Feliz aniversário Ediney Santana

Amanhã 14 de março é o dia da poesia é também o dia em que conto os meus anos, ou seja, é o dia do meu aniversário. Há 36 anos em uma serra, aos pés da Santa Cruz, na cidade de Mundo Novo nasci de costas para Jesus, de um bendito ventre senhora absoluta das minhas inquietações e semânticas barrocas embriagadas de tantas coisas para além de mim.
Esse também é o meu primeiro aniversário como pai. Renata Maria é a nova senhora não das minhas inquietações, mas da minha alegria e desejo absoluto de futuro feliz.
Vivo em Santo Amaro, cidade que segundo o escritor Franklin Romão “é o melhor lugar do mundo para quem não tem compromisso algum com o futuro”.
Santo Amaro levou boa parte do meu futuro, tive a infeliz ideia de querer fazer daqui tudo que se diz, conta e canta seus filhos: trazer as grandezas de uma imaginária terra para a razão de uma terra real.
Tola ideia essa minha, tudo que conseguir foi uma vida de mil solitárias paixões.
É verdade, há muito que em Santo Amaro não sou feliz, tenho um ou dois amigos e creio que não posso adiar muito o tempo de correr o mundo possível enquanto em mim idealizar ainda também é possível.
Desejos não realizados vão se enraizando nas memórias e sufocando a possibilidade de novos desejos e pior: vai matando lentamente toda possibilidade de reação e vocação que temos para construção das nossas aspirações de felicidade.
Lavar na mala meus arco-íris, amores e prováveis amigos para outras gentes cujo minha sede de felicidade vem pedindo há muito.
Tenho quase certeza: a morte chega mais depressa quando somos a nós mesmos inúteis e lá fora o circo armado nos tem como tristes palhaços que em vez de chorar sabem ri.
Envelheço sem música, sem língua de sogra, sem brigadeiro ou bolo, envelheço como sempre vivi, sozinho. Mas estou vivo, tenho um dia inteiro só para mim, vou ver minha filha que é a beleza da minha vida, voltar para casa, beber umas cervejas no bar Mariano e cuidar das minhas coisinhas.
http://edineysantana.zip.net/
ediney-santana@bol.com.br

Postagens mais visitadas deste blog

Mãe

A onda da mediocridade

Caetano Veloso, Chico Buarque e Jean Wyllys