Sem conexão com o tempo

“Chega de gente que pensa, quero gente que faça”. Essa frase foi dita por uma secretária de educação, fiquei intrigado, desconfiado e é claro constrangido ao ouvir uma bobagem dessas.
Tudo que menos temos nos azedos dias vividos é gente que pensa, há muito re-pensar sobre isso, sobre aquilo. Ideias novas e criativas são raríssimas, sobram velhos e requentados argumentos servidos como novidades para inovar coisa alguma, ultrapassados só servem para maquiar o atraso de inúmeros setores da nossa sociedade ou manter privilégios e poder nas mãos dos grupos de sempre.
Em “O tempo não para” Cazuza canta: “ eu vejo o futuro repetir o passado/ eu vejo um museu de grandes novidades”. O futuro para Cazuza seria o mesmo que o presente repetitivo de hoje, uma visão péssima para um país que é um grande museu de si mesmo, nascido entre o flagelo da escravidão e servidão.
Há uma grave crise de pensamento nos dias de hoje e vai-se seguindo a vida re-pensando o ontem de ontem para no intrincar do presente cada vez mais saudosista de um tempo que ele nunca aconteceu manter o país sombra de um morto nunca nascido. Nas nossas universidades, com raras exceções, há gênios sonhando para si mesmos, como escreveu Fernando Pessoa em Tabacaria.
A maioria das teses acadêmicas servem tão somente a vaidade dos seus mestres e doutores e na prática em nada vai ajudar no avanço e descentralização de conhecimento e poder do país, o pior disso é que boa parte do pensamento acadêmico é financiado pelo dinheiro público, só por isso deveria-se ter mais critério ao financiar os gênios de plantão nas esquinas das ruas universitárias.
Nossas instituições públicas estão nas mãos de políticos ou de bur-rocratas e só isso nos diz o ritmos galopante que elas marcham para trás, o mundo vai em uma direção e as nossas instituições públicas preferem o aconchego imediatista do assistencialismo de Estado.
O Cartunista Henfil certa vez disse “enquanto os sábios pensam sem certeza, os idiotas atacam”, quero para mim só o humor dessa frase e acreditar que a tal secretária de educação seja só um equivoco em seu pensamento e não regra, já temos tragédias em demasia, dores em demasia e constrangimento sem precedentes para suportarmos mais idiotas a nos atacar com suas bur-rocracias de Estado.
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