Segurança jurídica

A juíza paulistana Kenarik Boujikian Felippe em entrevista a revista Caros Amigos (nº 152/09) disse:
“O Estado brasileiro continua matando muito” Atuando em defesa dos direitos humanos, a juíza falava a respeito da ditadura militar e dos seus crimes contra a vida e a dignidade humana e de como hoje o Estado continua agindo de maneira criminosa.
Recentemente em Vitória da Conquista-Ba o assassinato de um policial militar desencadeou uma onda de assassinatos a qual vitimou mais catorze pessoas e até hoje três adolescentes estão desaparecidos, o Ministério Público acusa soldados da PM pelos crimes.
Na mesma Bahia desde o ano passado varias pessoas morreram vitimadas pela Meningite C, a forma mais grave da doença. O governador Wagner pressionado pela impressa e pelo medo de perder as eleições mandou vacinar crianças de zero a cinco anos, pensa a triste figura do governador que a morte de adultos e velhos não vão causar mais impacto do que as de crianças.
Um amigo meu presenciou uma cena bizarra, policiais rodoviários aceitaram duas galinhas como subornos para não apreenderem um caminhão com defeito, as galinhas foram colocadas debaixo dos cones que servem para fazer barreiras nas estradas.
Em todo país cresce o número de mulheres mortas por ex-namorados e maridos. Nestes crimes algo chama atenção: todas vitimas buscaram ajuda da justiça e não conseguiram, embora muitas já tivessem sido agredidas pelos ex-companheiros, os criminosos estavam soltos.
No final do ano passado em Porto Seguro os professores Álvaro Henrique e Eclisnei foram assassinados, as investigações apontam como mandante do crime um secretário de comunicação do município Édesio Lima Dantas e os executores os policiais militares Sandoval Barbosa, Geado de Almeida e Joilson Rodrigues, motivação para o crime? Os professores lideravam uma greve por melhores salários em melhoria no sistema educacional do município.
Não são advogados, promotores ou juizes responsáveis pelas elaborações das leis, isso cabe ao Poder Legislativo, o problema é que o Poder Legislativo é uma ilha cercada de criminosos por todos os lados, bons deputados ou vereadores não aparecem nem no CQC quanto mais colocar em votação algum projeto relevante para o país, só passa o que as máfias de empreiteiras ou crime organizado querem.
Muita gente defende a pena de morte para alguns tipos de crimes, acontece, como disse a juíza Kenarik, que o Estado já tem sua pena de morte contra quem for seu “inimigo” ou quando não faz nada para combater as organizações criminosas que agem dentro das suas entranhas, quando deixa a população sem atendimento médico lá está o Estado usando seus carrascos invisíveis.
Não há segurança jurídica no Brasil, a pena de morte só iria oficializar os crimes do Estado. O distanciamento das ações jurídicas da maioria da população é muito grande, essa sensação de abandono faz com que se deseje muitas vezes a lei do olho por olho e dente por dente, mas não se percebe o quanto nossos olhos e dentes há muito foram confiscados pelo Estado que os cegam ou quebram quando quiser.
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