Hieronymus Bosch e Mario Quintana

“No fim tu hás de ver/ que só as coisas mais leves/ são as únicas que o vento / não conseguiu levar”. Esses versos são de Mario Quintana, ele mesmo um poeta da leveza e do delicado humor.
Ter e buscar da vida leveza, como é difícil. Nesta urgência e automatismo de viver tudo ao mesmo tempo, qualquer coisa nos parece ser possível menos desacelerar nossa corrida para fins tão conhecidos.
Certa vez a professora Evila, de literatura da Uefs, leu para mim um pequeno texto no qual um garotinho pede ao pai para levá-lo até ao mar, chegando lá, do alto de uma montanha, ele olha e diz: pai me ensina ver?
Quantas vezes não estamos assim, perto de algo que desejamos tanto e não conseguimos notar sua beleza, nos perdemos em detalhes menores, não enxergamos a beleza e grandiosidade do todo.
No Museu do Louvre em Paris está o famoso quadro a Mona Lisa de Leonardo da Vinci. Claro, é uma obra importante, embora eu não consiga ver o enigmatismo do seu sorriso ou qualquer outro atrativo nela, em termos de artes plásticas prefiro Hieronymus Bosch e sua obra impa, mas convenhamos todos os anos pessoas vão ao Louvre e mesmo com tantas obras de arte que tem por lá param na frente da Mona Lisa e ficam procurando entender o tal sorriso enigmático, alguma coisa deve ter essa Mona Lisa... Pena que eu realmente não consiga enxergar a beleza de uma pintura tão importante para tanta gente e não adianta mandar ler Dan Brown, não sou alfabetizado para best-sellers, de verão.
São coisas simples, buscar a leveza, olhar para a Mona Lisa e se deixa ser possuído por ela e pronto, andar pelas ruas sem presa, não fazer sexo como se fosse um cavalo enfurecido, não perder o objeto de desejo de si mesmo.
Quando se perde a delicadeza para consigo se perde algo mais que bons momentos de leveza própria, vai se perdendo lentamente a conivência pacífica com o que de melhor temos, nosso amor próprio.
O vento varre tudo, às vezes lento, às vezes raivoso, mas como na poesia de Mario Quintana, há algo de leve, descobri-lo em meio a essa tempestade de concreto, cobranças e competição por coisas não nossas de verdade é que é o grande problema.
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A imagem que ilustra esse artigo é de Hieronymus Bosch


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