Desassossego

Um dia desses encontrei uma, digamos... Amiga de ocasião. Perguntei como ia a vida, as emoções perdidas se ainda incomodavam, os amores de sempre, vividos e os vãos.
Resposta (sem muita acidez): “estou vivendo o inferno do desassossego”.
Inferno do desassossego? Dever ser mesmo um inferno viver assim. Estar desassossegado (ao menos acredito nisso) é não ter pouso em nenhum contentamento, se sentir estrangeiro em si mesmo, errantemente sem querer encontrar terra prometida alguma.
Pode-se estar desassossegado por inúmeros motivos, mas não duvido que o principal seja a sociedade de consumo e sua impiedosa exclusão com quem não consegue viver seus rituais famigerados de ostentação.
Junte a sensação de impotência e incompetência diante do “maravilhoso mundo” do cartão de crédito, como sem ele o mundo real fica chato e menor, como sem ele é complicado encontra o príncipe ou princesa encantada e chegamos ao tal do desassossego ou ao menos em uma das suas matrizes mais perversas.
No inicio do texto escrevi que indaguei a minha amiga de ocasião sobre sentimentos e emoções; coisinhas fora de moda isso porque o essencial nos dias de hoje é super visível aos olhos. Emoções, sentimentos, saudades e amores só na poesia de Casimiro de Abreu... Afinal nada é mais interessante que uma ida indispensável ao chopim lamber vitrines, sonhar ter os corpos das modelos da Avon, desejar ter os músculos do Rambo, a conta bancaria do Will Smithe e as mulheres toscas do Ronaldo, ex-fenômeno.
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