prazo de validade é colocado na testa assim que nascemos: se pobres há de se lutar muito para não ter no concreto das relações o bem imaginário ou a maldade objetiva nas costas a nos levar cedo para lugar algum.
Meu amigo Idelmar de Oliveira (Castro D’ Mar) brinca comigo dizendo que eu ainda acredito na humanidade, quem sabe esteja certo. O essencial do Pequeno Príncipe talvez tenha morrido na guerra, a mesma que matou seu autor e hoje assume tantas mascaras, mas é o velho terror de sempre.
Vai-se maquiando, fingindo-se uma delicadeza humana que não se tem, no fundo há um enorme estômago no lugar do coração, nada, além disso. Além das entrelinhas encontra-se a morte ou o crime.
Boris Casoy apresentador de um telejornal na TV no último dia do ano (2009) disparou contra dois gentis garys que desejaram para todos nós um grande 2010: “dois lixeiros do alto das suas vassouras, os últimos na escala do trabalho desejando feliz ano novo” no outro dia o tosco jornalista pediu desculpas e ficou tudo por isso mesmo.
É assim que essa gente pensa, o “isso é uma vergonha” ou “dominado” tão utilizados pelo senhor Boris só revela o sentido real de como ele enxerga o povo desse país, o povo que não cheira pó nas coberturas da Avenida Paulista ou nos camarins das TVs.
Há uma belíssima canção da banda Catedral, Carpe Diem, na qual há uma frase simples, mas sínteses de tudo escrito aqui: “Estamos ainda no tempo dos indivíduos/ há tantas auroras que não brilharam ainda/ vai coração dizer/ ele está aqui/ aproveite o dia/ todo espelho mostra apenas o que queremos ver”.
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