Creio em Deus como creio em ti

Gabriely Del Fabria, uma amigo de sempre comigo, me perguntou se eu voltei a acreditar em Deus, isso depois dela prefaciar dois livros meus que pretendo lançar ainda este ano.
Gabriely, meu anjo, te respondo que como os índios e os adeptos do candomblé e vudu eu vivo Deus na tua cor morena, nas tuas emoções compartilhadas comigo nos dias nossos de paz, vivo Deus na minha solidão a me trazer de volta para os meus braços, vivo Deus nos meus fragmentos que ajudaram a desenhar em aquarelas de amor a vida de minha filha.
Vivo Deus na melancolia saudosista de minha mãe, no meu romantismo político, na paz que tenho ao dormir, nos sonhos coletivos.
Minha doce Gabi, vivo Deus nos seus gestos de amor e bondade comigo, na tua filha linda, no amor que tens pelas flores e gatos do teu quintal, vivo Deus nas minhas alegrias e na porção que dele coube em minhas dores.
Vivo Deus nas minhas orações por vezes sem sentido, vivo Deus na busca pelo perdão do mal que a tanta gente já fiz, vivo Deus no corpo quente do amor ausente, na abelha a devora a flor, na flor a suspira estática seus desejos, no corpo a se libertar dos pecados inventados.
Vivo Deus na certeza que o único pecado é não amar, do não amar provem todas as maneiras de negar e não viver Deus.
Vivo Deus no meu espírito James Byron Dean, na minha poesia Graciliano Ramos, vivo Deus neste dia de chuva, espero viver Deus na hora da minha morte, senti-lo fazer cócegas em meus pés frios para que eu não vá zangado ao encontro do nada.
Lamento que o homem e a mulher em poder do mundo se façam deuses uns sobre os outros e no lugar da Flor à faca, da amiga palavra o silêncio, da liberdade à servidão, das crenças enamoradas em dúvidas o labirinto das verdades eternas.
Vivo Deus na minha vida por mim vivida e erguida, vivo Deus na possibilidade de um dia ser amado, vivo Deus na paixão pela noite e seus cavaleiros medievais a me levarem a momentos nos quais eu também poso ser e viver Deus.
Ps – Na foto sou eu e minha filha Renata Maria
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