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A solidão de Michel Jekson

Esses dias voltando de Salvador para Santo Amaro fiquei a observar os passageiros, alguns dormiam, outros estavam tão absortos em si mesmos que pareciam simplesmente não estarem ali, lá na frente motorista e cobrador em silêncio e com um distanciamento um do outro comovente, mas algo igualava a todos: a solidão.
A sensação de si estar só independe se estamos acompanhados ou não. A solidão sempre nos fez companhia, mas com o surgimento de novas tecnologias, doenças e aumento dos índices de violência o que era algo até certo ponto natural passou a ser patologia e abre as portas para depressão e tantas outras doenças do espírito ou não.
Geralmente me perguntam se tenho MSN, O MSN é uma formidável ferramenta de comunicação, não tenho dúvidas a respeito disso, mas é também o símbolo dessa auto-carceragem que são nossos dias. No MSN não há calor humano, contatos imediatos e cada um pode viver o personagem que bem queira e é claro há nele o distanciamento necessário para em segurança viver-se as fantasia de “encontros” mais seguros.
Certa vez um amigo espírita, Agenor, me contou uma história de um sujeito que desesperado pela falta da amada morta cometeu suicido na tentativa de encontrá-la no além, ele realmente a encontrou, pegou seu violão e ficou tocando, fazendo serenata, mas ela não podia nem ouvi-lo ou vê-lo. Do outro lado da vida, seja lá qual for esse lado à solidão lhe foi pior, sentia ou sente saudades agora do que aos olhos podem ver, mas distante em nada podia verter todo amor em encontro, amizade e vivência.
Desejar estar só é uma coisa, desejar companhia é não conseguir é outra coisa, ter medo de gente, mas se masturbar vinte quatro horas pensando como seria a vida boa se tivéssemos amigos e gente sincera, honesta e companhia sempre por perto é outra muito diferente.
Quando Michel Jekson morreu fiquei pensado como aquele homem foi solitário, teve uma vida inteirinha de faz de contas, morto seu corpo ficou esquecido em um necrotério enquanto sua “família” brigava pela sua herança. Janis Joplim um dia disse uma frase celebre “faço amor para vinte mil pessoas e volto para casa sozinha”. Solidão, solidão e solidão.
Quando se é pobre é mais fácil fazer amigos sinceros. O pagodão na praia, o show de rock improvisado em um inferninho, a turma da faculdade que aluga uma Vam para voltar para casa sempre juntos, o menino lindo que é só um menino lido encantado com a irmã do melhor amigo colega de trabalho em um fábrica. Os ricos e poderosos são mais infelizes tudo neles e de mentira, de improviso e suas afeições e amores correm sempre o risco de serem sempre algo passageiro.
Mas seja rico ou pobre cada um vive seus momentos de solidão, de busca, de tentativa de se viver momentos íntimos com o que de mais caro e nobre se pode ter com outra pessoa: confiança
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