Pular para o conteúdo principal

E se eles voltassem?

Sentir saudades de quem nos deixou pela força implacável da morte é natural. A saudade por quem morre não é mesma por quem foi viver em outro país ou um amor “eterno” que ao olhar para o outro lado da rua também descobriu o seu eterno amor e nos abandonara de mala e cuia.
A saudade que sentimos por alguém que está morto não é tão definitiva quanto à própria condição de morto, morreu acabou. Só se vive mesmo nas saudades e recordações de quem está vivo... Em alguns casos, porque na maioria das vezes se é esquecido por completo.
No entanto há histórias de pessoas as quais nunca superaram a perda de um ente-querido, sei de gente que todas as semanas vão ao cemitério levar flores e chorar por seus mortos e de pessoas materialistas ao extremo que depois da morte de uma pessoa querida se converteram ao espiritismo na tentativa de uma comunicação direta com o além.
Fico a pensar, se depois de dez ou trinta anos o morto batesse a porta e dissesse: “voltei, não me reconhecem” “ quem é esse cara de óculos fundo de garrafa?” “ e você meu bem não está a me reconhecer?” Seria uma cena constrangedora.
Seus filhos já crescidos a chamarem o padrasto de pai, a maioria dos seus amigos já mortos, seu time de futebol não ganha o campeonato há uns quinze anos, o Brasil agora é governado por uma sangrenta ditadura PTralha e proibiu o jogo de pelitinho no bar do Pedro, também já morto, o Bar agora é do Pedrinho seu caçula.
O morto renascido se sentiria sozinho, sem referência alguma com o mundo o qual voltara à vida. Escrevi esse texto depois que li em uma revista que nos Estados Unidos os ricos de lá estão pagando uma fortuna para serem congelados depois da morte e daqui a cem anos ressuscitados pela ciência a qual talvez já tenha a cura para as doenças que os vitimaram.
Essa história é para nenhum Alduz Huxeles botar defeito. Imagine a cena, pobres e ricos defuntos ressuscitados em um tempo não mais seus. Esses ricaços deveriam doar suas fortunas para ajuda humanitária, institutos de pesquisas com células tronco, câncer e AIDS. Seria muito mais proveitosas e menos inúteis suas vidas e mortes.
http://edineysantana.zip.net/
ediney-santana@bol.com.br

Postagens mais visitadas deste blog

"A felicidade é uma arma quente”

Eu que nunca saio do meu lugar exílio, imagino como o mundo deve ser lindo. Estou tão fantasma em Santo Amaro que me considero um prisioneiro condenado a devorar-me sem piedade e pouco a pouco ir morrendo de tantas angústias que não há sol a iluminar tanta escuridão.
Você descobre que está ficando para trás quando todos da sua geração foram embora. Quando esses seus amigos voltam à cidade e você só fala com eles do passado é sinal também que a amizade já era, ficou presa em algum lugar desse mesmo passado. Nem eles e nem você cabem mais na vida um do outro.
Acostumar-se com migalhas de felicidade, com aparente segurança da rotina é um passo certo para pararmos no tempo, para voltado às pequenas coisas nos tornamos bobos de uma corte morta há tempos.
Torna-se um monumento não é bom, se isso acontece quer dizer que mesmo você estando vivo, todos vão considerá-lo morto. Tenho a impressão que a natureza só mata alguém quando esse alguém já não interfere nem para o bem nem para o mal na vida…

Carta para daqui a 50 anos

Hoje é sábado, 29 de junho de 2013, São Pedro, últimos dos santos juninos, aqui perto em São Francisco, vai ter show “grátis” do Chiclete com Banana, claro que não vou, tem gente em excesso de suposta felicidade e acho um saco tanta gente feliz junta por quase nada, não que eu seja triste, mas a minha felicidade repousa na linha do horizonte, não se resume a uma multidão insana pulando e gritando: “chicle...tê!!!! Em 2063, o maior plano é tá vivo, curtindo minha velhice e ouvindo as histórias da minha filha, ler essa carta nem que seja com uma lupa daquelas de Sherlock Holmes, talvez olhe para uma foto minha de hoje e diga: elementar, meu caro, tudo no fim deu certo. Não pense, eu de hoje, que meu sonho é só envelhecer, há o recheio, como de um sanduíche que comi certa vez e daria para alimentar um uma fila inteirinha de pau de arara, pau de arara eram caminhões que certamente devem ter levado muita gente minha para São Paulo, gente que por lá trabalhou duro e morreu da mais profunda…

Como é viver com ódio?

A internet parece ter sido transformada na vitrine do ódio. Sempre encontro bons vídeos e sites na internet com conteúdo interessante e instrutivo, mas esses sites e vídeos têm baixíssimas visualizações, por outro lado sites e vídeos com conteúdo de ódio ou violência têm milhares de acessos. Canais de políticos que não tem nada de proativo ou ideias criativas e práticas, mas explodem de ódio batem recordes de seguidores que expõe ódio, violência verbal e ameaças.   Parece ser um estado permanente de ódio, seja religioso, sexual, político ou cultural, nada escapa ao ódio. Algumas manifestações de ódio são abertas ou diretas, outras são disfarçadas de altruístas, mas todas têm como objetivo neutralizar qualquer voz dissonante dos que esses furiosos ambidestros pretendem. No mundo da violência emocional odeia-se por um único motivo: não há no mundo espaço para concepções socais diferentes das quais a ambidestra cavaleira do ódio defende.   O ódio emburrece, torna bruto corações e mentes…